Acordo Mercosul-União Europeia abre portas para o Brasil em 36% do mercado global
A assinatura do histórico tratado comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE), consolidada em 17 de janeiro em Assunção, no Paraguai, representa um salto sem precedentes para a economia brasileira. Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o acordo permitirá que o Brasil amplie seu acesso ao mercado internacional de importações de 8% para expressivos 36%. Esse avanço é impulsionado pelo peso da UE, que sozinha deteve 28% de todo o comércio global em 2024.
Vantagens imediatas e transição protegida para a indústria
A análise da CNI detalha um cenário de ganhos estratégicos na redução de impostos. Assim que o tratado entrar em vigor, mais de cinco mil itens (54,3% dos produtos negociados) terão suas tarifas zeradas de forma imediata para entrada na Europa. Pelo texto assinado, 82,7% das vendas brasileiras ao bloco europeu serão beneficiadas com isenção total logo no primeiro dia.
Por outro lado, o Brasil garantiu um fôlego maior para se adaptar. O país terá prazos de 10 a 15 anos para reduzir impostos de cerca de 4,4 mil produtos locais, assegurando que as empresas nacionais tenham tempo para modernização. Enquanto a UE remove barreiras rapidamente, o Brasil zerará de imediato apenas 15,1% das importações europeias, mantendo uma balança favorável durante a transição.
Impulso ao agronegócio e cooperação tecnológica
O setor agroindustrial brasileiro também celebra cotas de exportação vantajosas. No caso da carne bovina, o volume permitido é o dobro do concedido ao Canadá e quatro vezes superior ao destinado ao México. Além disso, as cotas de arroz superam o que o Brasil exporta atualmente para a Europa, abrindo espaço para um crescimento real das vendas.
Para além das tarifas, o tratado é visto como um indutor de inovação. A CNI aponta que as exigências regulatórias europeias devem acelerar a adoção de tecnologias sustentáveis no Brasil, como a descarbonização industrial, o uso de hidrogênio de baixa emissão e o desenvolvimento de bioinsumos agrícolas. O ambiente de maior segurança jurídica deve atrair ainda mais investimentos produtivos da União Europeia, que já detém 31,6% de todo o estoque de investimento estrangeiro no Brasil.
Próximos passos e peso comercial
Apesar da assinatura, o acordo ainda precisa percorrer o caminho legislativo, dependendo da ratificação do Parlamento Europeu e dos congressos nacionais dos países do Mercosul. Atualmente, a União Europeia é o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China, tendo movimentado US$ 48,2 bilhões em exportações brasileiras em 2024.
A CNI reforça que este é o tratado mais moderno já negociado pelo Mercosul, indo muito além do corte de custos ao criar um ambiente de previsibilidade para investimentos, inovação e, consequentemente, geração de novos postos de trabalho qualificados no país. Com informações da Agência Brasil

