Perigo digital e o alerta do Ministério Público contra a superexposição de crianças na internet
O hábito aparentemente inofensivo de compartilhar o primeiro dia de aula ou a rotina dos filhos na internet pode esconder armadilhas perigosas. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio do seu braço especializado em crimes cibernéticos (Gaeciber), emitiu um alerta contundente nesta semana: pais e responsáveis devem evitar postar fotos de menores utilizando uniformes escolares ou revelando detalhes de sua rotina.
A preocupação das autoridades reside na facilidade com que criminosos coletam dados preciosos — como o nome da instituição de ensino, horários de saída e cursos extracurriculares — para arquitetar golpes sofisticados. De acordo com o promotor André Salles, coordenador do Gaeciber, o excesso de informações compartilhadas alimenta a chamada “engenharia social”, uma técnica de manipulação que utiliza a vida real das vítimas para dar veracidade a crimes virtuais.
Engenharia social e a criação de armadilhas reais
Ao contrário do que muitos pensam, a maioria dos delitos que ocorrem no ambiente digital não depende de tecnologias complexas ou ataques de hackers, mas sim da observação da vida alheia. Com acesso à rotina da criança, bandidos conseguem estruturar trotes de sequestro extremamente convincentes ou até planejar abordagens físicas, já que sabem exatamente onde os pais e os filhos estarão em determinados momentos do dia.
O promotor adverte que esses criminosos podem utilizar os dados para estabelecer uma relação de falsa confiança, fingindo ser diretores de escola ou funcionários de bancos. Com detalhes específicos sobre a família, a mentira torna-se crível, facilitando a extorsão ou outros crimes pessoais. Para o Ministério Público, “qualquer informação serve como identidade” nas mãos erradas.
Limites necessários e o papel dos responsáveis
Diante de um cenário onde 94% dos brasileiros estão conectados à internet, o MPMG defende que o uso responsável das redes deve ser uma prioridade educacional. A recomendação é clara: os pais precisam estabelecer limites rígidos sobre o que é publicado e, mais importante, controlar quem tem acesso a essas postagens. Manter perfis abertos ao público enquanto se expõe o cotidiano de menores é um convite ao risco.
Além das campanhas externas, o Gaeciber tem trabalhado na conscientização de seus próprios funcionários e na repressão direta. O órgão ressalta que a gravidade desses atos se reflete nas punições judiciais: no último ano, forças-tarefa garantiram condenações superiores a 14 anos de prisão para crimes sexuais e mais de 12 anos para casos de extorsão iniciados no ambiente virtual.
Campanhas de prevenção e combate à manipulação de imagens
O trabalho do Ministério Público também foca em crimes que afetam a dignidade dos jovens, como a montagem e manipulação de fotografias. A conscientização busca mostrar que a identidade digital deve ser protegida com o mesmo zelo que a integridade física.
Para combater a onda de crimes, o MP mineiro tem intensificado forças-tarefa que vão desde a prevenção de fraudes em pagamentos até a repressão severa de crimes cibernéticos. O objetivo final é criar uma cultura de vigilância e proteção, onde a segurança dos menores prevaleça sobre a necessidade de engajamento em redes sociais. Com informações da Agência Brasil


