Classes B e C representam mais de 90% dos consumidores de delivery no Brasil
Avanço do segmento reflete hábitos de consumo concentrados nas faixas intermediárias da população
As classes sociais B e C reúnem 91,5% dos mais de 38,2 milhões de brasileiros adultos que apresentam perfil voltado ao consumo de delivery no Brasil. O índice fica 34,1 pontos percentuais acima da fatia de 57,4% que esses dois grupos ocupam na divisão geral da população brasileira. As informações integram um estudo divulgado nesta segunda-feira, 3 de agosto de 2026, pela datatech Serasa Experian, elaborado por meio do Insights Hub, ferramenta analítica utilizada corporativamente para a segmentação de audiências a partir de hábitos socioeconômicos e afinidades de mercado.
Ao analisar detalhadamente cada estrato social, nota-se que a classe C, embora já seja o maior grupo na estrutura demográfica do país, possui uma representatividade ainda mais expressiva entre os usuários de entrega: atinge 52% desse segmento, ante 39,9% no cenário nacional. A discrepância torna-se mais acentuada na classe B, responsável por 39,5% do público com perfil de delivery, em comparação aos 17,5% que representa na população do país. Por sua vez, a classe A figura com 7,2% dos consumidores do setor, índice superior aos 2,2% registrados no quadro populacional geral. Em sentido inverso, as fatias de menor poder aquisitivo aparecem sub-representadas: a classe D responde por 0,9% dos usuários do serviço, frente aos 26,9% na distribuição do país, enquanto a classe E engloba 0,1% desse público, ante 9,3% na totalidade nacional.
A executiva Giovana Giroto, CMO e Vice-Presidente de Marketing Solutions da Serasa Experian, destaca que o levantamento expõe detalhes relevantes que análises superficiais de volume não mostram. A profissional aponta que a avaliação combinada de hábitos e dados econômicos permite identificar que o serviço de entregas atinge parcelas expressivas em termos de escala e frequência de compra. Ela acrescenta que, ao integrar classe social e faixas de rendimento, as empresas compreendem o contexto em que os pedidos ocorrem e ajustam suas ofertas de maneira mais alinhada a cada grupo.
Faixas de rendimento e comportamento financeiro
A análise dos rendimentos reforça o padrão de concentração identificado no país. Os dados indicam que 34,5% dos consumidores do segmento possuem receita mensal de até R$ 2 mil, enquanto 29,9% declaram ganhos entre R$ 2 mil e R$ 4 mil. A soma desses dois extratos perfaz 64,4% de toda a base de clientes mapeada.
Apesar dessa expressiva concentração nas camadas de menor e média renda, o levantamento aponta que o serviço alcança consumidores de patamares financeiros elevados, visto que 12,3% dos usuários registrados possuem ganhos mensais superiores a R$ 10 mil. O dado demonstra que o hábito de solicitar entregas abrange diferentes extratos da sociedade brasileira.
Direcionamento de estratégias comerciais e apelo de vendas
Diante dessas particularidades, setores como alimentação pronta, supermercados, indústrias alimentícias, plataformas digitais, meios de pagamento e redes de fidelização utilizam o mapeamento de audiências para diferenciar abordagens comerciais. Os números ressaltam a necessidade de alinhar conveniência, preços, vantagens e fidelização de acordo com as características de cada fatia de mercado. Para o grupo com renda até R$ 4 mil, há oportunidade para ações com foco na relação custo-benefício, incluindo cupons, pacotes combinados, isenção de frete, abatimentos progressivos e vantagens para reincidência de compra. Por outro lado, para a faixa com rendimentos acima de R$ 10 mil, as empresas podem trabalhar com soluções exclusivas, itens diferenciados, atendimento sob medida e programas de vantagens dedicados.
Giovana Giroto pondera que não há um perfil padronizado para os usuários de delivery, sendo que as ferramentas de segmentação auxiliam no reconhecimento das diferenças existentes. A executiva observa que enquanto parte relevante dos clientes prioriza o custo e as vantagens financeiras, outros grupos valorizam fatores como a conveniência, o nível de personalização e a experiência. O cruzamento dessas variáveis apoia a construção de campanhas mais precisas sem generalizar o público total.
Aspectos metodológicos e perfil institucional
O levantamento utilizou como recurso técnico o Insights Hub, ambiente de inteligência analítica da Serasa Experian voltado para a classificação de públicos por meio de modelos comportamentais e atributos socioeconômicos. A apuração mapeou cidadãos brasileiros maiores de idade com padrão de afinidade com o setor de entregas, considerando variáveis de renda, classificação social e hábitos de compra. Todo o processamento observou os parâmetros definidos pela Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).
A Serasa Experian opera como datatech especializada em inteligência analítica para gestão de riscos e identificação de oportunidades, com atuação focada em crédito, autenticação e mitigação de fraudes. Fundada em 1968, incorporou-se em 2007 ao grupo Experian Company, com sede em Londres. A organização registra diariamente mais de 6,5 milhões de consultas sobre indivíduos e corporações, protegendo anualmente mais de 2,2 bilhões de transações comerciais no mercado. Com informações da Assessoria de Comunicação da Serasa Experian.

