Raio-x da construção civil nacional aponta a injeção de bilhões de reais na economia e a força do emprego em diversos segmentos

O mercado da construção civil consolida-se como um dos principais motores de ocupação e distribuição de renda no território brasileiro. Um amplo mapeamento estatístico revela que o setor mantinha uma força de trabalho estimada em 2,5 milhões de profissionais integrados ao mercado de trabalho formal. Toda essa engrenagem, composta por um tecido de 191 mil estabelecimentos empresariais ativos, movimentou uma massa salarial de R$ 95,6 bilhões destinados diretamente à remuneração da mão de obra.

As informações detalhadas integram a mais recente edição da Pesquisa Anual da Indústria da Construção, desenvolvida e coordenada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O estudo segmenta o universo produtivo em três grandes ramificações de negócios: a edificação de prédios (focada em imóveis de habitação, comércio, plantas industriais e reformas estruturais); as intervenções de infraestrutura (responsáveis por malhas viárias, pontes e espaços de convivência urbana); e a prestação de serviços especializados para o canteiro de obras, a exemplo de instalações de redes elétricas e acabamentos em pintura. Devido a modernizações na estrutura metodológica do levantamento, o órgão estatístico descontinuou as comparações diretas com a série histórica anterior iniciada em 2007.

Distribuição dos postos de trabalho e dinâmica interna das corporações
O censo setorial indica que os empreendimentos focados na edificação de prédios despontam como a principal frente de absorção de mão de obra no país. Essa área responde pela manutenção do vínculo empregatício de 894,8 mil cidadãos, o equivalente a 35,7% de todo o pessoal ocupado no segmento construtivo.

Logo atrás figuram os negócios dedicados aos serviços especializados, concentrando uma fatia de 34,4% dos trabalhadores ativos. As frentes voltadas para a execução de obras de infraestrutura aparecem na terceira colocação, respondendo pelo sustento de 29,9% dos operários e técnicos.

Apesar de registrar o menor percentual no total de trabalhadores empregados, o segmento de infraestrutura apresenta as maiores estruturas corporativas do mercado, registrando uma média interna de 39 profissionais por estabelecimento comercial. Em contrapartida, as companhias destinadas à construção de prédios contam com um quadro médio de 13 colaboradores por empresa, enquanto as prestadoras de tarefas especializadas operam com uma média de oito funcionários em suas equipes.

Padrões de rendimento e faturamento global do mercado construtivo
A remuneração média paga aos trabalhadores de toda a cadeia da construção civil ficou estabelecida em 2,1 salários mínimos. Na análise por áreas de atuação, o setor de infraestrutura destaca-se por ofertar as melhores condições salariais do mercado, com rendimentos médios equivalentes a 2,6 salários mínimos vigentes.

Os trabalhadores do setor de edificação de moradias e prédios comerciais receberam um rendimento médio de 1,9 salário mínimo, posicionando-se à frente dos profissionais dedicados aos serviços especializados de suporte, que registraram uma média de 1,8 salário mínimo. O valor de referência nacional utilizado para o cálculo das rendas no ano base da amostragem era de R$ 1.412.

Sob a ótica do faturamento bruto, o montante total gerado pelas incorporações, entregas e execuções contratuais da construção civil atingiu o expressivo patamar de R$ 522,5 bilhões. A divisão orçamentária por eixos de negócio ocorreu da seguinte maneira:

Infraestrutura: R$ 200,9 bilhões
Construção de edifícios: R$ 198,9 bilhões
Serviços especializados: R$ 122,8 bilhões

Com base nesses números de receita, os analistas calcularam o índice que mede o grau de concentração de mercado por parte dos grandes conglomerados econômicos, o chamado indicador RC8. O resultado demonstrou que as oito principais construtoras do país controlam apenas 3,1% de todo o faturamento da atividade, um percentual técnico que atesta uma indústria altamente pulverizada, competitiva e com ausência de monopólios mercantis.

Ranking das entregas realizadas e a composição dos custos corporativos
O levantamento do instituto de pesquisas também ranqueou quais foram as modalidades de empreendimentos que geraram o maior valor financeiro dentro do território nacional. A lista de relevância no faturamento das entregas ficou desenhada com os seguintes índices de participação:

Rodovias, ferrovias, obras urbanas e obras de arte especiais: 22,8%
Obras residenciais: 22,2%
Serviços especializados para construção: 19,2%
Obras de infraestrutura para energia elétrica, telecomunicações, água, esgoto e transporte por dutos: 12,8%
Edificações industriais, comerciais e outras edificações não residenciais: 10,7%
Construção de outras obras de infraestrutura: 10,5%
Incorporação de imóveis construídos por outras empresas: 1,9%

Ao examinar as planilhas orçamentárias das construtoras, o pagamento de folhas salariais e encargos trabalhistas desponta como o principal peso no balanço financeiro das empresas, abocanhando 30,7% do orçamento total. Na sequência aparece o chamado consumo intermediário — que engloba gastos de manutenção de rotina, combustíveis, despesas de locação de maquinários pesados e contratação de consultorias, excluindo insumos diretos —, responsável por 22,5%. Os investimentos na aquisição de materiais de construção consumiram 22,3% do caixa, seguidos por encargos gerais como tributos estatais, taxas, compra de lotes terrenos e depreciação patrimonial (14,7%) e serviços delegados a subempreiteiras (9,7%).

O peso do investimento público no desenvolvimento da infraestrutura nacional
O diagnóstico setorial evidencia a relevância crucial das contratações governamentais para a sustentabilidade da cadeia produtiva da construção. De forma geral, a cada R$ 3 aplicados em projetos construtivos no país, R$ 1 provém diretamente dos orçamentos do setor público, garantindo uma participação de 33% nas demandas totais do mercado, cabendo os 67% restantes aos investimentos gerados pela iniciativa privada.

Essa correlação atinge seu grau máximo de dependência no ramo voltado para obras de engenharia de infraestrutura, onde o poder público responde por quase metade de todos os investimentos realizados, alcançando o índice de 48,2% dos contratos firmados. A influência dos entes estatais apresenta retração nos demais segmentos pesquisados pelo órgão, reduzindo-se para 22,9% nos contratos vinculados à edificação de prédios habitacionais e comerciais, e atingindo a margem de 19,5% nas demandas por serviços de suporte especializado. Com informações da Agência Brasil

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