Teleconsulta será testada em Pará de Minas
Primeira etapa será testada na UBS Nossa Senhora da Piedade
A Secretaria Municipal de Saúde de Pará de Minas inicia nesta semana a preparação para implantação na rede municipal da teleconsulta, que é uma das ramificações da telemedicina. A equipe da empresa contratada para prestar o serviço estará no município para realizar o treinamento e promover a integração dos profissionais que participarão da nova modalidade de atendimento.
A primeira etapa será experimental e deverá ocorrer na UBS Nossa Senhora da Piedade, que possui horário estendido. A escolha permitirá que a Secretaria acompanhe o funcionamento do serviço com uma equipe inicialmente menor, identifique dificuldades e faça os ajustes necessários antes de uma possível ampliação.
Diferença entre telemedicina e a teleconsulta
A telemedicina e a teleconsulta são termos correlatos na área da saúde digital, mas possuem abrangências diferentes. Compreender a distinção entre eles ajuda a entender como a tecnologia é aplicada no atendimento médico.
O que é a telemedicina
A telemedicina é um conceito amplo que engloba a prestação de serviços médicos à distância com o auxílio de tecnologias de informação e comunicação. Ela não se limita apenas ao atendimento direto ao paciente, mas abrange diversas frentes da prática médica e da gestão de saúde, tais como:
Teleducação: capacitação, ensino e transmissão de informações médicas à distância.
Telediagnóstico: emissão de laudos de exames (como eletrocardiogramas, exames de imagem, entre outros) enviados por outros profissionais.
Telecirurgia: realização de procedimentos cirúrgicos com o suporte de equipamentos robotizados operados à distância.
Teleorientação e telemonitoramento: acompanhamento contínuo de pacientes crônicos ou orientações gerais.
O que é a teleconsulta
A teleconsulta, por sua vez, é uma ferramenta específica que está inserida dentro da telemedicina. Trata-se exclusivamente da consulta médica remota realizada entre um médico e um paciente, que podem estar em locais diferentes.
Consulta direta: envolve a anamnese (entrevista clínica), a avaliação dos sintomas, a emissão de prescrições médicas digitais e a solicitação de exames.
Contexto de uso: é utilizada tanto para o primeiro atendimento (quando permitido e regulamentado pelas autoridades de saúde e conselhos de classe) quanto para consultas de retorno e acompanhamento de tratamentos em andamento.
Resumo das diferenças
Enquanto a telemedicina representa todo o ecossistema e a área de atuação médica que utiliza recursos digitais para fins de assistência, pesquisa, prevenção de doenças e ensino, a teleconsulta é o ato médico prático e individualizado de realizar a consulta clínica à distância, conforme informações do Ministério da Saúde.
Treinamento envolverá toda a rede
O vice-prefeito e secretário municipal de Saúde, Luiz Fernando de Lima, explica que a introdução da teleconsulta, chamada por ele de telemedicina, exige uma mudança na rotina dos serviços e precisa ser acompanhada de perto. Segundo ele, embora a ferramenta possa contribuir para melhorar o acesso da população, existe a necessidade de considerar a adaptação dos usuários às novas tecnologias, principalmente entre pessoas idosas.
A preparação para o início das consultas não será restrita aos médicos que atuarão remotamente. Luiz Lima destaca que recepcionistas, técnicos de enfermagem, enfermeiros e demais profissionais que participam do atendimento precisam estar alinhados para que o paciente tenha uma assistência adequada desde a chegada à unidade.
A integração também deverá envolver a atenção especializada, a unidade responsável pela dispensação de medicamentos e a UPA. A intenção é que os profissionais conheçam os caminhos disponíveis dentro da rede municipal para encaminhar cada paciente conforme a necessidade apresentada.
Outro ponto considerado necessário é a familiarização dos médicos que prestarão o atendimento remoto com a realidade da rede de Pará de Minas. Eles deverão conhecer os protocolos adotados pelo município e os medicamentos disponíveis para dispensação.

De acordo com o secretário, esse treinamento e processo de integração deverá levar aproximadamente duas a três semanas.
“A gente precisa de uma integração não apenas da nossa equipe aqui do município, mas também dos médicos e dos profissionais que vão atender a nossa população”, explicou Luiz Lima.
O secretário ressalta que o atendimento remoto não elimina a importância do contato presencial com os demais profissionais da unidade. Para ele, o resultado dependerá justamente do alinhamento de toda a equipe envolvida.
“A gente precisa que essa equipe seja muito bem treinada e alinhada para que a gente possa ter um resultado positivo com a telemedicina em Pará de Minas”, afirmou.
Período experimental permitirá ajustes
A previsão é que o modelo permaneça em caráter experimental na UBS Nossa Senhora da Piedade por aproximadamente duas ou três semanas. Nesse período, a Secretaria pretende observar o funcionamento do serviço e receber o retorno dos usuários e dos profissionais.
Como a experiência inicial ficará concentrada naquela unidade, será necessário capacitar uma equipe específica. Na avaliação de Luiz Lima, essa estratégia facilita a implantação inicial e permite corrigir eventuais problemas antes que o atendimento seja disponibilizado de maneira mais ampla.
A intenção é que, depois dos ajustes, o serviço possa ser liberado para os usuários que procurarem atendimento na UBS Nossa Senhora da Piedade.
