Defesa Civil une cidades em Pará de Minas para antecipar impactos climáticos do Super El Niño

Encontro regional amplia integração

Pará de Minas reuniu, nesta sexta-feira, 28, gestores, técnicos e representantes das Defesas Civis de Mateus Leme, Florestal, Conceição do Pará, Pitangui, Igaratinga, Itaúna e Pará de Minas para discutir estratégias de prevenção e resposta diante de eventos climáticos adversos.

O Encontro Regional para Planejamento e Resposta a Eventos Climáticos, promovido pela Secretaria Municipal de Agronegócio, Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente, teve como foco a troca de experiências e a construção de ações conjuntas para situações capazes de afetar simultaneamente diferentes municípios.

A preocupação aumenta diante das discussões sobre a possibilidade de ocorrência de um Super El Niño, fenômeno que pode provocar alterações nos padrões de temperatura e precipitação e, consequentemente, influenciar as condições climáticas da região.

Divulgação/Prefeitura de Pará de Minas

Desastres não respeitam limites municipais
Para o coordenador da Defesa Civil de Pará de Minas, Edson Cecílio da Silva, o planejamento regional é necessário porque os impactos dos eventos climáticos ultrapassam as divisões administrativas.

Edson lembra que uma ocorrência aparentemente localizada pode gerar consequências em toda uma região. Uma árvore caída ou uma rodovia interditada, por exemplo, pode comprometer o deslocamento entre municípios, afetar comunidades rurais, dificultar o transporte de produtos agrícolas e até interferir no deslocamento de pacientes.

Na avaliação dele, pensar de maneira regional significa compartilhar experiências, identificar problemas comuns e desenvolver estratégias conjuntas para prevenção e redução dos riscos.

O coordenador também chama atenção para a proximidade do período chuvoso. Embora os municípios estejam atravessando uma fase de estiagem, o planejamento precisa considerar o próximo ciclo climático. Segundo Edson, existe ainda a possibilidade de influência de um El Niño de forte intensidade, o que exige preparação antecipada:

Edson Cecílio da Silva
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Divulgação/Prefeitura de Pará de Minas

Defesa Civil busca atuação antes dos desastres
Edson Cecílio reforçou que a atuação preventiva precisa ganhar espaço no trabalho cotidiano das Defesas Civis.

Segundo ele, a população não deve associar o órgão apenas ao atendimento durante ou depois de um desastre. O objetivo é ampliar a preparação, orientar moradores e trabalhar para reduzir os impactos antes que as ocorrências aconteçam.

O coordenador recomenda que os moradores acompanhem as previsões meteorológicas e as orientações divulgadas pelos órgãos oficiais. Ele também alertou para a necessidade de verificar a origem das informações que circulam nas redes sociais, evitando conteúdos sem confirmação que possam gerar interpretações equivocadas.

A orientação, segundo Edson, é acompanhar as Defesas Civis, gestores municipais, secretarias de Meio Ambiente e demais órgãos públicos envolvidos nas ações de prevenção:

Edson Cecílio da Silva
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Divulgação/Prefeitura de Pará de Minas

Pará de Minas quer fortalecer planejamento
O secretário municipal de Agronegócio, Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente, Kenede Antônio dos Reis, explica que Pará de Minas ocupa uma posição regional e, por isso, pode receber demandas de municípios próximos durante situações de emergência.

Para ele, conhecer antecipadamente os procedimentos adotados pelas cidades vizinhas e apresentar as próprias estratégias permite estabelecer uma espécie de rede de apoio antes que uma eventual calamidade aconteça.

“Em caso de uma calamidade que possa vir a acontecer, a gente já sabe como agir”, destacou Kenede, ao defender que as cidades conheçam os fluxos e recursos umas das outras.

O secretário também afirma que o trabalho preventivo ganhou ainda mais importância diante das condições climáticas recentes. Ele citou a ocorrência de chuvas em julho, consideradas incomuns para o período, e episódios de chuva acompanhada de ventania registrados em agosto.

Plano de Ações Climáticas orienta prevenção
Kenede informou que o município já trabalha no mapeamento de áreas consideradas de maior risco e na divulgação de orientações à população.

Entre as medidas estão campanhas nas redes sociais com recomendações relacionadas aos cuidados com idosos, crianças e animais, além da mobilização dos diferentes setores da Prefeitura para que cada área esteja preparada para atuar dentro de sua competência.

