Linha do tempo da ameaça democrática: dos bloqueios aos atos golpistas

O Brasil relembra nesta quinta-feira (8), os três anos de um dos episódios mais críticos de sua história republicana: a invasão e o vandalismo contra as sedes do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal (STF). O ataque de 8 de janeiro de 2023 não foi um evento isolado, mas o ápice de uma engrenagem golpista que começou a girar muito antes daquela tarde de domingo em Brasília.

Gênese da ruptura e o discurso de deslegitimação
Investigações da Procuradoria-Geral da República (PGR) indicam que a estrutura para o questionamento democrático foi montada ainda em 2021. O plano consistia em preparar o terreno para descumprir ordens judiciais e desacreditar o sistema eleitoral brasileiro caso o resultado das urnas não favorecesse o grupo então no poder. Com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva em outubro de 2022, essa estratégia saiu do campo retórico e se transformou em ações diretas nas ruas.

Caos nas estradas e o silêncio do Planalto
Imediatamente após a confirmação do resultado eleitoral, o país enfrentou uma onda de mais de mil bloqueios em rodovias federais promovidos por grupos que não aceitavam a derrota de Jair Bolsonaro. A demora do ex-presidente em se manifestar e seu discurso ambíguo, dois dias depois, serviram como combustível para que manifestantes mantivessem as interdições. Embora o movimento tenha perdido força na primeira semana de novembro, ele serviu de ensaio para a etapa seguinte da trama.

Acampamentos como centros de conspiração
Com o fim dos bloqueios nas estradas, o foco do movimento golpista mudou para as frentes dos quartéis das Forças Armadas. Mais de cem acampamentos foram estabelecidos pelo país, sendo o principal deles o do Quartel-General do Exército em Brasília. Diferente das estradas, esses locais contaram com infraestrutura complexa e, segundo o STF, o aval direto da gestão anterior. Esses espaços se tornaram núcleos de organização logística e ideológica para quem pedia uma intervenção militar.

Escalada da violência e atentados em Brasília
Dezembro de 2022 foi marcado por uma transição perigosa para a violência política explícita. No dia 12, data da diplomação de Lula, manifestantes incendiaram ônibus e tentaram invadir a sede da Polícia Federal na capital. Pouco depois, na véspera de Natal, as forças de segurança interceptaram uma tentativa de atentado a bomba nas proximidades do Aeroporto Internacional de Brasília. Os envolvidos, ligados aos acampamentos golpistas, buscavam gerar um estado de caos que justificasse a decretação de uma operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

8 de janeiro e o compromisso com a memória
A tranquilidade da posse presidencial em 1º de janeiro de 2023 foi apenas aparente. Uma semana depois, o mundo assistiu à marcha que resultou na depredação da Praça dos Três Poderes. Hoje, três anos depois, o governo federal e o Judiciário reforçam a campanha “Democracia Inabalada”, com atos solenes que buscam garantir que o país não esqueça os riscos enfrentados pela ordem institucional e reafirme seu compromisso com os valores democráticos. Com informações da Agência Brasil

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