Variedades de uvas imunes a fungos inovam produção de vinhos em MG
- Últimas notícias
- 8 de novembro de 2026
Estudo comprova eficiência de videiras resistentes no campo
A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) concluiu a análise técnica de oito variedades de uvas dotadas de resistência natural a enfermidades para o cultivo de vinhos na porção Sul do território mineiro. Conduzido no período compreendido entre os anos de 2021 e 2025, com financiamento concedido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), o trabalho científico catalogou plantas de elevado desempenho de colheita e perfil enológico, capazes de diminuir a dependência de defensivos agrícolas na viticultura.
Os tipos vegetais avaliados fazem parte do segmento denominado PIWI, termo originário da língua alemã empregado para designar linhagens de videiras com proteção contra infecções provocadas por fungos. Tais exemplares derivam da hibridização entre a espécie Vitis vinifera — habitualmente empregada na elaboração de bebidas finas — e outros vegetais detentores de carga genética imune a agentes patológicos.
Segundo detalha a pesquisadora da Epamig e responsável pela coordenação da investigação, Cláudia Souza, o objetivo central consistiu em acompanhar a adaptação geográfica e o rendimento dessas cepas frente às condições climáticas do Sul mineiro, aferindo tanto a conduta nas lavouras quanto o resultado final na taça. A especialista ressalta que a meta priorizou a busca por alternativas focadas no cultivo sustentável, preservando os padrões de excelência do produto.

Redução significativa no uso de pulverizações
As atividades de campo contaram com o apoio da propriedade vinícola Stella Valentino, sediada no município de Andradas, espaço que abrigou o plantio experimental, além do suporte do viveiro de origem italiana Vivai Cooperativi Rauscedo, responsável pela cessão das matrizes vegetais.
O levantamento analisou quatro tipos de uvas brancas (Fleurtai, Soreli, Sauvignon Kretos e Sauvignon Rytos) e quatro variedades tintas (Cabernet Eidos, Cabernet Volos, Merlot Kanthus e Merlot Khorus). No decorrer das avaliações, os técnicos efetuaram duas colheitas no período de verão e uma extração durante a safra de inverno. A produtividade registrada oscilou entre 1,5 e 3,5 quilos de frutos colhidos por cada pé de videira, variando conforme a cepa analisada.
Um dos achados de maior relevância constatou a acentuada diminuição da necessidade de defensivos agrícolas no manejo. Cláudia Souza enfatiza que, ao longo do derradeiro ciclo de verão e durante a etapa de inverno, não houve qualquer exigência de aplicação de fungicidas contra o míldio, patologia apontada como uma das maiores ameaças aos vinhedos. Já no tocante ao controle do oídio, registraram-se apenas três intervenções de pulverização somando ambos os períodos produtivos.
O enxugamento nas rotinas de aplicação tende a baratear o custo operacional das lavouras e amenizar as agressões ambientais decorrentes da atividade agrícola, viabilizando modelos de cultivo baseados na utilização mínima de insumos químicos.
Desempenho enológico e ampliação de mercado
Paralelamente ao acompanhamento do desenvolvimento das plantas na terra, a equipe realizou procedimentos de microvinificação, etapa destinada à produção de volumes reduzidos da bebida com o intuito de examinar o perfil sensorial e a aptidão enológica das matérias-primas. Os diagnósticos demonstraram que todas as oito variedades pesquisadas exibem qualidades adequadas para a confecção de vinhos na região Sul do estado.
As castas do grupo PIWI preservam uma proporção superior a 85% do patrimônio genético original da Vitis vinifera, fator que assegura a manutenção de atributos essenciais para a fabricação de vinhos finos. Adicionalmente, as variedades testadas figuram catalogadas sob o registro de Vitis vinifera tanto no cadastro oficial do continente europeu quanto nos registros do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) no cenário nacional.
Cláudia Souza finaliza apontando que essas alternativas vegetais têm potencial para diversificar as escolhas dos viticultores focados em uma produção de menor impacto, além de preencher as expectativas de consumidores que buscam itens elaborados por meio de métodos agrícolas sustentáveis. Com informações da Agência Minas.





