Chuva de dinheiro em Santa Catarina: operação da Polícia Federal contra fraude no Rioprevidência tem cena inusitada

Uma cena digna de roteiro cinematográfico marcou a manhã desta quarta-feira (11) no litoral norte de Santa Catarina. Durante a deflagração da terceira fase da Operação Barco de Papel, agentes da Polícia Federal (PF) testemunharam o momento em que uma mala recheada com R$ 429 mil em espécie foi arremessada do 30º andar de um luxuoso edifício em Balneário Camboriú. A tentativa desesperada de se livrar de provas ocorreu no exato momento em que os policiais chegavam ao imóvel para cumprir mandados judiciais.

A ofensiva é um desdobramento de uma investigação complexa que apura crimes contra o sistema financeiro e desvios de recursos no Rioprevidência, o fundo de pensão dos servidores estaduais do Rio de Janeiro. Além de Balneário Camboriú, a cidade de Itapema também foi alvo de buscas.

Luxo e obstrução de justiça na mira da PF
A ação de hoje teve como foco principal a recuperação de bens e valores que haviam sido retirados de um imóvel no Rio de Janeiro logo após a primeira fase da operação, ocorrida no final de janeiro. Para os investigadores, a movimentação desses ativos e o descarte da mala de dinheiro evidenciam uma clara tentativa de ocultação de provas e obstrução dos trabalhos policiais.

Além do montante recuperado no solo após a queda, a PF apreendeu dois veículos de alto padrão e aparelhos celulares. Um dos telefones pertencia justamente à pessoa responsável por lançar o dinheiro pela janela. Todos os itens foram encaminhados para a delegacia de Itajaí para perícia e continuidade das investigações autorizadas pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.

O esquema: títulos sem valor e rombo bilionário
A Operação Barco de Papel debruça-se sobre investimentos suspeitos realizados pelo Rioprevidência entre o final de 2023 e meados de 2024. De acordo com o inquérito, o fundo estadual teria injetado aproximadamente R$ 970 milhões na compra de letras financeiras do Banco Master, instituição que era controlada pelo banqueiro Daniel Vorcaro.

As suspeitas ganharam corpo após o Banco Central liquidar o Master em novembro do ano passado, citando uma crise severa de liquidez e violações normativas graves. Relatórios indicam que a instituição financeira teria operado um esquema fraudulento de cerca de R$ 11,5 bilhões, utilizando títulos inflados artificialmente para maquiar seus balanços. O Rioprevidência, por sua vez, sustenta que não houve ilegalidades em suas aplicações.

Queda da cúpula e prisões no fundo de previdência
O escândalo já provocou mudanças profundas na gestão do fundo que garante a aposentadoria dos servidores fluminenses. Logo no início das investigações, Deivis Marcon Antunes, então presidente da autarquia, deixou o cargo após uma renúncia que coincidiu com sua exoneração pelo governador Cláudio Castro.

A situação de Antunes agravou-se no início de fevereiro, quando ele foi preso preventivamente durante a segunda etapa da operação. As investigações também alcançaram ex-diretores do fundo, como Eucherio Lerner Rodrigues e Pedro Pinheiro Guerra Leal, cujos endereços foram alvo de buscas anteriores sob suspeita de conivência ou participação direta no direcionamento dos investimentos para o banco liquidado. Com informações da Agência Brasil

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