AVC exige rapidez e atenção aos primeiros sintomas
O Dia Mundial de Combate ao Acidente Vascular Cerebral (AVC), celebrado em 29 de outubro, chama a atenção para uma doença que pode causar incapacidade permanente e até levar à morte. Identificar os sintomas logo no início e procurar assistência médica sem demora são medidas fundamentais para aumentar as chances de recuperação. O médico Davi Laurindo, diretor-Técnico da Unidade de Pronto Atendimento de Urgência e Emergência (UPA 24h) em Pará de Minas, explica como reconhecer os sinais, quais cuidados devem ser tomados durante uma suspeita e o que pode ser feito para reduzir os riscos.

Por que o atendimento imediato é essencial
O AVC ocorre quando o fluxo sanguíneo para uma região do cérebro é interrompido. Isso pode acontecer pela obstrução de um vaso, situação conhecida como AVC isquêmico, ou pelo rompimento de um vaso sanguíneo, caracterizando o AVC hemorrágico. Nos dois casos, a falta de oxigênio compromete o funcionamento das células cerebrais e exige atendimento emergencial.
Davi Laurindo explica que a doença é considerada uma emergência médica porque o tempo entre o início dos sintomas, o diagnóstico e o tratamento influenciam diretamente as possibilidades de recuperação.
Segundo o médico, quanto maior a demora para identificar o problema e iniciar a assistência adequada, maior o risco de o paciente desenvolver sequelas. Por isso, diante de manifestações repentinas que indiquem um possível AVC, a recomendação é procurar imediatamente uma unidade de emergência.
Dificuldade para falar e perda de movimentos são sinais de alerta
Os sintomas podem aparecer de maneira súbita e se manifestar de diferentes formas. Entre os sinais mais comuns estão a dificuldade para falar ou compreender informações e a perda de força ou de movimentos em determinadas partes do corpo.
Também merecem atenção o desvio da boca, a dormência ou fraqueza no rosto, braço ou perna, principalmente quando os sintomas atingem apenas um lado do corpo. Alterações repentinas na visão, tontura, perda de equilíbrio, dificuldade para caminhar e dor de cabeça intensa e inesperada também podem indicar a ocorrência de um AVC.
O médico destaca que as alterações na fala e na movimentação estão entre as manifestações mais características. Entretanto, os sintomas não são necessariamente iguais em todos os pacientes, o que torna importante não desconsiderar mudanças repentinas no estado de saúde.
Uma maneira prática de verificar alguns sinais consiste em pedir à pessoa que sorria, levante os dois braços e repita uma frase simples. Se ela apresentar dificuldade para executar qualquer uma dessas tarefas, é necessário buscar socorro imediatamente. Essa verificação não substitui a avaliação médica nem deve atrasar o atendimento.
O que não fazer diante da suspeita de AVC
Além de reconhecer os sintomas, familiares e pessoas próximas precisam saber como agir enquanto buscam ajuda. Davi Laurindo orienta que não sejam oferecidos medicamentos, alimentos ou água ao paciente com suspeita de AVC.
A recomendação está relacionada à possibilidade de a pessoa apresentar dificuldades para engolir ou não conseguir compreender e executar adequadamente as orientações recebidas. Nessas condições, oferecer algo pela boca pode representar um risco.
O médico reforça que a prioridade deve ser encaminhar o paciente para avaliação profissional, sem tentar resolver o problema em casa ou aguardar uma possível melhora espontânea.
A orientação é acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), pelo telefone 192, ou procurar imediatamente a Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Mesmo que os sintomas diminuam ou desapareçam temporariamente, a suspeita exige atenção médica urgente.
Sequelas podem comprometer os movimentos
As consequências de um AVC variam conforme o comprometimento provocado pela doença e a assistência recebida. Entre as possíveis sequelas estão dificuldades motoras que afetam os movimentos dos braços, das pernas e dos músculos do rosto.
De acordo com Davi Laurindo, a demora para buscar atendimento pode contribuir para que essas limitações permaneçam. O risco de sequelas reforça a importância de agir rapidamente diante dos primeiros sinais.
Apesar das possíveis complicações, o médico ressalta que o paciente pode recuperar a funcionalidade e voltar a ter uma vida normal. Para isso, o acompanhamento após o episódio também tem papel importante.
Esse suporte pode ocorrer por meio do serviço de atendimento domiciliar ou da Unidade Básica de Saúde (UBS), com ações voltadas à recuperação das capacidades comprometidas e ao retorno às atividades habituais.
Hipertensão, diabetes e tabagismo aumentam a preocupação
Embora um AVC possa atingir diferentes pessoas, alguns grupos apresentam maior risco. Conforme explica o médico, hipertensão arterial, diabetes, sedentarismo e tabagismo estão entre os fatores que merecem atenção.
O controle dos problemas de saúde existentes é uma das principais medidas para reduzir a probabilidade de ocorrência da doença. Pessoas com pressão alta, por exemplo, precisam acompanhar e controlar os níveis pressóricos. O mesmo cuidado se aplica ao diabetes e ao colesterol elevado, que devem ser mantidos em níveis adequados para cada paciente, conforme orientação médica.
A prática regular de atividade física e a interrupção do tabagismo também integram as medidas preventivas destacadas por Laurindo. Uma alimentação equilibrada, a moderação no consumo de bebidas alcoólicas e a realização de consultas e exames periódicos complementam os cuidados recomendados.
O acompanhamento profissional permite identificar fatores de risco e orientar medidas de controle de acordo com as condições de cada pessoa.
Informação e prevenção podem salvar vidas
A conscientização sobre o AVC envolve tanto a adoção de hábitos saudáveis quanto o reconhecimento das situações que exigem socorro imediato. Saber identificar alterações repentinas na fala, na força muscular, na visão ou no equilíbrio pode ajudar familiares e pessoas próximas a agir no momento adequado.
Para Davi Laurindo, controlar as doenças existentes, manter a atividade física e abandonar o cigarro são atitudes importantes para diminuir os riscos. Quando há suspeita de AVC, entretanto, a prioridade muda: é preciso procurar atendimento de emergência sem demora.
A orientação central é não esperar que os sintomas desapareçam e não oferecer medicamentos, alimentos ou líquidos ao paciente. Acionar o SAMU pelo número 192 ou buscar atendimento na UPA pode fazer diferença nas possibilidades de tratamento e recuperação.
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