Mobilização intensa marcam buscas por crianças no interior do Maranhão

A angústia e a esperança caminham juntas na zona rural de Bacabal, a cerca de 250 km da capital São Luís, onde as operações para localizar duas crianças desaparecidas entraram em seu 11º dia nesta quarta-feira (14). Ágatha Isabelly, de apenas 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, foram vistos pela última vez no dia 4 de janeiro, quando saíram para brincar no
Quilombo de São Sebastião dos Pretos e não retornaram.

Originalmente, três menores haviam desaparecido. No entanto, Anderson Kauan, de 8 anos, foi localizado no dia 7 de janeiro em uma estrada vicinal. Segundo seu relato às autoridades, ele teria deixado os outros dois companheiros para trás na tentativa de buscar auxílio. Quando foi resgatado por carroceiros no povoado Santa Rosa, o menino estava despido e apresentava sinais de debilidade física, mas exames periciais descartaram qualquer tipo de abuso sexual.

Desafios geográficos e varredura em ambientes aquáticos
As equipes de resgate enfrentam um cenário extremamente hostil. A área de busca compreende aproximadamente 54 km² de mata fechada e terreno acidentado, com escassez de trilhas e acessibilidade limitada. O território é entrecortado por açudes, lagos e pelo Rio Mearim, o que eleva a complexidade da missão.

No final da manhã desta quarta-feira, a operação ganhou um novo foco: mergulhadores do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBMMA) iniciaram uma varredura minuciosa no Lago Limpo. A suspeita é de que as crianças possam ter passado pelas margens ou áreas próximas a este local antes de perderem o contato com a comunidade.

Uma força-tarefa composta por 500 pessoas
A operação é uma das maiores já registradas na região, unindo cerca de 500 integrantes em uma força-tarefa multidisciplinar. O grupo conta com especialistas do Corpo de Bombeiros, Exército, polícias Civil e Militar, Guarda Municipal e profissionais do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Além dos agentes estatais, moradores quilombolas e voluntários locais atuam diretamente nas frentes de busca.

Para garantir que nenhum ponto seja negligenciado, as equipes utilizam aplicativos de geolocalização que mapeiam em tempo real cada trilha e rota percorrida. O Corpo de Bombeiros reafirmou que o trabalho é ininterrupto, combinando esforços por terra, ar e água.

Investigação e apoio às comunidades quilombolas
Enquanto as buscas físicas prosseguem, a Polícia Civil do Maranhão avança na linha investigativa. Desde domingo (11), peritos do Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes (IPCA) estão em Bacabal para prestar suporte técnico e realizar o acolhimento das famílias.

A Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) manifestou-se oficialmente, expressando profunda preocupação com a segurança de crianças dentro de seus territórios. Em nota, a organização defendeu que o Estado deve esgotar todos os recursos disponíveis até que Ágatha e Allan sejam encontrados, reforçando a rede de orações e solidariedade que une o país em torno do caso. Com informações da Agência Brasil

Portal GRNEWS © Todos os direitos reservados.

PUBLICIDADE
[wp_bannerize_pro id="valenoticias"]
Don`t copy text!