GRNEWS TV: O cérebro por trás do vício em apostas online e por que tanta gente perde tudo sem perceber

Durante participação no videocast Papo com Geraldo Rodrigues, apresentado de segunda a sexta-feira, a partir das 13 horas, pelo canal GRNEWS no YouTube, Raianne Couto, Psicóloga e Coordenadora da Rede de Atenção Psicossocial e Lucas Moreira, Médico do CAPS AD, disseram que o crescimento das apostas online, antes da proibição do governo federal, não surpreendeu os profissionais da saúde mental. Segundo especialistas, o jogo acompanha a humanidade há séculos, mas a tecnologia ampliou o alcance desse comportamento e potencializou um mecanismo cerebral que pode transformar diversão em dependência. Hoje, a facilidade de acesso às plataformas, aliada aos algoritmos e à publicidade constante, faz com que o risco de adoecimento seja cada vez maior.

O prazer que ativa o cérebro
Os especialistas explicam que apostar estimula o sistema de recompensa do cérebro, responsável pela sensação de prazer e satisfação. Cada vitória libera substâncias ligadas ao bem-estar, incentivando a repetição daquele comportamento. Com o tempo, a pessoa passa a buscar novas apostas para reviver a mesma sensação, mesmo quando os prejuízos financeiros, familiares e sociais já são evidentes.

Embora os jogos existam desde os séculos XV e XVI, passando pelo carteado, pelo jogo do bicho e chegando às atuais plataformas digitais, o mecanismo neurológico permanece o mesmo. A diferença é que hoje a tecnologia tornou esse estímulo permanente, disponível 24 horas por dia na palma da mão.

Algoritmos ampliam o risco
Outro fator que preocupa os especialistas é o funcionamento dos algoritmos das plataformas digitais. Assim como ocorre em redes sociais e sites de compras, o usuário passa a receber conteúdos relacionados às apostas com cada vez mais frequência, aumentando o desejo de continuar jogando e dificultando o rompimento desse ciclo.

As equipes de saúde também observam um perfil recorrente entre quem procura atendimento. Apesar de os homens apostarem em maior número, as mulheres costumam buscar ajuda com mais rapidez. A maioria dos pacientes está na faixa dos 30 aos 45 anos e já chega aos serviços com dívidas elevadas, conflitos familiares, queda no desempenho profissional, ansiedade e depressão.

A recuperação começa sem julgamentos
Especialistas reforçam que o tratamento da ludopatia é semelhante ao adotado para outras dependências e exige acompanhamento contínuo. O primeiro passo é acolher o paciente sem julgamentos, permitindo que ele reconheça o problema e participe do processo de recuperação. Quanto mais cedo a ajuda é procurada, maiores são as chances de evitar perdas financeiras, emocionais e familiares irreversíveis.

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