Superendividamento avança e atinge milhões de brasileiros

Contingente de devedores em risco cresce expressivamente

O volume de cidadãos brasileiros em condição de endividamento crítico atingiu a marca de 20,3 milhões no mês de junho de 2026. A taxa representa uma expansão de 75% num intervalo de cinco anos, segundo dados apresentados ontem (27) pelo Relatório de Estabilidade Financeira divulgado pelo Banco Central (BC).

Esse grupo expressivo equivale a 17% do total de tomadores de crédito cadastrados no Sistema Financeiro Nacional. Em virtude desse cenário, o presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, destacou que o órgão planeja oficializar ações adicionais ainda este ano para coibir abordagens agressivas de concessão de recursos.

O panorama detalhado pelo levantamento mostra que o impacto é mais acentuado na população de menor renda. Entre as pessoas que recebem até dois salários mínimos — universo que abrange 61,2 milhões de indivíduos —, o comprometimento dos ganhos com dívidas alcançou 42% em junho de 2026, sendo que 15% dessa renda está retida no cartão de crédito. Já no extrato daqueles que recebem mais de dez salários mínimos, o comprometimento geral fica em 18,6%.

Ações do Banco Central para conter o problema
De acordo com Galípolo, as intervenções em elaboração priorizarão os clientes que se encontram utilizando o crédito rotativo das faturas ou que acumulam atrasos expressivos nos compromissos financeiros. O dirigente ressaltou a preocupação do órgão com as pessoas já submetidas a taxas de juros elevadas e com dificuldades de orçamento.

O presidente da instituição chamou a atenção para o avanço contínuo de modalidades de crédito sem garantias atreladas, a exemplo do cartão de crédito, cheque especial e empréstimos pessoais sem consignação em folha, mesmo diante do patamar elevado de juros. Ele avaliou que a expansão dessas modalidades ocorre sem demonstrar sensibilidade às variações de custo.

Critérios para identificação da vulnerabilidade financeira
Para que um cidadão seja classificado na categoria de devedor de risco, a autoridade monetária adota quatro parâmetros, sendo exigido o preenchimento de pelo menos dois quesitos:

Atraso nos pagamentos das parcelas de crédito por período superior a 90 dias;
Comprometimento superior a 50% dos rendimentos mensais com o pagamento de dívidas;
Utilização concomitante de cheque especial, empréstimo pessoal não consignado e rotativo do cartão;
Rendimento restante inferior ao limite da linha de pobreza após a quitação dos débitos.

A enquadração nesse perfil não implica necessariamente que a totalidade dos 20,3 milhões de brasileiros esteja em situação de inadimplência, servindo como um indicador de fragilidade econômica. O relatório apontou também que a fatia da renda destinada a dívidas de cartão subiu em todas as faixas salariais.

Novas diretrizes para concessão de crédito aos consumidores
Na sexta-feira (23), o Banco Central já havia anunciado um conjunto de regras com a finalidade de conter propostas inadequadas e amplificar a clareza na contratação de operações financeiras. Entre os ajustes previstos, as instituições financeiras serão obrigadas a fornecer ferramentas para que o cliente consiga bloquear anúncios e investidas ativas de ofertas de crédito.

Nos casos que envolvem pessoas em situação de vulnerabilidade ou expostas ao risco de endividamento excessivo, o envio de propostas exigirá anuência prévia, pontual e explícita do cliente. Nesses cenários específicos, os oferecimentos ficarão restritos a alternativas voltadas à melhoria das condições do tomador, como acordos de renegociação e migração de dívidas, sendo vedada a entrega de novos valores.

Os recursos voltados ao bloqueio de ofertas passarão a vigorar a partir de 31 de março de 2027. Já para julho do mesmo ano, estão previstas outras exigências, incluindo painéis virtuais para acompanhamento de pendências e restrições para a oferta de empréstimos durante movimentações iniciadas via Pix. As intervenções visam frear a contratação de serviços desvantajosos e impedir o agravamento do endividamento familiar. Com informações da Agência Brasil.

PUBLICIDADE
[wp_bannerize_pro id="valenoticias"]
Don`t copy text!