Asfixia financeira no Rio: Ministério Público bloqueia quase R$ 1 bilhão do crime organizado em 2025

O combate à criminalidade no Rio de Janeiro atingiu um patamar histórico de eficiência financeira no ano passado. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio de seu Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), encerrou 2025 com a marca impressionante de R$ 906,2 milhões em recursos bloqueados judicialmente. A estratégia, focada em “asfixiar” o poder econômico de milícias, facções e redes de corrupção, visa desestruturar as organizações retirando delas o combustível para expansão e manutenção de atividades ilícitas.

Para alcançar esse resultado, o Gaeco modernizou suas frentes de investigação, fortalecendo a cooperação com a Polícia Civil e intensificando o uso do confisco alargado de bens. Segundo a promotora Letícia Emile Alqueres Petriz, coordenadora do grupo, minar o núcleo financeiro é a forma mais eficaz de enfraquecer a sustentação desses grupos, impedindo que o dinheiro sujo retorne à economia formal.

Ofensiva contra a cúpula do crime e agentes públicos
O balanço de 2025 revela uma atuação contundente no campo jurídico e operacional: foram 70 denúncias apresentadas contra um total de 767 indivíduos. Um dado que chama a atenção é o envolvimento de 120 agentes públicos nas investigações, evidenciando o combate à infiltração do crime no Estado. As operações resultaram em prisões e buscas que atingiram desde o novo “Escritório do Crime” até a alta cúpula do jogo do bicho, incluindo nomes conhecidos como Rogério de Andrade e Vinicius Drumond.

A atuação não se limitou ao crime de rua. O MP denunciou esquemas complexos que envolviam servidores do Degase, engenheiros do Inea e até bombeiros militares, em crimes que variam de corrupção e peculato a fraudes em licitações e emissão irregular de licenças ambientais.

Combate ao furto de petróleo e crimes interestaduais
As fronteiras estaduais não impediram o avanço das investigações. O Gaeco atuou contra organizações especializadas no furto de petróleo bruto diretamente de dutos da Transpetro, com operações realizadas tanto no Rio de Janeiro quanto em Minas Gerais. Além disso, parcerias com outros Ministérios Públicos, como o de São Paulo na Operação Carbono Oculto, desmantelaram esquemas bilionários de adulteração de combustíveis, demonstrando a capilaridade das investigações patrimoniais transnacionais e nacionais.

Manutenção de líderes em isolamento federal
A eficácia do Gaeco também foi sentida na manutenção da ordem pública por meio de medidas cautelares. O grupo obteve vitórias judiciais importantes para manter líderes criminosos de alta periculosidade em presídios de segurança máxima. Entre eles, o contraventor Rogério de Andrade permanece em Campo Grande (MS) e o miliciano Luís Antônio da Silva Braga, o “Zinho”, segue custodiado em Brasília (DF). O Judiciário também confirmou o julgamento de Bernardo Bello pelo homicídio de Alcebíades Paes Garcia, o “Bid”, mantendo a pressão sobre as disputas territoriais da contravenção.

CyberGaeco: o novo front tecnológico
Atento à evolução do crime para o mundo virtual, o MPRJ lançou o CyberGaeco em 2025. A iniciativa foca na especialização das investigações em ambientes digitais, onde o uso de criptomoedas e tecnologias avançadas para lavagem de dinheiro tem crescido. A criação desta unidade estratégica marca uma transição para uma era de inteligência cibernética, essencial para rastrear ativos que tentam escapar dos métodos tradicionais de fiscalização financeira. Com informações da Agência Brasil

Portal GRNEWS © Todos os direitos reservados.

PUBLICIDADE
[wp_bannerize_pro id="valenoticias"]
Don`t copy text!