Alerta médico para o uso de canetas emagrecedoras por pessoas idosas

A popularização das chamadas “canetas emagrecedoras” trouxe esperança para muitos pacientes, mas o uso desses medicamentos por idosos exige cautela redobrada. O alerta parte de especialistas da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), que ressaltam como o emagrecimento acelerado pode comprometer a autonomia e a saúde física de quem já passou dos 60 anos. De acordo com Leonardo Oliva, presidente da SBGG, a falta de orientação médica pode transformar uma inovação terapêutica em um risco grave para a integridade funcional do idoso.

Riscos imediatos e declínio muscular
O organismo idoso reage de forma mais sensível aos efeitos colaterais comuns dessas substâncias, como náuseas e vômitos persistentes. Essas reações podem evoluir rapidamente para quadros de desidratação e desequilíbrios eletrolíticos, considerados perigosos nessa faixa etária. Contudo, a preocupação mais profunda dos geriatras reside na composição da perda de peso: cerca de um terço do que se perde com essas medicações não é gordura, mas sim massa muscular.

Para os idosos, a redução da massa magra impacta diretamente na capacidade de realizar tarefas cotidianas, podendo levar a um declínio funcional irreversível. Ivan Aprahamian, diretor científico da SBGG, reforça que a combinação de baixo apetite com perda ponderal brusca pode precipitar a sarcopenia — a perda de força e musculatura — e a fragilidade física generalizada.

Saúde versus estética
Os especialistas enfatizam que essas medicações foram desenvolvidas para tratar condições crônicas graves, como obesidade, diabetes tipo 2 e apneia do sono. O uso para fins puramente estéticos, como eliminar poucos quilos ou gorduras localizadas, não possui indicação clínica e pode ser prejudicial.

O processo natural de envelhecimento envolve uma tendência genética ao acúmulo de gordura e à substituição do músculo por tecido adiposo. Por isso, a luta contra a balança deve focar na promoção da saúde e não apenas na estética. O foco deve estar em uma alimentação equilibrada, rica em nutrientes essenciais, e no suporte emocional, já que a restrição calórica severa impõe desafios psicológicos significativos.

A importância do acompanhamento multidisciplinar
Para que o tratamento da obesidade em idosos seja seguro e eficaz, é indispensável o suporte de uma equipe multidisciplinar. Isso inclui médicos, nutricionistas e profissionais de educação física ou fisioterapeutas. A prática regular de musculação é apontada como essencial para minimizar a perda muscular durante o emagrecimento.

A orientação é clara: quanto mais rápido se perde peso, maior o risco de perder músculo. Portanto, o monitoramento constante permite ajustar a ingestão de minerais e vitaminas, garantindo que o corpo mantenha sua funcionalidade enquanto a gordura é reduzida de forma gradual.

Perigos do mercado paralelo e automedicação
Outro ponto de atenção é a procedência do medicamento. A SBGG alerta para o crescimento de falsificações no mercado paralelo, que oferecem riscos de contaminação por bactérias ou fungos, além da incerteza sobre a substância real injetada.

A exigência de receita médica não é apenas uma burocracia, mas a garantia de que o paciente passou por uma triagem profissional. O uso dessas canetas sem avaliação criteriosa impede que possíveis efeitos deletérios sejam identificados precocemente, colocando a vida do idoso em risco desnecessário. Com informações da Agência Brasil

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