Durou pouco. Pressão foi grande e acordo paliativo dos médicos com diretoria encerra paralisação no HNSC

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Ninguém confirma oficialmente que a pressão foi muito grande, mas todos sabem que os envolvidos neste processo que suspendeu os atendimentos no Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), o único do município, que atende pacientes de toda microrregião, foram muito pressionados. Por isso, durou pouco mais de um dia a paralisação de atendimentos médicos

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Desde 18 de outubro os médicos anunciaram e insistiram no propósito de suspender todos os atendimentos, fossem eles de usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), particulares ou convênios, a partir do dia 18 de novembro.

Ao contrário das outras vezes em que prometeram e não cumpriram, desta, muito insatisfeitos, os médicos bateram o pé e disseram que só atenderiam pessoas com risco iminente de morte. Os atendimentos no Centro de Terapia Intensiva (CTI) também continuariam normais e recebendo pacientes, desde que houvesse leitos disponíveis.

Eles oficializaram a paralisação no fim da tarde de quinta (17). Para concretizar esta pretensão, como forma de protesto pelos 10 meses sem receber honorários e três meses o pagamento dos plantões, a Associação Médica de Pará de Minas (AMPM) enviou documentos, informando que os serviços seriam suspensos, para o Conselho Regional de Medicina (CRM), Sindicato dos Médicos de Minas Gerais, que apoiou a causa, Secretaria Municipal de Saúde, diretoria do HNSC e Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) na Comarca de Pará de Minas.

No início da tarde de sexta (18), horas depois no início do movimento, a reportagem do Portal GRNEWS acompanhou com exclusividade a movimentação a sede do Ministério Público de Minas Gerais, no Edifício Serra das Piteiras, quando o promotor de Justiça Charles Daniel França Salomão, reuniu diretores do HNSC e o prefeito Antônio Júlio de Faria. Na ocasião o promotor falou dos riscos do movimento e informou que a Promotoria cobraria responsabilidades dos médicos e demais atores envolvidos nesta eterna crise financeira do HNSC, caso alguém fosse vítima de omissão de socorro nos hospital. Após a reunião, o único que falou foi o prefeito Antônio Júlio de Faria, os diretores do HNSC preferiram se calar. O promotor já havia dito que por enquanto não se manifestará sobre esta situação caótica no único hospital de Pará de Minas

A população manifestou por meio da imprensa e das redes sociais demonstrando grande insatisfação com os médicos, direção do HNSC e com os políticos de Pará de Minas. Palavras em tom de revolta caracterizavam os manifestos relacionados à decisão dos médicos de suspender atendimentos. A pressão foi grande e o movimento dos profissionais foi encerrado em menos de um dia e meio, após os atores envolvidos firmarem um acordo.

Nos últimos dias, muitos concordaram com declarações do secretário Municipal de Saúde Cléber de Faria Silva, o qual afirmou que esta paralisação nos atendimentos já vinha acontecendo no HNSC de forma covarde e branca.

O diretor do Pronto Atendimento Municipal José Porfírio de Oliveira (P.A.) Moisés Gabriel de Abreu também disse a mesma coisa. Acrescentou que está ficando com os cabelos brancos de tantas desculpas esfarrapadas dadas pelo hospital para não receber os pacientes que estão “internados” no P.A., mesmo sem poder.

É o caso de uma senhora que está por lá há mais de 15 dias, sem conseguir uma vaga de internação no Hospital Nossa Senhora da Piedade. Mesmo elogiando a equipe do P.A., ela desabafou emocionada: “vida do pobre é muito ruim”.

A contabilista Juliana Aparecida Santos também se mostrou insatisfeita com a situação no único hospital de Pará de Minas. Ela disse que seu noivo aguarda uma cirurgia desde março e a mesma foi marcada e remarcada duas vezes em outubro, antes do início da paralisação, sem que ele ao menos ele fosse avisado dos cancelamentos. Só soube disso quando chegou à recepção do HNSC para se internar para ser submetido ao processo cirúrgico, que não aconteceu por falta de médico para fazê-lo.

Além do descaso, a quase certeza que os atendimento médicos no HNSC já estão praticamente paralisados, com ou sem anúncio ofício de suspensão dos serviços. Sem comentar este caso em específico, o médico Evandro Ferreira Campos disse, sem gravar entrevista, que as cirurgias não estão sendo realizadas há muito tempo pelos médicos, mas a secretaria do hospital insiste em marcá-las, mesmo sabendo que os profissionais não estarão no centro cirúrgico para realizá-las.

No primeiro dia de paralisação dos atendimentos a reportagem do Portal GRNEWS acompanhou a movimentação foi tranquila no HNSC e também do Pronto Atendimento Municipal, onde o número de atendimento foi normal, conforme afirmou o diretor Moisés Gabriel de Abreu. Ficou a impressão que tudo estava como antes, e a oficialização da paralisação dos médicos parece não ter mudado a rotina, em relação aos dias anteriores. Inclusive, as cirurgias já não estavam sendo realizadas há tempos.

