Nova era na neurocirurgia com técnica endovascular que reduz riscos e mortalidade por aneurisma cerebral
O tratamento do aneurisma cerebral – uma dilatação na parede de uma artéria no cérebro que ameaça romper e causar hemorragia fatal – está passando por uma profunda transformação com a ascensão de procedimentos minimamente invasivos. O tratamento endovascular, que elimina a necessidade de abrir o crânio, estabeleceu-se como um avanço crucial, oferecendo uma alternativa mais segura e com recuperação mais rápida.
A neurocirurgiã Ingra Souza afirma que essa evolução mudou drasticamente a abordagem de doenças neurológicas graves. “Durante muitos anos, tratar aneurismas exigia cirurgias abertas e longos períodos de recuperação. Hoje, conseguimos acessar o interior dos vasos por dentro do sistema circulatório. Isso reduz o trauma cirúrgico e devolve qualidade de vida ao paciente em menos tempo”, explica a especialista.
Mortalidade elevada e a importância da inovação
Os dados do Sistema Único de Saúde (SUS) refletem a gravidade da condição. Entre 2017 e 2022, o Brasil registrou mais de 61 mil internações por hemorragia subaracnoide aneurismática – uma das complicações mais severas –, com uma taxa média de mortalidade hospitalar de cerca de 20%.
Apesar do risco persistente, a expansão do tratamento moderno é um ponto positivo. No mesmo período, foram realizados 8,2 mil procedimentos endovasculares na rede pública, confirmando a importância da inovação na sobrevida dos pacientes. No entanto, a maioria dos diagnósticos ainda ocorre em fases avançadas, quando o perigo de ruptura é iminente. Por isso, especialistas defendem a ampliação do rastreamento preventivo e do diagnóstico precoce para reduzir sequelas e salvar mais vidas.
O que é o aneurisma e quais são os sinais de alerta
O aneurisma cerebral consiste em um ponto frágil e dilatado na parede arterial, cujo tamanho pode variar de poucos milímetros a mais de dois centímetros. Na maioria das vezes, ele é assintomático, mas sua ruptura desencadeia uma hemorragia subaracnoide, um quadro de emergência.
Os sinais de ruptura são característicos e exigem socorro imediato: dor de cabeça súbita e excruciante, perda de consciência, rigidez na nuca e alterações visuais. A Dra. Ingra Souza alerta que cerca de metade dos pacientes não sobrevive à hemorragia, e muitos dos que sobrevivem ficam com sequelas neurológicas permanentes.
A condição é mais comum em mulheres e em pessoas com mais de 40 anos. Fatores como hipertensão, tabagismo, uso de drogas ilícitas, histórico familiar e doenças genéticas (como a síndrome de Marfan) aumentam o risco. O diagnóstico é feito por exames de imagem, como ressonância, tomografia e angiografia. O rastreamento de pessoas com histórico familiar é essencial para detectar a dilatação antes que ocorra o rompimento.
A técnica endovascular em detalhes
O tratamento endovascular, chamado de embolização, é minimamente invasivo. O neurocirurgião realiza uma pequena incisão na virilha e insere um cateter que navega pelo sistema circulatório até o aneurisma. No local, dispositivos como espirais metálicas (coils) ou stents são implantados para bloquear o fluxo de sangue dentro da dilatação, prevenindo a ruptura.
“O grande diferencial é a precisão e a segurança. O procedimento é realizado sem a abertura do crânio, o que resulta em um menor risco de complicações e uma drástica redução no tempo de internação. Geralmente, o paciente recebe alta em dois ou três dias e retoma suas atividades rapidamente”, explica a neurocirurgiã.
Embora seja o padrão moderno, a técnica endovascular não se aplica a todos os casos. O formato, o tamanho e a localização do aneurisma definem a melhor conduta, e em situações específicas, a cirurgia aberta ainda é necessária. Após o procedimento, o acompanhamento neurológico é indispensável para confirmar oclusão e evitar recidivas.
Para a Dra. Ingra Souza, a embolização simboliza uma das maiores vitórias da medicina contemporânea. “Tratar um aneurisma sem abrir o crânio une tecnologia e cuidado humano. É uma mudança de paradigma que salva vidas, reduz sequelas e permite que o paciente retome sua rotina com autonomia”, conclui. Com informações da Assessoria de Comunicação da neurocirurgiã Ingra Souza


