Campanha Junho Laranja acende o alerta para os riscos e a prevenção de queimaduras nos ambientes de trabalho

As lesões provocadas por queimaduras figuram entre os traumas mais severos e limitantes da medicina, sendo capazes de gerar marcas profundas de ordem física, psicológica e social na rotina dos afetados e de seus núcleos familiares. Visando reverter esse cenário por meio da informação, o Complexo Hospitalar de Urgência da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) uniu forças com a Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ) na divulgação da campanha Junho Laranja. No ano de 2026, a iniciativa foca seus esforços no lema “Trabalho seguro sem queimaduras”, jogando luz sobre a necessidade premente de adotar condutas preventivas e garantir a integridade dos colaboradores durante o expediente.

Negligência com a segurança eleva os índices de internações
Reconhecido como uma das principais referências do país no suporte a esse perfil de paciente, o Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital João XXIII atua de forma decisiva no tratamento de alta complexidade, no processo de reabilitação e no desenvolvimento de programações pedagógicas preventivas. A coordenação do CTQ ressalta que expressiva parcela das ocorrências laborais decorre de falhas operacionais perfeitamente evitáveis com atitudes básicas de zelo. Entre os vilões mais comuns identificados no cotidiano hospitalar estão a falta ou a utilização incorreta dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), a escassez de normas claras de execução de tarefas e o hábito de realizar improvisações perigosas.

O cruzamento desses desvios de conduta potencializa consideravelmente a chance de sinistros. Os registros do hospital apontam que os episódios corporativos mais recorrentes na instituição de saúde advêm de exposição a labaredas, descargas elétricas e contato com substâncias líquidas em alta temperatura. Esses agravos concentram-se majoritariamente em setores como o elétrico, canteiros de obras, cozinhas industriais e indústrias siderúrgicas. A gravidade dessas ocorrências pode, inclusive, inviabilizar o retorno do trabalhador ao mercado, gerando reflexos financeiros e danos emocionais permanentes.

O drama real da falta de treinamento no manejo de inflamáveis
Um exemplo doloroso dessa realidade é o caso da garçonete Karina Alves, de 23 anos, que sofreu um grave acidente enquanto trabalhava como freelancer em um estabelecimento comercial de Santa Luzia, justamente no Dia das Mães de 2026. Ao manusear álcool para acender um réchaud, ela foi atingida por uma explosão que resultou em lesões de segundo e terceiro graus em partes como tórax, membros superiores e coxas.

A jovem já acumula mais de trinta dias de internação contínua na unidade hospitalar, período que englobou uma semana em estado de coma e a submissão a quatro intervenções cirúrgicas, incluindo procedimentos para enxerto de pele. Do leito, a trabalhadora reforça o quanto a falta de instrução técnica sobre o uso seguro de substâncias combustíveis foi determinante para o seu acidente.

Da superação na infância à liderança na gestão hospitalar
A relevância institucional do pronto-socorro também se reflete na trajetória de seus próprios colaboradores. O atual diretor assistencial do Hospital João XXIII, Samuel Cruz, possui um vínculo histórico com o local: aos 5 anos de idade, ele deu entrada como paciente após um acidente doméstico que comprometeu aproximadamente 70% de sua superfície corporal. Hoje, na condição de gestor, ele testemunha o aperfeiçoamento do serviço especializado, que se firmou como um dos maiores e mais qualificados polos da América Latina no restabelecimento funcional de pacientes, redução de sequelas de traumas e salvamento de vidas.

Estatísticas de atendimento do centro de referência
O balanço operacional do setor especializado detalha a magnitude do problema no estado. Ao longo do ano de 2025, o CTQ contabilizou um total de 1.829 procedimentos de socorro. A principal causa de busca por ajuda médica foi a queimadura decorrente de líquidos superaquecidos, motivando 1.054 internações naquele período. Mantendo o sinal de alerta aceso para as autoridades de saúde e segurança, o balanço parcial do ano de 2026 já aponta a marca de 822 cidadãos assistidos pela equipe do hospital devido a este tipo de trauma. Com informações da Agência Minas

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