MG estrutura plano contra efeitos severos do Super El Niño
Planejamento governamental e projeção do fenômeno
O Governo de Minas, trabalhando de forma integrada com órgãos da administração estadual e gestões municipais, está estruturando um pacote de medidas para enfrentar uma fase intensa do El Niño, prevista para atingir o ápice entre a primavera e o verão de 2026 e 2027. Durante apresentação aos veículos de imprensa, a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil detalhou o panorama meteorológico esperado, os possíveis desdobramentos no território mineiro e as iniciativas preventivas em andamento.
O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento atípico das águas do Oceano Pacífico na região equatorial, possui potencial para alterar correntes de vento, impedir a chegada de frentes frias e intensificar eventos climáticos de grande porte. Diante deste quadro, a Cedec orienta a adoção de ações antecipadas de gestão de riscos, mapeando pontos vulneráveis em diversas áreas do estado antes da consolidação dos impactos.
O El Niño atinge atualmente o seu patamar máximo de força e a tendência é de enfraquecimento apenas a partir de abril de 2027, durante o outono no Hemisfério Sul. As projeções indicam probabilidade superior a 90% de o evento se manifestar na classificação super forte, com elevada chance de provocar perturbações severas no clima.
O chefe do Gabinete Militar do Governador e coordenador estadual de Defesa Civil, coronel Paulo Rezende, apontou que a conjuntura trará desafios ao estado diante da possibilidade de ocorrência de episódios climáticos extremos.
Ele explicou que, paralelamente às previsões já realizadas, é fundamental manter o acompanhamento contínuo para emitir avisos em tempo hábil e atenuar prejuízos nas áreas social, econômica e na saúde. O coronel ressaltou que as diversas consequências exigem uma atuação unificada de todo o sistema de defesa civil para entregar o atendimento adequado aos cidadãos.
Estrutura de governança e medidas de prevenção
Com a finalidade de coordenar os trabalhos estaduais frente aos cenários mapeados, o Poder Executivo criou, em setembro, o Comitê Estadual de Enfrentamento aos Efeitos do El Niño. Regulamentado pelo Decreto 49.283/2026, o dispositivo legal determina a atuação conjunta de estruturas estaduais para gerenciar a prevenção, o acompanhamento e as respostas aos reflexos do fenômeno.
Sob o comando do GMG, o grupo reúne a Companhia Energética de Minas Gerais, a Polícia Militar de Minas Gerais, o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, o Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas Gerais e as secretarias de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias, Saúde, Educação, Desenvolvimento Social, Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.
A organização busca eliminar burocracias operacionais, permitindo socorro rápido e cooperação direta com os municípios. As iniciativas programadas cobrem desde o fornecimento de água potável em localidades atingidas pela seca até o monitoramento contínuo contra inundações e desbarancamentos no estado.
Capacitação de equipes municipais
Entre as obrigações da Defesa Civil Estadual está a prestação de auxílio técnico às prefeituras, promovendo treinamentos preventivos e expedindo alertas gerais. Dentro dessa diretriz, a Cedec ministrou capacitações para mais de 830 servidores públicos, abrangendo mais de 230 municípios mineiros.
O alinhamento das iniciativas incluiu debates com prefeitos estaduais. Ficou sob a responsabilidade dos municípios a atualização dos planos de contingência contra tempestades e estiagem, a organização de brigadas locais de combate a incêndios, a manutenção de equipes de plantão — envolvendo setores de emergência, assistência social e obras —, além do trabalho preventivo de drenagem e remoção de resíduos urbanos antes do período chuvoso mais intenso, evitando alagamentos.
O coronel Rezende pontuou que o estado conseguiu preparar mais de 6 mil agentes municipais nos últimos dois períodos do El Niño, fruto de ciclos de instrução em todas as regionais. O coordenador ressaltou que, das 853 cidades mineiras, 823 contam com estrutura de coordenadoria municipal constituída graças às etapas de capacitação.
Monitoramento contínuo e alertas à população
A verificação das variáveis meteorológicas é conduzida pela Cedec por meio do Centro de Inteligência em Defesa Civil, localizado na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte. Funcionando como sala de situação 24 horas, a unidade cruza dados de radares, satélites, volume dos rios e estabilidade dos terrenos em encostas.
A partir desse mapeamento, o Cindec elabora boletins diários e semanais direcionados às concessionárias de serviços, prefeituras e forças de resgate, permitindo o planejamento prévio de insumos e equipes diante de eventualidades climáticas.
A estratégia abrange ainda a comunicação direta com os moradores. O Cindec envia notificações via telefonia móvel informando sobre riscos de desabamentos, alagamentos, enchentes, granizo e tempestades. O cadastro é gratuito e pode ser feito enviando o número do CEP por mensagem de texto para 40199.
A população deve acompanhar as orientações nos canais oficiais da Defesa Civil, inclusive redes sociais, adotando condutas de autoproteção. A orientação é não avançar sobre enxurradas, evacuar imóveis ao primeiro sinal de desabamento e evitar o contato com lama ou água de enchentes, prevenindo infecções graves como a leptospirose.
Em situações de urgência, a Defesa Civil de Minas Gerais lembra os contatos telefônicos disponíveis: 199 para a Defesa Civil, 193 para o Corpo de Bombeiros, 190 para a Polícia Militar e 192 para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência.
Riscos de queimadas e tempestades nas regiões
As consequências do El Niño podem alcançar a totalidade dos 853 municípios de Minas Gerais, alterando o regime pluviométrico e provocando altas de temperatura. De outubro a dezembro, a média de calor pode atingir o patamar mais elevado dos últimos 30 anos. As áreas do Noroeste, Norte, Central e Triângulo Mineiro requerem atenção redobrada devido ao elevado risco de calor excessivo e estiagem severa.
Por outro lado, a Zona da Mata — impactada por precipitações intensas no começo de 2026 — e a Região Metropolitana de Belo Horizonte podem registrar tempestades concentradas e fortes. Por apresentarem áreas serranas e ocupação adensada, especialmente sobre encostas, essas regiões exigem vigilância constante quanto ao perigo de deslizamentos de terra.
A gestão estadual mantém atenção voltada também ao abastecimento público e aos recursos hídricos perante a sobrecarga nos reservatórios. Na produção agropecuária, a ocorrência de veranicos traz risco de danos às lavouras e perda de peso do rebanho. A infraestrutura e o segmento de energia permanecem sob observação devido aos possíveis desdobramentos sobre usinas hidrelétricas e quedas na rede causadas por rajadas de vento. Com informações da Agência Minas.


