Governo federal ouve sociedade civil e deve tomar decisão sobre bets de apostas online
Escuta social no Palácio do Planalto
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva promoveu, ontem, 1º de setembro, um encontro no Palácio do Planalto com integrantes de entidades civis para coletar pareceres sobre o avanço das empresas de apostas virtuais no país. O chefe do Executivo ressaltou que a deliberação governamental a respeito do segmento se aproxima e destacou a importância de integrar as posições da comunidade antes de definir os rumos da questão.
A coordenação das atividades ficou a cargo da ministra da Casa Civil, Miriam Belchior. A mesa de trabalho reuniu os chefes dos ministérios da Saúde, Alexandre Padilha; da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos; da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva; da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira; e do Esporte, Paulo Henrique Cordeiro. Representantes de órgãos ligados à infância, pesquisas em saúde, comércio, economia e artes acompanharam os debates.
Apelos pela proibição e impactos sociais
Na oportunidade, a gestão federal escutou manifestações favoráveis ao veto completo das plataformas virtuais, além de depoimentos que evidenciaram os reflexos prejudiciais das apostas na estrutura familiar, na economia e no bem-estar social. Um dos relatos destacou o drama de um pai cuja filha acumulou débitos com cobradores informais ao perder recursos nos jogos.
Integrantes do setor comercial expuseram o aumento nos índices de não pagamento de dívidas do consumidor, provocado pela destinação de verbas orçamentárias para as plataformas. Durante os pronunciamentos, sugeriu-se também a criação de uma estrutura administrativa extraordinária focada em combater as empresas ilegais do ramo.
Crescimento da busca por tratamento no SUS
O ministro da Saúde apresentou dados referentes à assistência pública voltada às pessoas atingidas pelo vício em apostas no Sistema Único de Saúde. De um volume inicial de 600 auxílios mensais, a procura saltou para a marca de 100 mil atendimentos por mês. As estatísticas revelam que as mulheres correspondem a 55% do público que busca apoio terapêutico, embora os homens representem a maioria dos apostadores.
O titular da Saúde mencionou ainda que o Brasil, ao lado de Espanha e Canadá, encabeça a elaboração de uma proposta de Resolução sobre o assunto no âmbito da Organização Mundial da Saúde. Ele acrescentou que a plataforma digital do SUS pode ser utilizada para requerer apoio e dar início aos cuidados médicos contra a dependência.
Avaliação presidencial e possível medida severa
Lula apontou os jogos virtuais como um prejuízo para a coletividade e declarou simpatizar com o encerramento do setor. Todavia, ressaltou que, na condição de mandatário do país, deve considerar as repercussões políticas, sociais e econômicas de qualquer posicionamento definitivo.
Apesar da ressalva, o presidente admitiu a possibilidade de adotar uma determinação mais contundente em breve. Ele relembrou as tentativas de normatização e de restrição, citando a complexidade de combater aproximadamente 60 mil plataformas clandestinas, o apoio promocional de personalidades públicas e a presença marcante de anúncios durante eventos esportivos de grande porte.
Prejuízos financeiros acumulados pelas famílias
Os agregados familiares no Brasil registraram perda líquida de R$ 62,5 bilhões para o segmento de apostas no ano passado, montante que calcula o saldo entre os valores investidos e os prêmios retornados aos jogadores. O impacto financeiro médio atingiu R$ 4,7 bilhões por mês no período compreendido entre outubro de 2024 e março de 2026.
As perdas acumuladas representam 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias, considerando unicamente os envios efetuados por meio de transferências instantâneas Pix para as bancas virtuais. No mesmo intervalo analisado, o volume total movimentado pelas plataformas por esse sistema de pagamento somou quase R$ 351 bilhões. Com informações da Agência Brasil.


