Projeto impulsiona o cultivo e arroz em terras altas e transforma a realidade no Norte de MG e Jequitinhonha

Minas Gerais está resgatando a tradição do cultivo de arroz com uma nova roupagem tecnológica e sustentável. Por meio do projeto “SemeArroz”, a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) lidera uma iniciativa para expandir o plantio do cereal em áreas de sequeiro — conhecidas como terras altas. A estratégia diversifica a produção mineira, historicamente concentrada em várzeas alagadas, e foca especialmente em regiões de clima mais seco, como o Norte do estado e o Vale do Jequitinhonha.

Fortalecimento da agricultura familiar e merenda escolar
Aprovado pela Fapemig, o projeto vai além da produtividade: ele é um pilar de segurança alimentar. O objetivo principal é capacitar pequenos produtores para que alcancem a autossuficiência e consigam fornecer o grão para a merenda das escolas públicas, por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

Somente em 2025, o Norte de Minas e o Jequitinhonha concentraram quase 200 das mais de 300 Unidades Demonstrativas instaladas em todo o território mineiro. Nestes locais, pesquisadores da Epamig, em parceria com a Emater-MG e a Ufla, entregam sementes de alta qualidade, adubos e realizam cursos práticos sobre técnicas de manejo.

Cultura rústica com baixo impacto ambiental
O arroz de terras altas destaca-se pela sua resiliência. Segundo a coordenação do projeto, o cereal demanda pouca adubação e se adapta facilmente tanto a solos secos quanto a áreas sujeitas a alagamentos temporários. Além de gerar renda extra, o cultivo beneficia o ecossistema local: a palhada que sobra após a colheita serve como cobertura protetora para o solo, facilitando o plantio de outras culturas na sequência. Um diferencial criativo do SemeArroz é o incentivo à criação de hortas circulares após a retirada do grão, maximizando o uso da terra.

Realização de sonhos no Vale do Jequitinhonha
Em municípios como Veredinha, o projeto tem mudado vidas. É o caso dos agricultores Terezinha e José Maria Rocha que, em uma propriedade de menos de um hectare, já produziam milho, feijão e frutas para subsistência. Com a chegada da Unidade Demonstrativa de arroz, Terezinha celebra a realização de um desejo antigo. Em espaços pequenos, entre 500 e 1.000 metros quadrados, é possível colher até 300 quilos do cereal, garantindo que famílias rurais não precisem mais comprar o item básico no mercado.

Minas Gerais sobe no ranking nacional de produção
O esforço conjunto entre pesquisa e extensão rural já apresenta resultados estatísticos expressivos. Em apenas dois anos, Minas Gerais saltou da 18ª para a 11ª posição entre os maiores produtores de arroz do Brasil. Dados da Secretaria de Agricultura (Seapa) confirmam que a safra de 2024 atingiu 88,7 mil toneladas, provando que o potencial das regiões semiáridas para o arroz de sequeiro é uma realidade econômica viável.

Apoio técnico e certificação para agregar valor
Para garantir que o produto chegue ao mercado com diferencial competitivo, o Governo de Minas atua de forma integrada. Enquanto Epamig e Emater cuidam da tecnologia e do campo, o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) orienta os produtores sobre certificações estratégicas. Através do programa Certifica Minas, os rizicultores podem obter selos de “Produto Orgânico” ou “S.A.T.” (Sem Agrotóxico), agregando valor comercial e assegurando práticas sustentáveis que melhoram a qualidade de vida no campo. Com informações da Agência Minas

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