Divulgação/Prefeitura de Pará de Minas

O secretário também destacou o Plano de Ações Climáticas (PLAC) de Pará de Minas como uma ferramenta de planejamento. Segundo ele, ter um plano previamente estruturado facilita a definição das ações e permite uma resposta mais precisa quando uma ocorrência foge do cenário inicialmente previsto:

Kenede Antônio dos Reis
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Para Kenede, a experiência levou o município a perceber a necessidade de ampliar o planejamento para além dos limites locais.

“Temos que começar a pensar na Defesa Civil não como uma coisa local, uma ação local, mas regional”, afirmou.

Municípios compartilham experiências
A integração regional foi destacada também pelo vice-prefeito e agente local da Defesa Civil de Florestal, Edmir Figueiredo.

Para ele, a reunião cria condições para que os municípios compartilhem não apenas ideias, mas também experiências práticas e formas de atuação utilizadas no cotidiano.

Edmir considera importante que uma cidade possa contar com o município vizinho quando uma ocorrência ultrapassar sua capacidade de resposta. Na visão dele, essa cooperação amplia a estrutura disponível para enfrentar momentos críticos e contribui para oferecer mais segurança à população.

Divulgação/Prefeitura de Pará de Minas

O representante de Florestal também apontou que os municípios participantes integram o chamado colar metropolitano de Belo Horizonte, o que reforça a necessidade de articulação entre cidades que possuem relações territoriais e operacionais próximas:

Edmir Figueiredo
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Recursos ainda são desafio
Apesar dos avanços na articulação entre os municípios, Edmir Figueiredo apontou que as Defesas Civis ainda enfrentam dificuldades relacionadas ao acesso a recursos e ao suporte das esferas estadual e federal.

Segundo ele, muitas das necessidades surgem diretamente nos municípios, onde as ocorrências acontecem e onde a população espera uma resposta imediata. Por isso, defende maior atenção às estruturas municipais e mecanismos que facilitem o acesso aos recursos necessários.

Para o agente de Florestal, superar esse obstáculo é um dos desafios para fortalecer a capacidade de resposta das Defesas Civis:

Edmir Figueiredo
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Divulgação/Prefeitura de Pará de Minas

Bacias hidrográficas exigem atuação conjunta
Edson Cecílio também chamou atenção para a existência de duas importantes bacias hidrográficas que influenciam diretamente a região: Paraopeba e Rio São João.

Segundo ele, questões relacionadas a essas áreas não podem ser tratadas isoladamente por um único município. O planejamento conjunto permite discutir riscos compartilhados e estabelecer estratégias coordenadas de prevenção e resposta.

Essa visão regional, segundo o coordenador, também possibilita que uma experiência desenvolvida em uma cidade seja adaptada por outra, ampliando o alcance das soluções encontradas.

População também faz parte da prevenção
Edmir Figueiredo defende uma mudança na forma como a Defesa Civil é percebida. Para ele, o órgão precisa estar presente no cotidiano da comunidade, e não apenas aparecer quando ocorre um desastre.

A orientação deve chegar às escolas, às famílias e às comunidades para que as pessoas consigam reconhecer situações de risco e saibam como agir.

O representante de Florestal afirma que a prevenção depende da participação da sociedade. Ele compara essa responsabilidade à segurança pública: embora seja atribuição do poder público, a participação da população é indispensável.

“Defesa Civil somos todos nós”, resume Edmir, ao defender que os moradores se sintam parte do processo de cuidado com o local onde vivem:

Edmir Figueiredo
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Divulgação/Prefeitura de Pará de Minas

Próximo período exige atenção
A aproximação do período chuvoso, associada às discussões sobre possíveis efeitos do El Niño, coloca a prevenção entre as prioridades apontadas pelos participantes do encontro.

A proposta apresentada pelos municípios é utilizar o período anterior às ocorrências para mapear riscos, compartilhar informações, preparar equipes, orientar moradores e estabelecer formas de cooperação.

Para os representantes da Defesa Civil, a integração entre Pará de Minas e os municípios vizinhos deve continuar sendo fortalecida para que, diante de eventos climáticos adversos, a resposta seja mais rápida e coordenada e os impactos sobre a população sejam reduzidos.

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