GRNEWS TV: Água no centro das decisões globais: presidente do Comitê do Rio Pará analisa papel do Brasil na governança hídrica mundial

Durante participação no videocast Papo com Geraldo Rodrigues, apresentado de segunda a sexta-feira, a partir das 13 horas, pelo canal GRNEWS no YouTube, José Hermano Oliveira Franco, biólogo e presidente do Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio Pará fez uma avaliação sobre a 13ª Cúpula Mundial de Bacias Hidrográficas realizada no Rio de Janeiro e colocou o Brasil em posição de destaque nas discussões sobre o futuro dos recursos hídricos.

Brasil assume protagonismo internacional
Com a presidência da Rede Internacional de Organismos de Bacia (RIOB) até 2028, sucedendo a França, o Brasil passa a liderar debates globais relacionados à gestão da água. A cúpula, realizada no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, reuniu especialistas e gestores de diversos países para discutir soluções diante das mudanças climáticas, eventos extremos e desafios de abastecimento.

Mesmo concentrando cerca de 12% da água doce do planeta, o Brasil enfrenta situações cada vez mais frequentes de escassez hídrica, reforçando a necessidade de planejamento e uso racional dos recursos disponíveis.

Gestão por bacias é destaque internacional
Um dos pontos mais valorizados durante o encontro foi o modelo brasileiro de gestão descentralizada por meio dos comitês de bacias hidrográficas. O sistema permite que decisões sejam tomadas considerando as características naturais dos rios e afluentes, independentemente dos limites políticos entre municípios.

Essa visão integrada favorece ações mais eficientes para preservação ambiental, segurança hídrica e desenvolvimento sustentável das regiões atendidas.

Cobrança pelo uso da água gera investimentos
Outro tema debatido foi a cobrança pelo uso da água bruta. O mecanismo não funciona como um imposto, mas como uma ferramenta de gestão para incentivar o uso consciente dos recursos hídricos.

A cobrança é aplicada principalmente a usuários que realizam captação em volumes significativos ou lançam efluentes nos cursos d’água. Pequenos produtores enquadrados em usos considerados insignificantes possuem regras diferenciadas.

Os recursos arrecadados são destinados a investimentos voltados para recuperação ambiental, proteção de nascentes, monitoramento dos rios e melhoria da qualidade da água.

Situação da Bacia do Rio Pará preocupa e exige atenção
O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Pará atua em 35 municípios da região e acompanha constantemente indicadores relacionados à quantidade e à qualidade da água.

Entre as iniciativas recentes está um amplo levantamento realizado ao longo de quase 300 quilômetros do Rio Pará, permitindo uma avaliação mais detalhada sobre as condições ambientais, a navegabilidade e os principais desafios para conservação do manancial.

Futuro exige planejamento e preservação
As discussões internacionais também abordaram temas ligados ao saneamento básico, preservação das áreas produtoras de água e garantia do abastecimento para as futuras gerações.

Segundo especialistas, o fortalecimento dos comitês de bacias, a participação da sociedade civil e os investimentos em conservação ambiental serão fundamentais para enfrentar os impactos das mudanças climáticas e assegurar a disponibilidade de água para a população.

A cúpula reforçou uma mensagem considerada central pelos gestores do setor: a água, apesar de abundante em algumas regiões, é um recurso finito e cada vez mais estratégico para o desenvolvimento econômico, social e ambiental.

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