A dor que não se vê, mas precisa ser ouvida: O “grito” das mulheres com fibromialgia na Câmara Municipal de Pará de Minas

Uma cena impactante marcou a última reunião na Câmara Municipal de Pará de Minas: calçados vazios foram dispostos sobre as cadeiras do plenário. O gesto simbólico, organizado pelo movimento Mulheres de Fibro, representava cada integrante que, devido às dores incapacitantes da fibromialgia, não conseguiu comparecer à sessão. A psicóloga Jaqueline de Cássia Souza Moreira e a idealizadora do grupo, Sônia Cruz, ocuparam a tribuna para cobrar que o município tire as leis do papel e transforme a “invisibilidade” em políticas públicas reais.


O peso do silêncio e o preconceito familiar
A fibromialgia é uma condição que afeta o sistema nervoso central, causando dores crônicas em todo o corpo. No entanto, por não apresentar marcas externas, as pacientes frequentemente enfrentam o descrédito de médicos e familiares. A psicóloga Jaqueline Moreira destacou que a falta de informação é o maior combustível para o preconceito.

“A fibromialgia não é frescura e nem é da mente ou da imaginação. É algo muito mais forte, dentro do sistema nervoso central. Muitas mulheres são assediadas dentro de seus contextos familiares e são invisíveis; guardam suas dores porque quem está junto acha que é mania de doença ou preguiça.”:

Jaqueline Moreira
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Jaqueline enfatizou que a educação é o primeiro passo para validar o sofrimento dessas mulheres. “Se nós imaginamos que muitos médicos não sabem lidar com a fibromialgia, imagina um vereador que não é da área da saúde? É a desinformação que os impede de questionar”, alertou:

Jaqueline Moreira
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O movimento Mulheres de Fibro e a luta por acolhimento
Idealizadora do movimento em Pará de Minas, Sônia Cruz explicou que o grupo nasceu da necessidade de apoio mútuo, já que o diagnóstico muitas vezes isola a mulher da vida social e profissional. Ela reforçou que o movimento busca ser um porto seguro para quem ainda se sente perdida após o diagnóstico.

“Nossa dor é oculta. O papel da imprensa e do poder público é crucial para que o acolhimento chegue até aquelas que ainda não sabem que existe o movimento. Precisamos de equipes técnicas e médicos que falem sobre a doença para validar o que o familiar do fibromiálgico vê: quando ela precisa deitar e descansar, isso deve ser reconhecido como doença, não como preguiça.”:

Sônia Cruz
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Sônia compartilhou que a luta já ultrapassou as fronteiras da cidade, com o movimento buscando diálogos na Assembleia Legislativa em Belo Horizonte e até em Brasília, discutindo temas como isenção de impostos e o desgaste emocional de “provar o tempo todo que a doença existe”:

Sônia Cruz
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O que falta para a lei funcionar na prática?
Embora Pará de Minas já possua legislação aprovada e regulamentada sobre o tema, as representantes do movimento afirmam que a execução das medidas ainda é tímida. Jaqueline cobrou que o dia 12 de maio (Dia de Conscientização da Fibromialgia) seja utilizado para campanhas massivas de divulgação.

“Reconhecemos que muito já avançou e portas se abriram, mas muita coisa de importância ainda está no papel, como a divulgação. Se a fibromialgia já estivesse sendo considerada como algo a ser visto e comunicado, hoje teríamos um movimento evidenciando essa importância.”

O apelo final das entrevistadas foi por um compromisso real do poder público em oferecer não apenas leis, mas suporte médico especializado e, acima de tudo, o reconhecimento da dignidade de quem convive com dores constantes.

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