Exportações do Brasil para os EUA caem, enquanto China compra mais e reforça liderança
O cenário do comércio exterior brasileiro iniciou 2026 apresentando contrastes profundos entre seus principais parceiros. De um lado, o Brasil enfrenta as sequelas persistentes das barreiras tarifárias norte-americanas; do outro, consolida sua aproximação com o mercado asiático. Segundo dados recentes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), as vendas para os Estados Unidos sofreram um recuo severo de 25,5% em janeiro, enquanto o fluxo para a China seguiu em trajetória de ascensão.
No primeiro mês do ano, as exportações para o mercado estadunidense somaram US$ 2,4 bilhões, um valor significativamente menor do que os US$ 3,22 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. O intercâmbio comercial entre as duas nações também resultou em um déficit de US$ 670 milhões para o Brasil, já que as compras de produtos norte-americanos (US$ 3,07 bilhões) superaram as vendas.
Os reflexos do “tarifaço” e a barreira dos 50%
A retração nas negociações com os Estados Unidos não é um fato isolado, mas sim o sexto mês consecutivo de queda desde que o governo de Donald Trump impôs uma sobretaxa agressiva a produtos brasileiros em meados de 2025. Na época, as tarifas chegaram a 50%, e embora tenha havido uma revisão parcial no encerramento do último ano, o impacto ainda é latente.
Conforme estimativas do Mdic, aproximadamente 22% de tudo o que o Brasil exporta para os EUA continua sob o peso de alíquotas extras, que oscilam entre 40% e 50%. Essa barreira fiscal tem dificultado a competitividade dos produtos nacionais na maior economia do mundo, resultando em uma queda de 18% na corrente de comércio bilateral.
China amplia espaço e garante superávit ao Brasil
Em total oposição ao desempenho com o mercado americano, a China reafirmou sua posição como o destino mais aquecido para as commodities e produtos brasileiros. As exportações para o gigante asiático saltaram 17,4% em janeiro, atingindo o patamar de US$ 6,47 bilhões.
Com as importações vindas da China em leve queda (4,9%), o Brasil conseguiu garantir um saldo positivo de US$ 720 milhões no mês. A corrente de comércio com os chineses — a soma de tudo o que é comprado e vendido — alcançou a marca de US$ 12,23 bilhões, um crescimento de 5,7% que ajuda a equilibrar o balanço comercial brasileiro diante das dificuldades no Ocidente.
Retração generalizada na Argentina e na União Europeia
A instabilidade comercial não ficou restrita ao território norte-americano. O comércio com a Argentina, tradicional parceiro no Mercosul, registrou uma forte queda de 19,9%. As vendas para o país vizinho desceram 24,5%, embora o Brasil ainda tenha mantido um superávit modesto de US$ 150 milhões.
Já no relacionamento com a União Europeia, a corrente de comércio encolheu 8,8%. Apesar de as exportações brasileiras para o bloco terem recuado 6,2%, a queda ainda maior nas importações de produtos europeus (11,5%) permitiu que o Brasil terminasse o mês com um superávit de US$ 310 milhões nas trocas com os países membros do bloco. Com informações da Agência Brasil

