Queda na conta de luz segura impacto da gasolina e mantém inflação dentro da meta
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, iniciou o ano de 2026 com uma variação de 0,33% em janeiro. O número repete exatamente o percentual registrado em dezembro, demonstrando uma estabilidade no ritmo de preços, apesar de ser superior aos 0,16% observados em janeiro do ano anterior.
Com esse desempenho, o acumulado dos últimos doze meses atingiu 4,44%. O resultado é estratégico para o governo, pois mantém o índice dentro do intervalo de tolerância da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que possui um teto de 4,5%. Vale lembrar que, sob as novas regras vigentes desde 2025, o cumprimento da meta é avaliado continuamente ao longo dos últimos doze meses.
O duelo entre a energia elétrica e os combustíveis
O cenário inflacionário de janeiro foi marcado por forças opostas. De um lado, a gasolina foi a principal vilã, impulsionada pelo reajuste generalizado do ICMS nos estados, o que elevou o preço do combustível em 2,06%. Somado às altas no etanol e no óleo diesel, o grupo de transportes acabou exercendo a maior pressão positiva sobre o índice.
No entanto, esse impacto foi neutralizado pelo alívio vindo das contas de luz. A transição da bandeira tarifária amarela para a verde eliminou taxas extras para o consumidor, resultando em uma deflação de 2,73% na energia elétrica residencial. Na prática, a economia feita na conta de luz compensou quase matematicamente os gastos extras nos postos de combustíveis.
Alimentos registram menor alta para o mês em duas décadas
Outra notícia positiva veio das gôndolas dos supermercados. O grupo de alimentação e bebidas, que detém o maior peso no orçamento das famílias brasileiras, subiu apenas 0,23% em janeiro. Este é o menor índice para o primeiro mês do ano desde 2006.
Itens essenciais como o leite longa vida e os ovos de galinha ficaram mais baratos, beneficiados pelo aumento na produção e nos estoques. Por outro lado, o consumidor sentiu no bolso a forte alta do tomate, que disparou mais de 20%, e o encarecimento de cortes populares de carnes, como o contrafilé e a alcatra. De acordo com o IBGE, o clima e a queda do dólar têm ajudado a manter as cotações de alimentos sob relativo controle.
Transportes públicos e serviços mostram comportamentos distintos
Além do combustível particular, o custo de deslocamento foi influenciado pelo reajuste nas tarifas de ônibus urbano em diversas capitais, como Fortaleza, São Paulo e Rio de Janeiro. Em contrapartida, quem precisou viajar de avião ou utilizou transporte por aplicativo encontrou preços significativamente menores do que no mês anterior, ajudando a equilibrar o setor de transportes.
No setor de serviços, a variação de 0,10% foi a mais baixa desde meados de 2024. Analistas do IBGE sugerem que, embora o aumento do salário mínimo e o período de férias estimulem a demanda, os preços monitorados — aqueles regulados por contratos ou pelo governo — ainda representam o maior desafio, acumulando alta de 7,48% em um ano. Com informações da Agência Brasil

