Tecnologia no campo: Minas Gerais implementa QR Code para rastrear venda de mudas e proteger lavouras

A partir de agora, o comércio de plantas em Minas Gerais ganha uma camada extra de inteligência e segurança. O Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) estabeleceu novas regras para a venda ambulante de mudas, substituindo as antigas etiquetas de papel por um sistema digital moderno. A Portaria nº 2.430, oficializada recentemente, exige que todo material vegetal comercializado fora de lojas fixas possua etiquetas físicas invioláveis contendo um QR Code. A medida promete revolucionar a transparência para o consumidor e blindar o estado contra pragas agrícolas.

Rastreabilidade total da origem ao plantio
Com a leitura do código digital, o comprador tem acesso imediato ao histórico da planta, conseguindo identificar desde o viveiro onde ela foi produzida até o lote específico de cultivo. Essa inovação elimina a incerteza sobre a procedência da muda, garantindo que o agricultor ou o entusiasta de jardinagem não leve para casa um exemplar doente ou de baixa qualidade.

Para o fiscal agropecuário Renato Coutinho, essa digitalização é um divisor de águas. “A identificação digital torna a fiscalização mais ágil e reduz drasticamente os perigos de circulação de material vegetal irregular”, explica. Segundo ele, o sistema protege o produtor idôneo e oferece ao consumidor final a certeza de um investimento seguro.

Exigências para o comércio e documentos obrigatórios
Para atuar no mercado itinerante, não basta apenas ter a planta; é preciso estar em conformidade com a lei. A nova regulamentação exige que a pessoa jurídica responsável seja cadastrada no IMA e possua inscrição no Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem).

Além da etiqueta com QR Code, que deve exibir dados como nome do produtor, endereço e categoria da espécie, o comerciante deve portar um kit de documentos durante as vendas:
Certificado de Registro emitido pelo IMA para venda ambulante;

Nota Fiscal contendo explicitamente o termo “comércio ambulante”;

Termo de Conformidade das mudas;

Mapa de Controle atualizado das vendas realizadas;

Permissão de Trânsito de Vegetais (PTV), essencial para espécies que possam carregar pragas regulamentadas.

Barreira digital contra o temido Greening
Um dos maiores alvos desta regulamentação é o combate ao Huanglongbing (HLB), popularmente conhecido como greening. Esta é considerada a maior ameaça à citricultura no Brasil. Como a disseminação da doença ocorre frequentemente pelo transporte de plantas contaminadas, a nova norma impõe restrições severas.

A portaria proíbe a venda ambulante de mudas de citros (como laranjas e limões) e da planta ornamental murta-de-cheiro, ambas hospedeiras da praga. De acordo com Leonardo do Carmo, gerente de defesa sanitária vegetal do IMA, ao restringir a circulação dessas espécies em canais informais, o estado fortalece sua produção agrícola e protege milhares de empregos gerados pelo setor de citros em Minas Gerais. Com informações da Agência Minas

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