Maquetes escolares despertam a consciência ambiental e o cuidado com o Ribeirão Paciência. Lições que brotam das águas com foco no amanhã
A abertura oficial do Junho Verde ocorreu ontem, 2 de junho, no Teatro Municipal Geraldina Campos de Almeida, com a entrega dos prêmios do Concurso de Maquetes Ribeirão Paciência: nossas águas, nosso futuro. O evento reuniu uma diversidade de atores sociais, incluindo agentes públicos, técnicos, defensores do meio ambiente, representantes de empresas privadas, educadores e estudantes.
Voltado para estudantes do 8º ano da rede pública municipal de ensino, o concurso superou o caráter competitivo para se transformar em um espaço de reflexão profunda a respeito da necessidade de preservação dos mananciais e da relevância do Ribeirão Paciência. A metodologia aplicada abrangeu encontros teóricos e atividades práticas de campo. Durante as visitas, os alunos conheceram tanto uma área rural preservada, que abriga nascentes protegidas, quanto uma localidade afetada pela poluição urbana.

Aprendizado na prática e o choque da realidade
O biólogo e coordenador de Educação Ambiental da Secretaria de Agronegócio, Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente, Luís Cláudio Duarte, explicou que o projeto conjunto buscou sensibilizar os estudantes sobre o panorama hídrico local. Para evitar abordagens superficiais, foi desenvolvida uma didática específica.
Em sala de aula, os temas englobaram bacias hidrográficas, o ciclo hidrológico, áreas de recarga, efluentes e a dinâmica dos rios principais. O objetivo foi demonstrar o funcionamento dos sistemas que garantem água limpa captada para o abastecimento urbano.

Após a teoria, a turma conheceu o ambiente natural equilibrado na propriedade da senhora Cida, localizada no bairro Matinha, onde se situam as cabeceiras do Ribeirão Paciência. Lá, os adolescentes compreenderam o nascimento dos cursos d’água e a importância vital desse recurso para o consumo humano, culinária, além do suporte à agricultura e à pecuária.
Luís Cláudio Duarte
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Em contrapartida, para visualizar o impacto da ação humana, os estudantes visitaram a Ponte dos Limas, na comunidade de Limas de Pará de Minas, ponto situado após o ribeirão atravessar o perímetro urbano. No local, observaram a degradação, as alterações visíveis na coloração e na turbidez da água, além da ausência de mata ciliar.
De acordo com Luís Cláudio Duarte, esse contraste gerou debates e divergências saudáveis durante o trabalho em equipe, resultando em maquetes detalhadas e na consolidação do aprendizado. “As escolas estão de parabéns… a gente percebeu hoje a motivação desses alunos, a euforia que foi na premiação… consolidou o aprendizado nesses adolescentes que futuramente vão ter uma percepção diferente e que vão ser multiplicadores”:
Luís Cláudio Duarte
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O engenheiro ambiental Thiago Silva ressaltou a importância do papel juvenil frente ao ecossistema. “É importante que essa nova geração entenda que eles são os agentes de transformação, porque as coisas só vão mudar a partir das atitudes deles de agora”. Ele defendeu que o Ribeirão Paciência integra a história local e o equilíbrio ecológico, exigindo uma responsabilidade compartilhada entre o setor público, empresas e a comunidade para alcançar o desenvolvimento sustentável:

Thiago Silva
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A integrante da comissão julgadora, Ana Paula Marinho, reforçou o valor de iniciativas do gênero, afirmando que a organização valoriza a educação ambiental “como primordial para a construção de um futuro melhor”:

Ana Paula Marinho
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O reflexo nas salas de aula e a voz dos educadores
A experiência pedagógica foi enaltecida pelo corpo docente envolvido na atividade. Luciana de Lourdes Autran, professora de Ciências da Escola Municipal Professora Izaltina Mendonça Meireles, classificou a participação como altamente gratificante. Ela mencionou a relevância de confrontar os alunos com as diferentes realidades do rio. Embora tenha pontuado que o cenário de poluição já foi pior em anos anteriores, reforçou que a conscientização contínua é indispensável. “Tenho certeza que foi plantada a semente na cabeça de cada estudante que participou”:

Luciana de Lourdes Autran
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A supervisora da Escola Municipal São Judas Tadeu, Rosilaine Rodrigues, também destacou o engajamento e a pesquisa de campo promovidos pela iniciativa. Para ela, o grande ganho consistiu no fortalecimento do espírito coletivo. “O mais importante para nós, além da conscientização, foi que eles também participaram muito em equipe. Trabalhar em equipe é muito importante, um ajudando ao outro, pesquisando, indo atrás e realmente deixando para o futuro aquilo que eles estão colhendo agora no presente”:

Rosilaine Rodrigues
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A ambientalista Sônia Naime manifestou um sentimento de esperança e sugeriu a expansão do alcance dos trabalhos produzidos. Impressionada com a qualidade das maquetes e com o mapeamento do trajeto do ribeirão. “Esse concurso de maquete realmente vai fazer um marco na cidade… retratando tão seriamente a questão hídrica… acho que esse concurso vai fazer uma diferença muito grande”:

Sônia Naime
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A conquista e a união sob a ótica dos alunos
O reflexo mais evidente da ação pôde ser ouvido nos relatos dos próprios participantes, que celebraram os frutos do esforço coletivo. Sofia, aluna da Escola Municipal Vereador Bosco Mendonça, compartilhou o entusiasmo com a conquista do primeiro lugar, que rendeu uma premiação de R$ 3.000,00. “Fazer esse trabalho foi super legal, foi importante para todo mundo… tá marcado na [memória]”:

Sofia
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O estudante Maycon, da Escola Municipal Professora Izaltina Mendonça Meireles, apontou que o projeto proporcionou uma maior integração entre os colegas, além de expandir o conhecimento sobre o município. “Aprendemos mais um pouquinho sobre o ribeirão da nossa cidade… e lá conhecer os lugares, achei muito top “:

Maycon
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O Concurso de Maquetes Ribeirão Paciência: nossas águas, nosso futuro, é uma competição que compõe as ações do Programa de Educação Ambiental, coordenado pela Secretaria Municipal de Agronegócio, Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente. A iniciativa conta com o apoio da Secretaria Municipal de Educação e com a colaboração de parceiros adicionais.
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