Epidemia silenciosa: esteatose hepática afeta 38% da população mundial e aumenta risco de morte
A esteatose hepática, conhecida popularmente como “fígado gorduroso”, se consolidou como uma das doenças hepáticas mais comuns e de crescimento mais rápido no planeta. Um levantamento publicado na revista Hepatology aponta que a prevalência global da forma não alcoólica da condição saltou de 25,26% para cerca de 38% nas últimas décadas, refletindo o cenário de uma epidemia silenciosa impulsionada por hábitos de vida modernos.
Sedentarismo e dieta impulsionam o risco
A endocrinologista Natalia Cinquini, consultora médica do Sabin Diagnóstico e Saúde, explica que a crença de que apenas o consumo excessivo de álcool causa gordura no fígado é um mito perigoso.
“O estilo de vida sedentário e a má alimentação são causas cada vez mais comuns e podem acometer pessoas de qualquer idade”, afirma Cinquini.
Quando a gordura presente no fígado ultrapassa 5% de sua composição, o risco de complicações aumenta significativamente. Sem o devido controle, a esteatose pode evoluir para inflamação (esteato-hepatite), fibrose, cirrose e, em cenários mais extremos, até mesmo câncer hepático.
O impacto sistêmico da doença
O dano da esteatose hepática vai muito além do fígado, afetando o organismo como um todo. Estudos do Instituto Karolinska, publicados no The Journal of Hepatology, indicam que indivíduos com a condição têm uma mortalidade quase 1,85 vezes maior do que a população sem o quadro. Isso representa quase o dobro de risco de morte por causas diversas, incluindo doenças cardiovasculares e cânceres não hepáticos.
Apesar de seu impacto sistêmico e crescente prevalência, a esteatose continua sendo pouco compreendida: uma pesquisa Datafolha revelou que 62% dos brasileiros se preocupam com a doença, mas apenas 7% receberam um diagnóstico médico, e 60% não sabem qual exame a detecta.
Diagnóstico precoce é a chave para a reversão
O maior desafio no manejo da esteatose é que ela é frequentemente silenciosa em seus estágios iniciais. Quando os sintomas se manifestam, geralmente incluem cansaço persistente, fraqueza, inchaço, perda de apetite e aumento do volume abdominal.
O diagnóstico é estabelecido através da combinação de histórico clínico, exames laboratoriais (que podem indicar alterações nas enzimas hepáticas) e exames de imagem, como a ultrassonografia abdominal. Em casos complexos, podem ser solicitadas elastografia ou biópsia para determinar o grau de comprometimento do órgão.
“Essas ferramentas permitem identificar precocemente a doença, mesmo quando não há sintomas, aumentando as chances de controlar ou reverter o quadro antes que surjam complicações graves”, reforça a médica.
Tratamento e prevenção
Atualmente, não existe um medicamento específico aprovado para tratar a esteatose hepática. O manejo mais eficaz e recomendado é a mudança imediata de hábitos de vida:
Controle de peso e adoção de uma dieta equilibrada (rica em vegetais e fibras).
Redução de ultraprocessados e consumo de álcool.
Atividade física regular.
Tratamento adequado de comorbidades, como hipertensão e diabetes.
O diagnóstico precoce é crucial. A especialista sugere que pessoas com fatores de risco metabólicos incluam avaliações hepáticas preventivas em sua rotina. “Quanto antes o problema for identificado, maiores as chances de evitar danos irreversíveis”, conclui Cinquini. Com informações da Assessoria de Comunicação da endocrinologista Natalia Cinquini