Mas a paralisação oficial durou pouco. Foram aproximadamente 34 horas, entre o início da paralisação, que ocorreu a partir das 7 horas da manhã de sexta (18) e a confirmação oficial do fim da mesma, por volta das 17 horas deste sábado (19). Neste horário, o diretor Clínico do Hospital Nossa Senhora da Conceição, Evandro Ferreira Campos, afirmou que a paralisação dos atendimentos médicos estava encerrada.

Na oportunidade ele justificou porque durou tão pouco tempo a paralisação oficial dos atendimentos no Hospital Nossa Senhora da Conceição. Argumenta que a diretoria do HNSC renegociou a dívida com uma instituição bancária e na tarde de sexta (18) fez uma proposta aos médicos para pagar os honorários e plantões atrasados:

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Evandro Ferreira Campos
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O médico falou que surgiu um impasse se seria pago primeiramente os honorários ou plantões. A diretoria do HNSC queria quitar os honorários retidos por se tratar de apropriação indébita, que é crime previsto em lei previsto no artigo 168 do Código Penal Brasileiro (CPB), que consiste em apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a posse ou a detenção. A pena prevista é de reclusão, de um a quatro anos, e multa.

Mas por outro lado, o hospital não funciona sem o trabalho dos plantonistas que estão sem receber há dois meses e meio. Assim os plantões receberão primeiro e o dinheiro retido será pago em 2017 em 10 parcelas mensais, sendo que os médicos abriram mão de 20% do total a que teriam direito:

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Evandro Ferreira Campos entende que está de bom tamanho para o momento este acordo paliativo firmado com a diretoria do HNSC. Acrescenta que esta questão está desgastando demais os médicos. Entretanto ele não sabe como ficará situação em 2017 e acredita que se não tiver ajuda, o HNSC fechará as portas:

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Sobre a hipótese de o hospital não cumprir o acordo e pagar as parcelas referentes aos honorários atrasados, Evandro Ferreira Campos diz que a saída será sentar a conversar novamente e outra paralisação só acontecerá em último caso:

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Ele também quer acreditar na possibilidade de o município ajudar financeiramente o HNSC a partir de 2017, quando terá início uma nova administração municipal comandada pelo prefeito eleito Elias Diniz, que já está ciente das dificuldades financeiras da entidade:

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Durante todo o processo que culminou com a paralisação relâmpago no Hospital Nossa Senhora da Conceição, o presidente da Associação Médica de Pará de Minas (AMPM), Éverton Marinho Paiva, foi procurado, mas sempre se negou a falar sobre as dificuldades da categoria e da até então a possibilidade de paralisação dos serviços.

Neste sábado (19), após o médico Evandro Ferreira Campos informar que a situação estava resolvida, Éverton Marinho Paiva decidiu se manifestar publicamente. Ele argumentou que o HNSC está no fundo do poço e passa por uma situação extremamente grave. Lembrou que a unidade de saúde tem potencial e já recebeu no passado o título nacional de Hospital Amigo da Criança.

Citou que o acordo fechado com a diretoria do HNSC ficou longe daquilo que atenderia aos médicos, que abriram mão de 20% do montante que receberão, e ainda serão pagos em 10 parcelas no ano que vem, mas a decisão foi tomada para encerrar a paralisação em pouco tempo.

Ele acredita que este período relâmpago da paralisação foi um alerta para a sociedade paraminense e para os políticos. Diz ainda que, sem ajuda, o hospital vai fechar as portas se continuar com o débito mensal aproximado de R$ 270 mil e uma dívida estimada em R$ 12 milhões, que certamente aumentará nos próximos anos.

Questionado se as prefeituras da região também deveriam ser mais cobradas e ajudar o hospital, ele não respondeu nem que sim, nem que não. Ressaltou apenas que elas também enfrentam problemas financeiros e torce para que a próxima administração em Pará de Minas ajude mais o único hospital da cidade, de onde ninguém está tirando lucro:

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Éverton Marinho Paiva
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Importante ressaltar relatos de pessoas que estão ficando até mais de 20 dias “internadas” no Pronto Atendimento Municipal, mesmo que isso não possa ocorrer naquela unidade de saúde.

O P.A. é a porta de entrada para pacientes do SUS em Pará de Minas, porém, após avaliação médica e sendo constatada necessidade, o paciente precisa ser transferido imediatamente para o Hospital Nossa Senhora da Conceição ou outro.

A pessoa pode ficar em observação até que a vaga seja anunciada, mas como o HNSC não quer receber pacientes do P.A., conforme vem afirmando há algum tempo diversos vereadores e Secretaria Municipal de Saúde, as pessoas acabam ficando “internadas” por lá, mesmo sem poder.

A situação é tão crítica com a superlotação naquela unidade de saúde do bairro Senador Valadares, que desde o mês de junho de 2016, a direção do P.A. foi obrigada a contratar mais uma médica apenas para cuidar desses pacientes que estão “internados”.

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