Saúde mira faltas para melhorar acesso às consultas no AME
O problema das ausências
Cerca de 6 mil consultas com médicos especialistas deixaram de ser realizadas nos primeiros seis meses do ano no Ambulatório Médico de Especialidades (AME) de Pará de Minas. O dado chama atenção porque cada horário perdido representa uma oportunidade que poderia ser destinada a outro paciente que aguarda atendimento.
O vice-prefeito e secretário municipal de Saúde, Luiz Lima, afirmou que as ausências chegam a uma média de aproximadamente mil por mês. Segundo ele, a Secretaria de Saúde trabalha para aperfeiçoar a confirmação dos agendamentos e pede a colaboração dos usuários.

A orientação é que, quando não puder comparecer, o paciente cancele ou comunique antecipadamente. Com isso, a equipe pode tentar reorganizar a agenda e oferecer o horário a outra pessoa:
Luiz Lima
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Dados diferentes no levantamento
Importante o secretário ter citado números baseado em média, uma vez que o levantamento apresentado pela servidora efetiva Cristiane dos Santos Paulino no dia 1º de setembro, durante entrevista coletiva, aponta números diferentes dos citados por Luiz Lima, embora confirme a dimensão do problema.
Segundo Cristiane, o AME disponibiliza cerca de 5.500 consultas por mês e aproximadamente 16% dos pacientes não comparecem. Isso representa cerca de 880 faltas mensais. Em seis meses, a diferença entre essa estimativa e as aproximadamente mil ausências mensais mencionadas pelo secretário chega a 720 consultas:
Cristiane dos Santos Paulino
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Cristiane considera o percentual expressivo porque há pacientes aguardando atendimento especializado. Ela também relatou dificuldades para confirmar as consultas, inclusive quando as equipes tentam contato telefônico e não conseguem falar com os usuários.
WhatsApp entra na estratégia
A Secretaria Municipal de Saúde avalia aperfeiçoar o uso do WhatsApp para confirmar previamente os agendamentos. A ferramenta já é utilizada em algumas situações, mas ainda não alcança todos os atendimentos.
A proposta é ampliar os mecanismos de comunicação e identificar antecipadamente quem não poderá comparecer. Dessa maneira, seria possível buscar alternativas para ocupar horários que seriam perdidos. Cristiane ressaltou, entretanto, que a redução das faltas depende de um conjunto de estratégias e não apenas de uma ferramenta.
Desafio para a nova gestão
A reorganização das agendas faz parte de um cenário mais amplo enfrentado pela nova direção da Secretaria Municipal de Saúde. Após a exoneração de Gilberto Denoziro Valadares da Silva, anunciada pelo prefeito Inácio Franco em 1º de setembro, Luiz Lima assumiu o comando da pasta, com apoio técnico de Cristiane.
Com 27 anos de atuação na saúde pública municipal, Cristiane afirmou possuir levantamentos das demandas e defende decisões baseadas em um diagnóstico da realidade local. Entre as possibilidades analisadas estão a ampliação de agendas e o reforço médico em locais onde houver necessidade.
A estrutura atende aproximadamente 103 mil habitantes, dos quais 75% dependem exclusivamente do SUS. Segundo Cristiane, a rede municipal possui 66 estabelecimentos na rede SUS, desde unidades básicas até hospital. Ela também informa que o município investe mais de 30% dos recursos em saúde desde 2013 e que o orçamento da área para 2026 está estimado em aproximadamente R$ 236 milhões.
Organização pode reduzir a espera
O prefeito Inácio Franco também apontou na mesma entrevista coletiva que a gestão das agendas de consultas especializadas como um dos desafios da saúde municipal. Segundo ele, muitos pacientes que marcam atendimento e não comparecem.
Inácio defendeu a confirmação antecipada dos agendamentos para que os horários possam ser liberados quando o paciente não tiver condições de comparecer. Para o prefeito, administrar a rede de Saúde exige organizar as demandas e direcionar cada situação para o fluxo adequado. Ele comparou esse trabalho a uma partida de xadrez, na qual é necessário posicionar corretamente cada peça.
Para Luiz Lima, o apoio dos usuários é fundamental: avisar antecipadamente sobre a impossibilidade de comparecer pode permitir que outra pessoa tenha acesso mais rápido ao atendimento especializado.
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