Salto histórico coloca o Brasil no topo do índice de desenvolvimento humano pela primeira vez, diz Pnud

O Brasil atingiu uma marca histórica ao ingressar, pela primeira vez, no grupo de nações consideradas com desenvolvimento humano “muito alto”. Dados inéditos da pesquisa Radar IDHM, apresentados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) Brasil, revelam que o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) do país saltou para 0,805. Para efeito de classificação, a escala internacional varia de 0 a 1, e o patamar superior a 0,800 consolida a entrada do território nacional no nível mais elevado de qualidade de vida.

O levantamento, que traça um diagnóstico detalhado dos 13 anos passados, avalia os parâmetros essenciais de saúde e longevidade, nível educacional e geração de renda. Os indicadores são analisados sob o recorte de gênero e cor. A evolução reflete uma transformação profunda na realidade do país, que há três décadas figurava na categoria de desenvolvimento baixo, com pontuação inferior a 0,555.

Educação lidera avanços impulsionada por transferência de renda
O pilar que exerceu o papel mais decisivo para elevar a média nacional no período recente foi a educação, cuja pontuação técnica avançou de 0,679 para 0,798. Especialistas do Pnud apontam que a expansão de programas sociais de transferência de renda, notadamente o Bolsa Família, foi o principal motor dessa transformação.

Ao estabelecer a obrigatoriedade da presença escolar, a iniciativa retirou um contingente expressivo de crianças do mercado de trabalho informal, garantindo o direito ao aprendizado. Os reflexos consolidados começaram a aparecer de forma mais robusta dez anos após o início do programa, coincidindo com a formação das primeiras gerações de beneficiários nos ensinos fundamental e médio.

A melhoria nos indicadores educacionais foi sentida com maior intensidade na base da pirâmide socioeconômica, com destaque para a população negra. A partir de 2016, esse grupo apresentou uma curva de crescimento constante na performance escolar. Analistas reforçam que o fortalecimento do desenvolvimento do país depende obrigatoriamente do combate às desigualdades raciais e de gênero, inserindo mulheres e negros de forma prioritária nas agendas públicas.

Trajetória da saúde pública e lentidão na evolução da renda
Entre as dimensões avaliadas, a saúde é a que historicamente entrega os resultados mais consolidados. Fortalecida pela estruturação do Sistema Único de Saúde (SUS) após a promulgação da Constituição de 1988, a área já apresentava patamar de desenvolvimento “muito alto” no início da série histórica analisada, registrando 0,829. Por possuir uma estrutura já consolidada, seu crescimento ocorre em ritmo mais brando, atingindo a marca de 0,860.

Em contrapartida, o componente voltado para a geração de renda manifesta uma evolução bem mais lenta e modesta. O subíndice caminhou de 0,732 para 0,760, mantendo-se inserido na faixa classificada apenas como alto desenvolvimento, evidenciando os desafios econômicos estruturais que o país ainda precisa superar para acelerar a distribuição de riqueza.

Cidades do Nordeste puxam a média nacional para cima
As grandes concentrações urbanas e regiões metropolitanas continuam sendo os locais que concentram as melhores condições de vida. Embora diversos estados das regiões Sul e Sudeste liderem o topo do ranking de maneira isolada, o fenômeno mais marcante do atual relatório é o protagonismo de territórios antes associados às periferias econômicas.

Um exemplo emblemático desse movimento é a Grande Teresina, no Piauí, que atingiu a pontuação de 0,809. Áreas metropolitanas que historicamente puxavam o desempenho geral para baixo agora atuam como propulsoras do índice nacional. No Nordeste, sete das nove capitais da região já asseguraram a classificação de IDH muito alto, um feito inédito nas pesquisas da ONU.

As regiões metropolitanas do Nordeste que se destacam no topo da lista são:
Natal: 0,822

Aracaju: 0,809

Grande Teresina: 0,809

Recife: 0,806

São Luís: 0,806

Salvador: 0,803

João Pessoa: 0,803

Os impactos persistentes da pandemia de covid-19
Entre os anos de 2020 e 2022, a crise sanitária global provocou um abalo sistêmico no desenvolvimento nacional, fazendo o indicador recuar temporariamente para 0,757 no auge da pandemia. O estudo chama a atenção para o perigo representado pela negação da gravidade do cenário e pela demora na formulação de respostas governamentais rápidas para conter os danos sociais.

O reflexo mais severo desse período é observado na expectativa de vida e, principalmente, nas taxas de mortalidade infantil, que acenderam um sinal de alerta nos órgãos internacionais. O Pnud destaca que o país ainda busca a plena recuperação do impacto sofrido na saúde pública durante a crise.

A extração e consolidação dos dados do Radar IDHM têm como base metodológica os números oficiais da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), contando ainda com o trabalho de pesquisadores e analistas da Fundação João Pinheiro. Com informações da Agência Brasil

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