Abril Marrom quer conscientizar sobre doenças na visão e paraminense cego dá aula de tear chileno

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que existem 39 milhões de pessoas cegas no mundo. Outras 246 milhões têm a chamada baixa visão que é quando apresentam 30% ou menos de visão.

Só no Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) são 528 mil pessoas incapazes de enxergar e seis milhões possuem a baixa visão.

A OMS aponta também que se houvesse um número maior de ações efetivas de prevenção e tratamento, 80% dos casos de cegueira poderiam ser evitados.

E é aí que entra o Abril Marrom. O mês é dedicado a cuidados com doenças que podem causar cegueira como glaucoma e diabetes. Criada em 2016 a campanha tem o objetivo de conscientizar a população.

Mas após um quadro de baixa visão ou até mesmo a cegueira, o jeito é conviver com a deficiência visual e encontrar formas de ter uma vida considerada normal.


E foi isso que Antônio José de Oliveira Neto fez. Muito conhecido dos paraminenses, há nove anos ele trabalha na Escola Municipal de Artes e Ofícios Raimundo Nogueira de Faria (Sica). Por lá passa os dias no tear chileno. As mãos ágeis ajudam a criar tecidos e do talento dele saem forros, tapetes e outros objetos para decoração. Também ensina o ofício a outras pessoas.

Mas nem tudo foi fácil na vida de Antônio. Até os dez anos ele enxergou normalmente e foi na pré-adolescência que se tornou um deficiente visual. Dos 11 aos 26 anos tinha baixa visão e em 1998, quando fez 27 anos, passou a não enxergar mais nada.

Ele teve uveíte, uma doença inflamatória. Nem especialistas conhecem as verdadeiras causas e pode ser por infecção por vírus, bactérias ou fungos. Mas nem isso o abalou. Segundo Antônio Neto o único problema foi não poder mais jogar futebol, paixão antiga da vida dele:

Antônio José de Oliveira Neto

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Antônio Neto leva uma vida normal. Trabalha em horário comercial dando aulas de tear chileno, faz compras e anda pra todo lado de ônibus urbano.

Mas alerta que a estrutura da cidade ainda não está pronta para as pessoas com alguma deficiência visual. São muitas as dificuldades que eles enfrentam no dia a dia:

Antônio José de Oliveira Neto

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Muita gente se surpreende quando ouve falar que um cego trabalha com tear chileno. Como uma pessoa que não vê consegue transformar vários fios coloridos em algo realmente bonito e que pode decorar vários ambientes?

Isso sim é o verdadeiro talento e Antônio só precisa de uma ajudinha no começo. Ele pede alguém da Escola para separar as cores, decora em qual lugar está cada rolo de cordão e então faz seu trabalho sozinho:


Antônio José de Oliveira Neto

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E para andar pelas ruas de Pará de Minas? Antônio Neto é daquelas pessoas que não para quieta e quer andar pra todo lado. Para isso ele tem alguns truques:

Antônio José de Oliveira Neto

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Ele também anda de ônibus por toda a cidade. Já decorou praticamente todos os trajetos de Pará de Minas. Simpático e brincalhão, Antônio conta que os detalhes ajudam a saber onde está:

Antônio José de Oliveira Neto

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O Abril Marrom quer conscientizar a população para cuidar dos olhos. O alerta é especialmente para combater a cegueira que pode ser reversível ou irreversível.

A catarata, ceratocone e o deslocamento da retina são causas de cegueira reversíveis. Já o glaucoma, degeneração macular avançada e a retinopatia diabética são causas irreversíveis.

Por isso é importante ir ao oftalmologistapelo menos uma vez ao ano para o diagnóstico precoce e o tratamento adequado.

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