Projeto Guardas no Museu reúne tradição, ancestralidade e resistência do Congado em Pará de Minas
Cinco grupos participam da 19ª edição
O Museu Histórico de Pará de Minas realiza nesta quinta-feira (27), às 20h, a 19ª edição do projeto Guardas no Museu. O encontro reunirá cinco grupos tradicionais de Congado do município, levando para o espaço de preservação da memória local cantos, tambores e manifestações ligadas à ancestralidade e à cultura afro-brasileira.
Participam a Guarda de Congo da Sagrada Família de Nossa Senhora do Rosário, Guarda de Congo Marinheiro Nossa Senhora do Rosário e Santo Antônio do Paiol, Guarda de Congo Marinheiro de Santa Clara, Guarda de Congo e Moçambique Rosário de Santa Maria e Guarda Mirim de Santa Efigênia e São Benedito.

Museu busca preservar patrimônio imaterial
O diretor do Museu Histórico, Alaércio Antônio Delfino, destaca que as guardas de Congado são reconhecidas pelo município como patrimônio imaterial. Para ele, receber os grupos no museu é uma forma de valorizar e manter viva essa manifestação.
A preparação começa meses antes, com reuniões entre os representantes das guardas. A organização envolve convites, planejamento, estrutura e transporte dos participantes. Nesta edição, aproximadamente 100 a 110 congadeiros estarão envolvidos nas apresentações.

Alaércio aponta, porém, um desafio para a continuidade dessa tradição. Segundo ele, grande parte dos integrantes é formada por pessoas mais velhas e existe necessidade de renovação. Por isso, iniciativas como o Guardas no Museu também procuram estimular a permanência do Congado entre as novas gerações:
Alaércio Antônio Delfino
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História marcada por resistência
Presidente da Guarda de Congo e Moçambique Rosário de Santa Maria, Rafael Ribeiro ressalta que a trajetória do Congado está relacionada à escravidão e ao período posterior à abolição, quando manifestações da cultura negra foram marginalizadas.

Para o jovem congadeiro, preservar essa história significa reconhecer uma trajetória construída com “luta, resistência e fé, tradição e ancestralidade”. Ele também aponta o respeito aos mais velhos, a responsabilidade, o compromisso e a dedicação como valores fundamentais para que os jovens mantenham os fundamentos das guardas:
Rafael Ribeiro
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Tradição que atravessa gerações
José Faustino dos Santos Filho, presidente da Guarda de Congo da Sagrada Família de Nossa Senhora do Rosário, conta que começou no Congado aos seis anos e mantém sua própria guarda há cerca de 20 anos. Entre as atividades que mais aprecia está o canto:

José Faustino dos Santos Filho
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Aos 96 anos, José Leandro da Silva, presidente da Guarda de Congo Marinheiro Nossa Senhora do Rosário e Santo Antônio do Paiol, também mantém uma trajetória de duas décadas na manifestação. Ele afirma que sente grande satisfação em participar e que pretende continuar enquanto tiver condições:

José Leandro da Silva
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Formação das crianças é um dos desafios
Presidente da Guarda Mirim de Santa Efigênia e São Benedito, Marta Auxiliadora dos Santos considera o projeto do museu um importante espaço de encontro e fortalecimento entre as guardas.
Neste ano, porém, as crianças do grupo não participarão da apresentação porque estudam e moram na zona rural. Como o evento ocorre à noite, a participação poderia fazê-las perder um dia de aula. Marta afirma que a responsabilidade com a escola precisa ser preservada.

Ela também relata a redução do número de integrantes da Guarda Mirim. De um grupo que já chegou a reunir 42 crianças, atualmente a formação pode contar com cinco ou seis participantes:
Marta Auxiliadora dos Santos
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Para Marta Auxiliadora dos Santos, é necessário ampliar a compreensão sobre o Congado. Ela defende que a manifestação seja reconhecida também como cultura e que as crianças conheçam sua origem e a história que explica a presença do Congado no Brasil.
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