Consultório sobre rodas: governo expande Brasil Sorridente com 800 unidades móveis até março
O acesso à saúde bucal no Brasil ganha um novo fôlego com a aceleração das entregas de infraestrutura itinerante. Durante o Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo (Ciosp), o Ministério da Saúde confirmou que, até março de 2026, o país contará com um reforço de 400 novas Unidades Odontológicas Móveis (UOMs). Somadas às entregas realizadas no último ano, o programa Brasil Sorridente atingirá a marca de 800 veículos equipados e distribuídos por todas as unidades federativas.
Tecnologia e atendimento completo nos territórios mais remotos
As UOMs funcionam como consultórios odontológicos de alto padrão montados sobre veículos adaptados. Cada unidade é equipada com cadeira odontológica, aparelho de raio X e insumos necessários para realizar desde procedimentos preventivos e restaurações até extrações. O grande diferencial desta estratégia é o deslocamento das equipes de saúde até locais de difícil acesso, como zonas rurais, assentamentos, quilombos e comunidades indígenas.
Um exemplo emblemático da versatilidade do programa ocorreu em Mâncio Lima, no Acre. Para atender comunidades ribeirinhas, a gestão local instalou uma dessas unidades móveis sobre uma balsa, permitindo que o tratamento odontológico navegasse pelos rios para alcançar populações que, de outra forma, jamais teriam contato com um dentista.
Inovação digital: próteses e tratamento de canal itinerantes
O horizonte do Brasil Sorridente para 2026 inclui a modernização dos serviços prestados nas unidades móveis. Além da atenção primária, o governo federal planeja implementar o “fluxo digital” para a confecção de próteses dentárias.
Um projeto-piloto em Cavalcante (GO) utiliza tecnologia de escaneamento intraoral, eliminando as moldagens tradicionais e permitindo que o paciente receba sua prótese de forma muito mais rápida e precisa. Para expandir essa inovação, o ministério prevê a doação de 500 kits de tecnologia digital para diversos municípios brasileiros, possibilitando também a realização de tratamentos de canal (endodontia) em campo.
O renascimento de uma política de Estado
Criadas originalmente em 2009, as unidades móveis enfrentaram uma interrupção em 2015, sendo reativadas apenas em agosto do ano passado com recursos do Novo PAC Saúde. A eficácia da medida é sustentada por estudos acadêmicos: um censo coordenado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) revelou que, em 75% dos municípios que operavam com as UOMs, gestores e profissionais foram unânimes em afirmar que o acesso da população foi drasticamente ampliado.
Com o retorno do investimento, o objetivo é consolidar a saúde bucal como um direito universal, garantindo que a distância geográfica ou a vulnerabilidade social não sejam mais barreiras para o sorriso do brasileiro. Com informações da Agência Brasil

