Petrobras reativa fábrica no Paraná e reforça soberania nacional com retomada da produção de ureia
Após um hiato de seis anos, o Brasil volta a contar com o potencial produtivo da Araucária Nitrogenados S.A. (Ansa), localizada na região metropolitana de Curitiba. A subsidiária da Petrobras reiniciou a fabricação de ureia, um dos fertilizantes nitrogenados mais fundamentais para o sucesso das safras brasileiras. A reativação é um marco para o agronegócio nacional, que busca alternativas para diminuir a vulnerabilidade diante das oscilações do mercado externo.
A unidade estava desativada desde 2020, sob a justificativa de prejuízos operacionais. Contudo, o cenário global alterado pela guerra na Ucrânia em 2022 evidenciou os riscos de o Brasil importar cerca de 80% dos fertilizantes que consome. Com um investimento robusto de R$ 870 milhões, a estatal promoveu uma ampla reforma técnica e operacional para colocar a planta de Araucária novamente em funcionamento.
Estratégia para reduzir a dependência das importações
A volta da Ansa não é um fato isolado, mas parte de um plano estruturado para fortalecer a segurança alimentar do país. Ao produzir o insumo internamente, o setor agrícola ganha proteção contra crises de oferta e disparadas de preços internacionais. Segundo Marcelo dos Santos Faria, diretor da unidade, ampliar a capacidade doméstica tornou-se uma questão de relevância estratégica para a economia brasileira.
Além da ureia, a fábrica é responsável pela produção de amônia e do Arla 32, reagente essencial para reduzir a poluição emitida por motores a diesel. Com capacidade para entregar 720 mil toneladas de ureia por ano, a planta do Paraná deve responder por aproximadamente 8% de toda a demanda nacional do produto.
Integração industrial e expansão da malha produtiva
A localização da Ansa, vizinha à Refinaria Presidente Getulio Vargas (Repar), permite um aproveitamento eficiente do gás natural, matéria-prima indispensável para a síntese da ureia. Essa integração é um dos pilares que sustenta a viabilidade do projeto.
O movimento de retomada estende-se para outras regiões do Brasil. Com as unidades de Sergipe e da Bahia (Fafens) já operacionais desde a virada de 2025 para 2026, a Petrobras estima que passará a deter 20% do mercado interno de ureia. A projeção é ainda mais otimista para o futuro: com a previsão de inauguração da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Mato Grosso do Sul, para 2029, a estatal planeja suprir 35% do consumo brasileiro.
Impacto social e geração de empregos no setor
Para além dos números do agronegócio, a reativação da fábrica trouxe alento ao mercado de trabalho regional. Durante o período de manutenção e preparação, foram gerados mais de 2 mil postos de trabalho. Agora, em fase de operação regular, a unidade mantém um quadro de aproximadamente 700 profissionais diretos.
A Federação Única dos Petroleiros (FUP) celebrou o início da produção como uma vitória da resistência dos trabalhadores. Para as lideranças sindicais, a retomada da Ansa simboliza a recuperação de uma ferramenta de soberania que havia sido deixada de lado, garantindo que a indústria nacional de óleo e gás contribua diretamente para o barateamento da produção de alimentos no Brasil. Com informações da Agência Brasil


