GRNEWS TV: Ela cresceu frequentando uma funerária e revela a maior lição que a morte pode ensinar
Durante participação no videocast Papo com Geraldo Rodrigues, apresentado de segunda a sexta-feira, a partir das 13 horas, pelo canal GRNEWS no YouTube, Janaína Medina, graduada em Psicologia, tanatóloga, autora, palestrante e CEO da Cuidar Assistência, falou sobre como compreender, respeitar e ressignificar a dor do luto.
Quem aprende sobre a morte descobre um novo jeito de viver
Falar sobre a morte continua sendo um dos maiores tabus da sociedade. No entanto, para Janaína, que cresceu dentro de uma funerária acompanhando de perto o trabalho do pai, compreender a finitude da vida foi justamente o que a ensinou a valorizar cada momento. Segundo ela, quanto mais se conversa sobre a morte, maior é a consciência da importância de viver plenamente.
Ainda criança, Janaína brincava entre as urnas enquanto observava o pai acolher famílias enlutadas. O primeiro contato pessoal com a perda aconteceu na morte de um tio, experiência que marcou sua trajetória. Aos 12 anos, começou a trabalhar ao lado do pai e descobriu que sua principal missão não era lidar apenas com os procedimentos funerários, mas principalmente oferecer escuta, empatia e conforto às pessoas em um dos momentos mais difíceis de suas vidas.
Humanização no atendimento faz diferença no momento da despedida
Ela relembra que o pai sempre ensinou que o mais importante era cuidar das pessoas antes de qualquer outra preocupação. A prioridade era acolher a família, resolver toda a burocracia necessária e garantir uma despedida digna, deixando as questões financeiras para depois. Essa postura humanizada se tornou um dos pilares do trabalho desenvolvido atualmente pela equipe da Cuidar.
Para Janaína, a morte é a única certeza da vida, mas evitá-la como assunto torna o processo do luto ainda mais doloroso. Segundo ela, quando não aprendemos a falar sobre perdas, também não desenvolvemos recursos emocionais para enfrentá-las quando inevitavelmente acontecem.
Conversar sobre perdas ajuda adultos e crianças a enfrentarem o luto
Na avaliação dela, a sociedade costuma evitar temas que provocam desconforto, principalmente aqueles que envolvem mudanças irreversíveis. Por isso, iniciativas educativas têm ganhado espaço. Entre elas está o projeto social desenvolvido por sua tia, Margarida, que já distribuiu mais de 18 mil livros infantis abordando a morte de forma sensível e acessível.
Janaína afirma que muitos pais relatam conseguir conversar pela primeira vez sobre perdas com os filhos após utilizarem esse material. Ela observa ainda que, muitas vezes, as crianças elaboram o luto com mais naturalidade do que os adultos, justamente porque carregam menos apego às pessoas e aos bens materiais.
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