GRNEWS TV: Falar sobre a morte com uma criança pode tornar o luto menos doloroso
Durante participação no videocast Papo com Geraldo Rodrigues, apresentado de segunda a sexta-feira, a partir das 13 horas, pelo canal GRNEWS no YouTube, Janaína Medina, graduada em Psicologia, tanatóloga, autora, palestrante e CEO da Cuidar Assistência, enfatizou que falar sobre a morte com uma criança costuma ser um dos maiores desafios para as famílias. O receio de causar sofrimento faz com que muitos adultos escondam a verdade ou evitem conversar sobre o assunto. No entanto, segundo Janaína, essa postura pode dificultar ainda mais a elaboração do luto infantil.
Ela explica que, embora cada criança reaja de maneira diferente, o processo costuma ser mais natural do que entre os adultos. Isso porque os pequenos ainda não desenvolveram o mesmo nível de apego e conseguem utilizar a imaginação como uma importante ferramenta para compreender a perda. O grande problema surge quando a criança não recebe informações claras e passa a criar explicações próprias para o que aconteceu.
A verdade ajuda a construir um luto saudável
Na avaliação da especialista, é fundamental conversar com a criança utilizando uma linguagem adequada à idade e responder às perguntas com sinceridade. Esconder a morte ou inventar histórias pode gerar insegurança, desconfiança e aumentar a angústia durante o processo de adaptação.
Ela também destaca que, sempre que possível, a participação nos rituais de despedida pode favorecer a compreensão da perda. Em muitos casos acompanhados nos grupos de apoio, crianças escreveram cartas para os avós, colocaram desenhos, brinquedos ou objetos de carinho junto à urna e encontraram nesses gestos uma forma saudável de expressar o amor e a saudade.
Projetos aproximam famílias e fortalecem o acolhimento
Janaína desenvolve projetos voltados ao acolhimento de crianças e familiares, utilizando livros infantis e atividades lúdicas para abordar o tema da morte de maneira sensível. O trabalho conta ainda com a participação da cadela Serena, conhecida como “gerente de acolhimento”, que auxilia na aproximação com as crianças e contribui para criar um ambiente mais leve durante os atendimentos.
Ela ressalta que, quando o sofrimento se torna intenso ou persistente, tanto crianças, quanto adultos devem receber acompanhamento psicológico. Para Janaína, o maior erro durante o luto é tentar negar ou evitar esse processo. Viver a dor, com apoio e acolhimento, é o caminho para transformar a perda em aprendizado e preservar a memória de quem partiu de forma saudável.
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