Carnaval 2026 aposta em biografias e resgate histórico na Marquês de Sapucaí

O espetáculo do Grupo Especial do Rio de Janeiro em 2026 promete ser uma verdadeira aula de história e cultura popular. Com um forte viés biográfico, oito das 12 agremiações levarão para a Avenida trajetórias de ícones da política, da música e das artes plásticas. A safra de enredos deste ano foca em personalidades que romperam barreiras estéticas e sociais, utilizando o samba como ferramenta pedagógica para dar visibilidade a figuras que, muitas vezes, foram deixadas à margem da historiografia oficial.

Gigantes da cultura e da política sob os refletores
Entre as homenagens que prometem emocionar o público, destacam-se figuras multifacetadas como Heitor dos Prazeres, que será o fio condutor da Vila Isabel, e a irreverente “padroeira da liberdade”, Rita Lee, tema da Mocidade Independente. O cenário político também ganha espaço central com a Acadêmicos de Niterói, que contará a história de vida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A literatura e a música brasileira completam o panteão biográfico com Carolina Maria de Jesus na Unidos da Tijuca e o camaleônico Ney Matogrosso na Imperatriz Leopoldinense.

Fé, resistência e raízes africanas
A valorização da ancestralidade negra e das religiões de matriz africana continua sendo um pilar fundamental dos desfiles. A Portela contará a saga do Príncipe Custódio do Bará, enquanto a Mangueira trará o encanto amazônico do Mestre Sacaca. O intercâmbio religioso entre Brasil e Cuba será explorado pelo Tuiuti com a Santeria, e a Beija-Flor levará o público ao Recôncavo Baiano com o “Bembé do Mercado”. Além disso, a Grande Rio celebrará a contracultura nordestina através do movimento Manguebeat.

Lista completa dos enredos por dia de desfile
Seguindo o formato estreado em 2025, as apresentações agora são divididas em três noites. Confira os temas que cada escola levará para a pista:
Domingo (15/2)
Acadêmicos de Niterói: Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil.

Imperatriz Leopoldinense: Camaleônico (Homenagem a Ney Matogrosso).

Portela: O Mistério do Príncipe do Bará.

Estação Primeira de Mangueira: Mestre Sacacá do Encanto Tucuju – o Guardião da Amazônia Negra.

Segunda-feira (16/2)
Mocidade Independente de Padre Miguel: Rita Lee, a Padroeira da Liberdade.

Beija‑Flor de Nilópolis: Bembé do Mercado.

Acadêmicos do Viradouro: Pra Cima, Ciça (Homenagem ao Mestre de Bateria).

Unidos da Tijuca: Carolina Maria de Jesus.

Terça-feira (17/2)
Paraíso do Tuiuti: Lonã Ifá Lukumi.

Unidos de Vila Isabel: Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África (Homenagem a Heitor dos Prazeres).

Acadêmicos do Grande Rio: A Nação do Mangue.

Acadêmicos do Salgueiro: A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau (Homenagem a Rosa Magalhães).

Ensaios técnicos e o papel educador do samba
Para os ansiosos, a preparação começa antes. Entre o final de janeiro e o início de fevereiro, a Sapucaí abre suas portas para os ensaios técnicos gratuitos. Segundo especialistas como o sociólogo Rodrigo Reduzino e a historiadora Nathalia Sarro, esses desfiles vão além do entretenimento: eles geram identidade e mobilizam sentimentos. Ao recontar fatos e valorizar trajetórias disruptivas, as escolas de samba reafirmam seu papel de “escolas” no sentido literal, educando a sociedade através da emoção e da arte. Com informações da Agência Brasil

PUBLICIDADE
[wp_bannerize_pro id="valenoticias"]
Don`t copy text!