Crédito mais caro: juros para as famílias dão salto e atingem 60,1% ao ano

O custo do dinheiro para o cidadão brasileiro encerrou 2025 em patamares alarmantes. Dados das Estatísticas Monetárias e de Crédito, publicados pelo Banco Central (BC) ontem (29), revelam que a taxa média de juros para pessoas físicas subiu 7 pontos percentuais ao longo do ano, alcançando a marca de 60,1% em dezembro. O movimento de alta é impulsionado pelo avanço da Taxa Selic, que fechou o período em 15% ao ano — o maior nível em quase duas décadas — na tentativa da autoridade monetária de frear a inflação.

O peso do cartão de crédito e do parcelamento
Apesar das tentativas de regulação, o cartão de crédito rotativo continua sendo o grande vilão do orçamento doméstico. Mesmo com um recuo estatístico de 13,6 pontos percentuais no ano, a taxa média dessa modalidade estacionou em estratosféricos 438% ao ano. Vale destacar que o teto para os juros do rotativo, implementado em 2024, foca em mitigar o estoque da dívida, mas não impede que as taxas pactuadas no ato da contratação permaneçam elevadas.

Quando o consumidor não quita a fatura integral e entra no parcelamento do cartão, a situação não é muito diferente: essa modalidade registrou um salto de 17,9 pontos percentuais em 2025, chegando a 189% ao ano. No crédito pessoal não consignado, a tendência foi similar, com juros escalando para 116,8% anuais.

Impacto no setor produtivo e no spread bancário
As empresas também sentiram o aperto monetário, embora em menor escala que as famílias. A taxa média para pessoas jurídicas situou-se em 25% ao ano. No entanto, linhas essenciais para o dia a dia dos negócios apresentaram altas severas, como o capital de giro (50,3% ao ano) e o cheque especial empresarial, que atingiu 355,7%.

O chamado “spread bancário” — a diferença entre o que o banco paga para captar recursos e o que cobra do cliente final — voltou a crescer após uma queda no ano anterior. O índice subiu 3,9 pontos percentuais, situando-se em 21,4 pontos. Essa margem é utilizada pelas instituições financeiras para cobrir despesas operacionais, impostos, riscos de calote e, por fim, compor o lucro líquido.

Desaceleração do crédito e aumento da inadimplência
Com o encarecimento das parcelas, o ritmo de novos empréstimos perdeu fôlego. As concessões de crédito cresceram 9,1% em 2025, uma queda considerável em relação ao avanço de 15,5% observado em 2024. No total, o estoque de empréstimos no Sistema Financeiro Nacional (SFN) atingiu R$ 7,122 trilhões.

O reflexo direto dos juros altos e da economia mais lenta foi o aumento da inadimplência. Atrasos superiores a 90 dias subiram 1,1 ponto percentual, fechando o ano em 4,1%. Entre as famílias, o cenário é ainda mais sensível, com o índice de calotes atingindo 5%.

Endividamento e comprometimento de renda
O fardo financeiro sobre os lares brasileiros segue em expansão. O endividamento das famílias alcançou 49,8% em novembro, indicando que quase metade da renda anual está comprometida com dívidas. Já o comprometimento mensal da renda para o pagamento dessas obrigações ficou em 29,3%, mantendo-se em níveis elevados. A estratégia do Banco Central de elevar os juros para conter o consumo parece estar surtindo efeito no mercado, mas ao custo de um endividamento mais caro e uma menor circulação de recursos na economia real. Com informações da Agência Brasil

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