Reação na economia eleva o volume de serviços após longo período de estabilidade e queda

O mercado de serviços no Brasil apresentou uma recuperação consistente no início do segundo trimestre, interrompendo uma sequência de indicadores desfavoráveis. Atividades essenciais para a economia, englobando desde os ramos de logística e tecnologia da informação até o consumo direto de bem-estar e alimentação, registraram uma expansão de 1,2% na transição de março para abril. O avanço representa o primeiro índice positivo verificado no setor após meio ano de perdas acumuladas e estagnação.

O desempenho reverte o recuo de 1,1% computado no mês anterior. Sob a perspectiva de longo prazo, o segmento acumula uma evolução de 2,9% no intervalo de 12 meses. No confronto direto com o mesmo mês do ano anterior, o crescimento apurado foi de 1,9%. Os dados constam na Pesquisa Mensal de Serviços, apresentada ao público nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Antes deste resultado, o setor havia experimentado sua expansão mais recente em outubro do ano passado, com uma alta discreta de 0,3%, momento em que o segmento alcançou o ápice de sua relevância histórica na série de monitoramento iniciada em 2011. Os registros dos últimos seis meses detalham a oscilação do mercado:

Abril: +1,2%
Março: -1,1%
Fevereiro: 0%
Janeiro: 0%
Dezembro: -0,3%
Novembro: -0,1%

O percentual obtido em abril configura o melhor desempenho mensal desde o outono de 2024, período em que o crescimento atingiu 1,3%. A análise técnica do instituto pondera que os novos números restabelecem o patamar verificado no encerramento do último ano, situando o segmento a apenas 0,3% de distância do seu recorde histórico de arrecadação e movimentação, embora ainda não configure uma tendência definitiva de subida ou declínio contínuos.

Crescimento generalizado atinge os principais grupos de atividade
Para a composição do diagnóstico global do setor, os especialistas avaliam o comportamento de 166 modalidades de prestação de serviços, subdivididas em cinco ramificações principais. Na passagem de março para abril, todas as frentes de negócios operaram no campo positivo. Os maiores índices de expansão foram os seguintes:

Outros serviços: 2,2%
Serviços prestados às famílias: 1,4%
Transportes, armazenagem e correio: 0,9%
Informação e comunicação: 0,5%
Serviços profissionais e administrativos: 0,4%

Apesar de não deter a maior taxa percentual isolada, o segmento de transportes, logística e postagens exerceu a influência mais expressiva sobre o saldo final por concentrar a maior fatia de relevância do mercado nacional, equivalendo a 36,4% de todo o setor de serviços do país.

Recuo nas tarifas aéreas impulsiona o deslocamento de passageiros
A dinâmica interna dos transportes foi fortemente influenciada pelo transporte aéreo de passageiros, que saltou 7% no período. O crescimento ocorre após uma retração severa e consecutiva de 16,6% observada nos meses de fevereiro e março de 2026.

De acordo com o gerenciamento da pesquisa, as oscilações de preços das passagens aéreas foram determinantes para o cenário de abril. O subitem do IPCA, que mede a inflação oficial, havia registrado um encarecimento expressivo de 18,4% nos meses anteriores, mas passou por uma deflação e caiu 14,45% em abril. Esse alívio nos custos impulsionou o volume de passageiros transportados em 2,6%, enquanto o transporte rodoviário e ferroviário de cargas de mercadorias enfrentou uma redução de 0,9%.

Turismo ganha fôlego e consolida patamar superior ao período pandêmico
O Índice de Atividades Turísticas acompanhou o movimento de retomada e apresentou uma expansão de 4,1% em abril na comparação mensal. No balanço que consolida os últimos 12 meses, o turismo acumula um ganho real de 2,7%.

Com os novos indicadores, o ecossistema turístico brasileiro — que monitora 22 atividades específicas como a rede hoteleira, agências de viagens e serviços de alimentação — posiciona-se 11,2% acima do patamar de atividade registrado em fevereiro de 2020, antes do início das restrições sanitárias. O índice atual encontra-se apenas 2,2% abaixo do teto histórico da atividade, estabelecido no final de 2024. O levantamento regionalizado do turismo acompanha o desempenho em 17 estados das regiões Nordeste, Sudeste, Sul, Centro-Oeste e Norte do território nacional. Com informações da Agência Brasil

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