GRNEWS TV: Cobrança de resultados continua permitida, mas nova NR-1 exige ação contínua nas empresas contra riscos à saúde mental
Durante participação no videocast Papo com Geraldo Rodrigues, apresentado de segunda a sexta-feira, a partir das 13 horas, pelo canal GRNEWS no YouTube, a psicóloga Marina Saraiva fez uma abordagem sobre a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) tem gerado dúvidas entre empresários e gestores sobre os limites da cobrança no ambiente de trabalho. Especialistas esclarecem que a legislação não impede a exigência de resultados nem elimina as responsabilidades dos colaboradores. O que muda é a forma como essas cobranças devem ocorrer.
A norma reforça que metas, atribuições e compromissos profissionais continuam fazendo parte da rotina corporativa. No entanto, práticas como humilhações, constrangimentos, assédio verbal e pressão excessiva passam a ser observadas com mais rigor dentro da gestão dos riscos psicossociais.
O desafio, segundo especialistas, é encontrar o equilíbrio entre desempenho e respeito à saúde emocional dos trabalhadores.
Perigo e risco não são a mesma coisa
Um dos conceitos trabalhados pela NR-1 é a diferença entre perigo e risco. Na prática, determinadas situações podem existir dentro da empresa sem necessariamente representar um problema imediato. O risco surge quando fatores organizacionais ampliam a possibilidade de adoecimento.
O acúmulo de funções, por exemplo, pode se transformar em um fator de risco quando um trabalhador passa a desempenhar atividades que deveriam ser distribuídas entre várias pessoas. Da mesma forma, mensagens enviadas durante o expediente fazem parte da rotina profissional, mas contatos constantes fora do horário de trabalho podem gerar desgaste emocional e comprometer o descanso necessário.
Outro aspecto apontado pelos especialistas envolve falhas de comunicação. Orientações incompletas, informações contraditórias e ausência de clareza sobre tarefas podem aumentar o estresse e a insegurança dos profissionais.
Fiscalização exige mais que documentos
A implementação da NR-1 não se resume à produção de relatórios ou certificados. A legislação exige que as empresas demonstrem, de forma concreta, quais riscos psicossociais identificaram e quais medidas foram adotadas para reduzi-los.
Esse acompanhamento deve ser permanente. Indicadores como afastamentos médicos, rotatividade de funcionários, registros de ocorrências e avaliações internas ajudam a comprovar a efetividade das ações desenvolvidas.
Além disso, especialistas ressaltam que a fiscalização pode ocorrer a partir de denúncias, tornando fundamental que as organizações mantenham registros atualizados e evidências das medidas implementadas.
Consequências podem ser graves
A norma também determina que os riscos sejam analisados considerando os cenários mais severos possíveis. Isso significa avaliar não apenas situações corriqueiras, mas também as consequências mais graves que um ambiente tóxico podem provocar.
Entre os impactos observados estão quadros de ansiedade, depressão, síndrome de burnout, afastamentos prolongados e outras condições capazes de comprometer a vida profissional e pessoal dos trabalhadores.
Apesar dos avanços no debate sobre saúde mental, especialistas avaliam que muitas empresas ainda não compreendem totalmente a dimensão dos prejuízos humanos e financeiros provocados pelo adoecimento emocional. A expectativa é que a NR-1 contribua para ampliar essa conscientização e estimular mudanças efetivas no ambiente corporativo.
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