Vacina contra herpes-zóster não será incorporada ao SUS
O Ministério da Saúde oficializou a decisão de não incluir o imunizante contra o herpes-zóster no Calendário Nacional de Vacinação do Sistema Único de Saúde (SUS). A determinação, formalizada por meio de portaria no Diário Oficial da União, baseou-se em uma análise técnica que considerou o alto custo financeiro da tecnologia em comparação com o impacto epidemiológico da enfermidade no Brasil.
A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) avaliou a vacina recombinante adjuvada, que seria destinada a idosos com 80 anos ou mais e adultos imunossuprimidos. Embora o comitê tenha admitido a relevância do fármaco para a prevenção da doença, o relatório final apontou que o investimento necessário não seria sustentável para os cofres públicos no momento atual.
O entrave financeiro e os números da imunização
Os cálculos apresentados pela Conitec revelam que a proteção da população-alvo exigiria um aporte financeiro massivo. A estimativa indicava que a vacinação de 1,5 milhão de pessoas anualmente geraria uma despesa de R$ 1,2 bilhão a cada 12 meses. Ao final de um ciclo de cinco anos, o gasto total acumulado chegaria a R$ 5,2 bilhões.
Diante desses valores, o órgão considerou que a vacina não apresenta uma relação de custo-efetividade favorável para a incorporação imediata. Contudo, a pasta deixou aberta a possibilidade de uma nova análise no futuro, caso surjam evidências inéditas ou propostas comerciais que reduzam o impacto orçamentário.
Perigos da reativação do vírus e quadro clínico
O herpes-zóster é provocado pelo vírus varicela-zóster, o mesmo agente causador da catapora. Após a infecção inicial, o vírus permanece latente no corpo e pode ser reativado, especialmente em idosos ou indivíduos com sistema imunológico fragilizado. A condição é marcada por sintomas iniciais como coceira, febre baixa, fadiga e sensibilidade cutânea, evoluindo para bolhas dolorosas que surgem em apenas um lado do corpo.
Dados oficiais mostram que, entre 2008 e 2024, o Brasil registrou mais de 85 mil atendimentos ambulatoriais e cerca de 30 mil internações relacionadas à doença. No que diz respeito à letalidade, entre 2007 e 2023, foram contabilizados 1.567 óbitos, sendo que 90% das vítimas tinham mais de 50 anos, evidenciando a vulnerabilidade da terceira idade.
Assistência disponível na rede pública
Apesar da negativa para o imunizante, o SUS mantém o tratamento para os pacientes afetados. Em situações leves, o foco é o alívio de dores e sintomas. Para quadros de maior risco, como em pacientes oncológicos ou idosos, é disponibilizado o antiviral aciclovir. A Conitec ressalta que, embora a doença geralmente apresente cura espontânea, o acompanhamento é vital para evitar complicações graves que podem atingir a visão, a audição e o sistema nervoso central. Com informações da Agência Brasil


