Custo do crédito dispara e juros para famílias atingem 61% ao ano
O bolso do brasileiro sentiu o peso do aperto monetário no início de 2026. Segundo as Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas pelo Banco Central (BC), a taxa média de juros para pessoas físicas saltou para 61% ao ano em janeiro, acumulando uma alta expressiva de 6,7 pontos percentuais nos últimos 12 meses. O movimento reflete o atual ciclo da taxa Selic, mantida em 15% ao ano para frear a inflação, nível que não era visto há quase duas décadas.
Perigo no cartão: as taxas proibitivas do rotativo e do parcelado
As modalidades ligadas ao cartão de crédito continuam sendo as grandes vilãs do orçamento doméstico. Embora o crédito rotativo tenha apresentado um recuo técnico, ele permanece como a linha mais cara do mercado, com juros astronômicos de 424,5% ao ano.
O destaque negativo de janeiro, contudo, foi o cartão de crédito parcelado. Essa modalidade, utilizada automaticamente pelos bancos após 30 dias de inadimplência no rotativo, subiu 6,8 pontos percentuais apenas em um mês, atingindo a marca de 194,9% ao ano. Outras linhas de crédito, como o financiamento de veículos e o crédito pessoal, também registraram altas consistentes.
Impacto no setor produtivo e o abismo entre crédito livre e direcionado
As empresas não ficaram imunes à escalada. A taxa média para pessoas jurídicas fechou janeiro em 25,2% ao ano. O aumento foi impulsionado pelo encarecimento do capital de giro e, drasticamente, pelo cheque especial empresarial, que registrou uma alta de 25,9 pontos percentuais no período.
O relatório do BC evidencia a disparidade entre as categorias de crédito:
Crédito Livre: Onde os bancos têm autonomia total para definir taxas, a média para famílias e empresas chegou a 32,8% ao ano.
Crédito Direcionado: Com regras governamentais para setores como habitação e agricultura, as taxas mantiveram-se estáveis em patamares bem menores, em torno de 11,2% para pessoas físicas.
Inadimplência sobe e compromete quase 30% da renda das famílias
O encarecimento do crédito já reflete na capacidade de pagamento dos brasileiros. A inadimplência geral (atrasos superiores a 90 dias) subiu para 4,2% em janeiro, sendo mais acentuada entre as famílias (5,2%) do que nas empresas (2,6%).
Dados consolidados do final de 2025 mostram que o endividamento das famílias alcançou 49,7% da renda anual. O comprometimento financeiro — o valor mensal destinado apenas ao pagamento de parcelas e juros — atingiu 29,2%, o que significa que quase um terço do orçamento familiar já nasce “carimbado” para quitar dívidas.
O papel da Selic e o spread bancário
A alta dos juros bancários é uma resposta direta à Selic em 15%, o maior patamar desde julho de 2006. Ao encarecer o crédito, o Banco Central busca desestimular o consumo para controlar a subida dos preços.
Somado a isso, o spread bancário — a diferença entre o que o banco paga para captar dinheiro e o que cobra do cliente — também cresceu, situando-se em 21,9 pontos percentuais. Essa margem, que cobre desde riscos de calote até o lucro das instituições, subiu 3,5 pontos percentuais em um ano, tornando o crédito no Brasil um dos mais caros do mundo. Com informações da Agência Brasil