Contrato supera R$ 1,5 milhão
Conforme já publicado pelo Portal GRNEWS, a implantação da teleconsulta está relacionada à contratação da Callmed Intermediação de Serviços Médicos S.A. pela Prefeitura de Pará de Minas. O Contrato nº 0124/2026 tem valor total estimado de R$ 1.539.398,16 e vigência de 12 meses a partir da assinatura.
O acordo está vinculado ao Processo nº 132/2026 e à Compra Compartilhada nº 062/2026. A contratação utiliza uma ata de registro de preços do Consórcio Intermunicipal de Saúde e Serviços do Alto do Rio Pará (Cispará), da qual Pará de Minas participa como coparticipante.
O valor previsto no contrato não significa que todo o montante será necessariamente desembolsado. O documento estabelece que os pagamentos dependerão dos serviços que forem efetivamente prestados.
Diferentes modalidades de atendimento
O contrato reúne diversos serviços relacionados à telemedicina. Entre eles está a plataforma destinada ao cadastro de pacientes e usuários. Foram previstos 360 mil cadastros, ao custo unitário de R$ 0,50, totalizando R$ 180 mil.
Também foi incluído atendimento remoto em regime de plantão nas áreas de clínica geral e pediatria. Nesse item, estão previstos 60 mil cadastros, com valor unitário de R$ 1,71 e total de R$ 102.600.
Para consultas especializadas, foram contratados 24 pacotes, cada um com 200 consultas. O valor unitário de cada pacote é de R$ 14.241,59, chegando a R$ 341.798,16.
A contratação também prevê três telecabines. A implantação das estruturas está estimada em R$ 93 mil, enquanto a prestação dos serviços foi calculada em 3.840 horas, ao valor de R$ 100 por hora, totalizando R$ 384 mil.
Há ainda três unidades de setup convencional, com implantação estimada em R$ 6 mil. Para a prestação dos serviços nesse formato foram previstas 4.320 horas, também ao custo de R$ 100 por hora, resultando em R$ 432 mil.
Os sete itens previstos no contrato somam o valor estimado de R$ 1.539.398,16.
Fila de espera está entre as prioridades
A contratação estabelece que os atendimentos serão realizados conforme a demanda apresentada pelo Município. Entre os públicos prioritários estão pacientes que estejam em filas de espera ou que tenham dificuldades para acessar consultas médicas.
Os atendimentos deverão ser agendados, registrados e monitorados. O contrato também prevê mecanismos para acompanhar a qualidade e a capacidade de resolução das consultas.
A plataforma deverá utilizar protocolos clínicos e evidências científicas, registrar as informações dos atendimentos nos prontuários médicos e permitir interoperabilidade com sistemas utilizados para armazenar o histórico médico relacionado ao Sistema Único de Saúde.
Também estão previstas ferramentas para emissão de receitas digitais, laudos e relatórios de acompanhamento.
Telecabines fazem parte da estrutura contratada
Além das consultas realizadas por meio da plataforma, o contrato contempla a implantação e operação de telecabines, ampliando os formatos pelos quais o atendimento remoto poderá ser disponibilizado.
A contratação também prevê os chamados setups convencionais, com estruturas específicas para a prestação dos serviços.
A definição sobre a utilização desses recursos deverá considerar a demanda do Município e os quantitativos estabelecidos na contratação.
Dados dos pacientes terão proteção prevista em lei
Por envolver informações dos usuários dos serviços de saúde, o contrato estabelece obrigações relacionadas à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).
Os dados acessados pelas partes durante a execução dos serviços deverão ser utilizados somente para as finalidades que justificaram seu acesso, com compartilhamentos condicionados às situações permitidas pela legislação.
O documento também determina que os bancos de dados sejam mantidos em ambiente virtual controlado, com registros individualizados dos tratamentos realizados. Devem ser registrados dados como acesso, data, horário e finalidade.
A documentação prevê ainda que esses bancos sejam estruturados em formato interoperável, possibilitando a reutilização das informações pela Administração nos casos autorizados pela LGPD.
Município poderá acompanhar execução do serviço
A Prefeitura de Pará de Minas será responsável por fiscalizar a execução do contrato, avaliar a qualidade dos serviços disponibilizados e cobrar o cumprimento das obrigações assumidas pela empresa.
Caso sejam identificadas falhas, o Município poderá solicitar correções e aplicar as medidas administrativas previstas no contrato e na legislação.
Entre as penalidades estabelecidas estão advertência, impedimento de licitar e contratar, declaração de inidoneidade e multas, conforme a natureza da irregularidade.
O contrato foi assinado digitalmente e formalizado em setembro de 2026. Pelo Município de Pará de Minas, o documento foi firmado pelo vice-prefeito e secretário municipal de Saúde, Luiz Fernando de Lima.
Atendimento poderá ser ampliado conforme procura
O contrato permite que o atendimento seja ampliado caso ocorra aumento da procura pelos serviços de teleconsulta, desde que respeitado o limite máximo previsto na contratação vigente.
Se o limite da ata de registro de preços for atingido, será necessária uma nova contratação ou a formalização de um aditivo contratual, seguindo os procedimentos administrativos estabelecidos pela legislação.
Eventuais mudanças na prestação do serviço deverão considerar as métricas de utilização e os impactos provocados no sistema municipal de saúde.
A primeira experiência na UBS Nossa Senhora da Piedade será, portanto, uma etapa de avaliação do novo modelo. A Secretaria Municipal de Saúde pretende utilizar as primeiras semanas para capacitar os profissionais, integrar os diferentes setores da rede e verificar, a partir da experiência prática, quais ajustes serão necessários antes da ampliação do atendimento.
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