Alerta no verão: surtos de diarreia e gastroenterite exigem atenção redobrada

Com a chegada das altas temperaturas, as atividades de lazer e as mudanças nos hábitos alimentares trazem um risco invisível, mas perigoso. O aumento no consumo de líquidos e alimentos frescos, característico desta época, favorece a propagação de doenças de transmissão hídrica. Em Minas Gerais, o cenário é preocupante: dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) revelam que, somente em 2025, o estado já contabilizou 386.447 casos de doenças diarreicas agudas (DDA), resultando em 245 óbitos nas unidades monitoradas.

A gastroenterologista Érica Godinho Menezes, professora de Medicina no UniBH, explica que o calor e a umidade formam o ambiente ideal para a reprodução de microrganismos. Segundo a especialista, o perigo aumenta quando alimentos são mantidos em temperatura ambiente ou sem a refrigeração adequada, transformando-os em veículos para infecções.

Entenda como ocorre a contaminação e quais são os agentes
A transmissão dessas enfermidades não se restringe apenas à ingestão de água imprópria. Ela pode ocorrer pelo consumo de alimentos higienizados com água de origem duvidosa, superfícies infectadas, mãos sujas ou até pelo contato direto da pele com água contaminada — situação comum em casos de Leptospirose ou Esquistossomose.

Entre os principais vilões do verão estão:
Vírus: como o Rotavírus, muito comum em crianças;

Bactérias: incluindo Salmonella, Escherichia coli, Shigella e Leptospira;

Parasitas: como Giardia, Ameba e o Schistosoma.

Os sintomas variam desde fezes líquidas, náuseas e vômitos até dores abdominais intensas, febre, dor de cabeça e desidratação. Em casos de Hepatite A, o paciente pode apresentar icterícia (pele e olhos amarelados).

Grupos de risco e sinais de alerta imediato
Embora qualquer pessoa possa adoecer, a doutora Érica Godinho destaca que crianças menores de 5 anos, idosos, gestantes e indivíduos com o sistema imunológico fragilizado correm maior risco de complicações. A recomendação é buscar auxílio médico urgente se houver febre alta persistente, sangue nas fezes, vômitos que impedem a hidratação ou sinais de confusão mental e fraqueza extrema.

Diagnóstico e cuidados com a recuperação
Na maioria das situações, o diagnóstico é feito com base no exame clínico dos sintomas. O pilar do tratamento é a hidratação rigorosa, utilizando água tratada e soro de reidratação oral, acompanhada de repouso e dieta leve. A especialista faz um alerta crucial: “A automedicação é desaconselhável. Antibióticos e remédios para interromper a diarreia só devem ser usados sob estrita prescrição médica”.

Medidas práticas para prevenir infecções
Para aproveitar a estação sem surpresas desagradáveis, alguns cuidados básicos no cotidiano são fundamentais:

Água de qualidade: use apenas água filtrada, fervida ou mineral de fontes confiáveis. Mantenha caixas d’água sempre limpas e vedadas.

Higiene rigorosa: lavar as mãos com frequência, especialmente antes de manusear alimentos ou após usar o banheiro, é uma das medidas mais eficazes.

Cuidado com alimentos: frutas e verduras devem ser bem higienizadas. Evite o consumo de frutos do mar crus ou mal cozidos, a menos que a procedência e a conservação sejam garantidas.

Atenção em viagens: em cidades litorâneas ou turísticas, onde a demanda por saneamento é maior, redobre a vigilância com o que consome.
Com informações da Assessoria de Comunicação da gastroenterologista Érica Godinho Menezes

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