Crise silenciosa: 80% dos alunos do Ensino Médio em Minas Gerais sofrem com ansiedade e depressão

Um mapeamento detalhado sobre a realidade emocional dos jovens mineiros acendeu um sinal de alerta nas áreas de educação e saúde. O estudo “Avaliação do Futuro”, realizado pelo Instituto Ayrton Senna em parceria com o CAEd/UFJF, revelou que 8 em cada 10 estudantes do 3º ano do Ensino Médio em Minas Gerais apresentam sintomas significativos de ansiedade e depressão. A pesquisa, que ouviu cerca de 14 mil alunos da rede pública, evidencia como o esgotamento e a baixa autoconfiança estão impregnados no cotidiano escolar.

Os números são alarmantes: 44% dos jovens relatam sentir-se totalmente esgotados ou sob pressão extrema, enquanto 37% enfrentam insônia severa devido a preocupações constantes. Além disso, quase um quarto dos estudantes sente-se incapaz de superar as dificuldades da vida, um dado que reflete o impacto direto do contexto social e das expectativas sobre o futuro na mente desses adolescentes.

O abismo de gênero na saúde emocional
O levantamento trouxe à tona uma disparidade gritante entre os gêneros. As meninas são as mais afetadas pelo desgaste emocional: 25% delas afirmaram ter perdido totalmente a confiança em si mesmas, um índice drasticamente superior aos 2% registrados entre os meninos.

Especialistas explicam que essa vulnerabilidade feminina costuma se acentuar no início da adolescência, impulsionada por pressões sociais, padrões de beleza rígidos e a constante comparação em redes sociais. De acordo com Ana Crispim, gerente de pesquisa do Instituto Ayrton Senna, o desenvolvimento de estratégias de regulação emocional é urgente para que esses jovens consigam administrar sentimentos complexos como tristeza e raiva.

Competências socioemocionais como aliadas da aprendizagem
A pesquisa não se limitou a diagnosticar problemas, mas também encontrou caminhos para a solução. Foi identificada uma correlação direta entre as chamadas “competências socioemocionais” e o desempenho acadêmico. Estudantes que demonstraram maior capacidade de autogestão — habilidade de planejar, persistir e focar em objetivos — apresentaram notas significativamente melhores em Língua Portuguesa e Matemática.

Além de notas maiores, os jovens com inteligência emocional desenvolvida conseguem estabelecer vínculos mais saudáveis com colegas e professores. Para os pesquisadores, isso prova que habilidades como resiliência e engajamento não são apenas “acessórios”, mas eixos centrais para uma educação de qualidade e para a proteção da saúde mental no ambiente escolar.

A escola como porto seguro e o papel do educador
Diante de um cenário onde 22% dos alunos se dizem profundamente infelizes, a escola passa a ter um papel que vai muito além do conteúdo didático. O estudo reforça a necessidade de transformar as instituições de ensino em espaços de acolhimento e escuta ativa. No entanto, o desafio é intersetorial: exige a união de políticas de educação, saúde e assistência social.

Gisele Alves, gerente executiva do eduLab21, ressalta que essa rede de apoio deve abraçar também os professores. Os docentes estão na linha de frente e enfrentam seus próprios desgastes ao lidar diariamente com a crise emocional dos alunos. Fortalecer a saúde mental de quem ensina é, portanto, um passo indispensável para garantir que aprender e sentir-se bem possam caminhar juntos nas salas de aula de Minas Gerais. Com informações da Assessoria de Comunicação do Instituto Ayrton Senna

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