Move Brasil injeta R$ 21 bilhões para modernizar frotas dos setores de cargas e passageiros

O sistema de transporte rodoviário e urbano brasileiro ganha um reforço financeiro expressivo com o início do recebimento de propostas para uma nova linha de crédito voltada ao setor de cargas e passageiros. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deu início à operacionalização do programa BNDES Mais Mobilidade, uma iniciativa estruturada para impulsionar a substituição de veículos pesados antigos e elevar o patamar tecnológico da logística nacional.

O mecanismo financeiro serve de base para o Move Brasil – Caminhões e Ônibus (Move Brasil 2), um programa interministerial sob a coordenação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Com um teto global de financiamento fixado em R$ 21 bilhões, a ação busca facilitar o acesso de diferentes perfis do mercado de transporte à compra de caminhões, caminhões-tratores, ônibus, micro-ônibus e estruturas de implementos rodoviários. O público-alvo abrange desde caminhoneiros autônomos e cooperados individuais até microempreendedores e corporações consolidadas do segmento de fretes e transporte coletivo.

Composição do fundo e os prazos estabelecidos para a contratação
A estrutura de capital do programa conta com uma engenharia financeira mista. A maior fatia, correspondente a R$ 14,5 bilhões, provém diretamente do Tesouro Nacional por meio de recursos da União, enquanto a parcela complementar de até R$ 6,7 bilhões é integralizada pelo próprio caixa do BNDES. Dentro desse montante total, o regulamento assegura cotas específicas de incentivo: há uma reserva de R$ 2 bilhões voltada de forma exclusiva para a compra de ônibus e micro-ônibus, além de outros R$ 2 bilhões carimbados para dar suporte financeiro aos transportadores autônomos e profissionais vinculados a cooperativas.

O processo de solicitação deve ser mediado pela rede de instituições financeiras credenciadas ao banco de fomento, que serão responsáveis por analisar o perfil de crédito de cada proponente e alinhar os ajustes finais antes do envio da proposta. Os interessados devem ficar atentos aos prazos do calendário operacional: a data limite para dar entrada e protocolar as intenções no sistema informatizado do BNDES se encerra em 28 de agosto de 2026, ao passo que a validação e comunicação da contratação definitiva junto à autarquia precisa ocorrer até o dia 28 de setembro de 2026.

Condições de amortização, taxas de juros e critérios sustentáveis
Para flexibilizar o pagamento e garantir a sustentabilidade do negócio para os tomadores de crédito, as regras estabelecem prazos e carências diferenciadas de acordo com a categoria do contratante:
Transportadores autônomos: O prazo total de quitação atinge até 120 meses, contando com um período de carência inicial de até 12 meses.

Empresas de transporte de cargas (rodoviário ou urbano): O parcelamento se estende por até 60 meses, dispondo de até 6 meses de carência.

Empresas de transporte de passageiros (rodoviário ou urbano): Os contratos podem chegar a 120 meses, com o limite de até 6 meses de carência.

As operações de crédito fixam uma taxa de juros anualizada na casa dos 13%, estabelecendo um limite máximo de financiamento de R$ 50 milhões por cliente, sem a exigência de um valor mínimo por contrato. Com o intuito de privilegiar a preservação ambiental e a economia interna, os modelos novos financiados precisam, obrigatoriamente, possuir fabricação nacional, cadastro regular no Credenciamento de Fornecedores Informatizado (CFI) do BNDES e conformidade com o padrão ecológico Proconve P-8, conforme as normas de emissão de poluentes vigentes. Caso a opção seja por caminhões seminovos, os veículos de carga devem possuir ano de fabricação a partir de 2012, respeitar a fase P-7 do Proconve e demonstrar total regularidade e rastreabilidade na área fiscal.

Estímulo à cadeia automotiva e inclusão de custos adicionais
A linha de crédito permite também o financiamento de despesas correlatas essenciais para a operação do bem, como a contratação do seguro do veículo, seguro prestamista e as taxas referentes a fundos garantidores, desde que esses serviços sejam incluídos de maneira conjunta no ato da assinatura do contrato. Esse benefício acessório fica restrito aos tomadores de crédito que registram um faturamento bruto anual de até R$ 300 milhões.

A administração do banco de fomento destaca que a combinação de eficiência de mercado com metas sustentáveis e inclusão produtiva trará impactos severos e benéficos no cotidiano das estradas, resultando na queda dos custos logísticos de distribuição e no aumento da segurança viária. Do ponto de vista macroeconômico, a cúpula do MDIC aponta que o fôlego trazido por essa nova fase do Move Brasil consolida os reflexos positivos de medidas estruturantes recentes adotadas pelo governo federal, gerando um efeito multiplicador que aquece as vendas em concessionárias, eleva a produtividade das montadoras e protege os postos de trabalho em toda a cadeia de suprimentos automotiva. Com informações da Agência Brasil

PUBLICIDADE
[wp_bannerize_pro id="valenoticias"]
Don`t copy text!