Proporção de crianças com celular cai e IBGE revela o principal motivo

O receio com a segurança digital e a preservação da privacidade se consolidou como o fator determinante para que pais e responsáveis evitem dar telefones celulares para crianças e adolescentes. A constatação consta no suplemento de tecnologia da informação e comunicação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), apresentado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Pela primeira vez desde o início do monitoramento dessa série histórica, iniciado no ano de 2016, o índice de meninos e meninas entre 10 e 13 anos que possuíam o dispositivo móvel próprio registrou uma retração. Os indicadores apontam que 55,2% dos brasileiros que integram esse grupo etário tinham um telefone celular no ano passado, o que representa uma diminuição de 1,5 ponto percentual quando confrontado com o fechamento do período anterior.

A justificativa para esse recuo inédito é explicada pelo comportamento das famílias cujos filhos permanecem sem o equipamento. A apreensão relacionada à segurança e à privacidade foi apontada por 32% dos chefes de domicílio como a principal barreira para a compra do item, um salto de 7,8 pontos percentuais em apenas um ano. Ao analisar o panorama de longo prazo, nota-se que essa preocupação parental praticamente dobrou de tamanho.

Há alguns anos, as justificativas mais recorrentes para a ausência do aparelho nessa idade estavam atreladas ao custo elevado do comércio, à percepção de que o jovem não necessitava do recurso ou ao aproveitamento do celular de terceiros. Naquela época, os dilemas sobre exposição virtual figuravam somente na quarta posição de relevância. Conforme os analistas do IBGE, essa faixa infantojuvenil caminhou na contramão de todo o restante do país, visto que as demais idades continuaram expandindo o uso de tecnologias, elevando o patamar geral de posse de celular para 89,8% na sociedade. A implementação de diretrizes voltadas à proibição ou restrição de celulares em ambientes escolares e o medo da superexposição em plataformas digitais ajudam a contextualizar a mudança de comportamento das famílias.

Conexão à internet recua entre os mais jovens enquanto inclusão digital avança na terceira idade
O reflexo desse maior controle familiar também impactou as taxas de navegação na web. O acesso à internet por parte do grupo de 10 a 13 anos recuou de 84,9% para 84,4%, independentemente do tipo de suporte tecnológico empregado. Entre os que permanecem desconectados, a alegação de falta de utilidade lidera o ranking, mas os temores com privacidade aparecem logo na sequência. Esse público foi o único a encolher na rede, enquanto o grupo de adolescentes de 14 a 19 anos manteve estabilidade e o indicador geral do país subiu de 89,2% para 90,5%.

Por outro lado, o levantamento estatístico evidenciou um progresso expressivo na inclusão digital da população idosa. O contingente de brasileiros com mais de 60 anos navegando na internet atingiu a marca de 74,5%. O resultado aponta um crescimento de 4,4 pontos percentuais em um ano e uma evolução expressiva de mais de 29 pontos percentuais se comparado aos relatórios anteriores ao período pandêmico. O percentual de idosos proprietários de aparelhos celulares também acompanhou o ritmo de alta, subindo de 78,3% para 80,3%.

Diferente do cenário verificado entre as crianças, o principal obstáculo que afasta a terceira idade do ambiente digital não é a segurança, mas sim a dificuldade técnica e o desconhecimento sobre como operar os sistemas e dispositivos. Contudo, os técnicos do IBGE ponderam que a digitalização forçada de serviços essenciais do cotidiano funciona como um indutor para que os idosos busquem capacitação para utilizar a rede.

Mais da metade dos internautas do país já realiza transações comerciais em plataformas virtuais
A pesquisa do IBGE mapeou ainda as principais finalidades buscadas pelos usuários ao se conectarem à rede. Um dos eixos de maior expansão foi o mercado financeiro digital, com 74,2% das pessoas utilizando aplicativos bancários ou de outras instituições monetárias, o que configura um avanço considerável de 14,4 pontos percentuais em relação aos indicadores observados anos antes. A busca por atendimento e serviços na esfera governamental e pública também avançou, saltando de 33,2% para 41,1%.

Outra marca histórica registrada pelo levantamento foi o fato de que, pela primeira vez, mais da metade dos cidadãos conectados ao ambiente virtual declarou realizar compras ou encomendar mercadorias e serviços por meios digitais. O indicador mercadológico subiu de 47,9% para 52,7%.

No que tange às atividades e funções rotineiras desempenhadas na internet, o estabelecimento de chamadas de voz ou de vídeo se consolidou como a ferramenta mais popular, sendo utilizada por 95,3% dos internautas do país. O envio de mensagens de texto, áudios ou fotos por meio de aplicativos de comunicação instantânea ocupa a segunda posição, com 90,2% de adesão, seguido de perto pelo consumo de conteúdos audiovisuais, como programas, filmes e séries, atividade habitual para 89,3% dos usuários conectados. Com informações da Agência Brasil

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