II Simpósio em Educação Especial e Inclusiva debate desafios do comportamento e estratégias para ampliar a participação dos alunos em Pará de Minas

Formação reúne profissionais da rede municipal, especialistas e estudantes em programação que também terá momento cultural com protagonismo de alunos com deficiência

A Prefeitura de Pará de Minas, por meio da Secretaria Municipal de Educação e da Gerência de Políticas de Inclusão, realiza nos dias 24, 26 e 27 de agosto o II Simpósio em Educação Especial e Inclusiva. A iniciativa integra a programação da Semana Municipal da Pessoa com Deficiência Intelectual, Múltipla e Autismo e também está relacionada à Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual, Múltipla e Autismo.

As atividades serão realizadas na Câmara Municipal de Pará de Minas, com exceção do momento cultural programado para o dia 26, e terão como foco a formação dos profissionais da educação, o acolhimento dos estudantes e a busca por estratégias que permitam não apenas a presença dos alunos com deficiência nas escolas, mas sua participação efetiva no processo de aprendizagem.

A programação inclui duas atividades formativas e um momento cultural. Entre os assuntos que serão abordados estão o manejo de comportamentos interferentes no ambiente escolar, gestão e práticas inclusivas, além de estratégias pedagógicas voltadas às diferentes necessidades dos estudantes.

Programação começa com debate sobre comportamento no ambiente escolar
Na segunda-feira, 24 de agosto, às 18h, a Câmara Municipal recebe a primeira atividade do simpósio, com a palestra “Manejo de comportamento interferente no ambiente escolar: desafios e possibilidades”.

A convidada é Luiza Pinheiro Leão Vicari, psicóloga, mestre em Educação pela UFMG, Qualified Behavior Analyst (QBA), profissional de Crisis Management e supervisora da Clínica Vínculo Desenvolvimento Infantil.

A escolha do tema está diretamente relacionada a uma das principais dificuldades identificadas pelos profissionais da rede municipal no atendimento cotidiano aos estudantes.

Segundo a diretora de Educação, Solange Mendonça, o manejo de comportamento tornou-se uma das principais demandas apresentadas pelos educadores. Ela explica que a equipe da Gerência de Políticas de Inclusão identificou essa necessidade a partir do acompanhamento realizado nas unidades de ensino.

A Gerência conta com uma equipe multidisciplinar e, recentemente, passou a desenvolver um serviço de intervenção local formado por duas psicopedagogas e uma pedagoga. Esses profissionais acompanham as escolas e auxiliam as equipes diante das situações encontradas no cotidiano.

Solange destaca que a formação prevista no simpósio foi planejada justamente para responder a essa necessidade identificada no acompanhamento das unidades.

Momento cultural terá estudantes como protagonistas
Na quarta-feira, 26 de agosto, às 19h, será realizado o “Momento Cultural: #Inclua Nossa Voz”. A atividade ocorrerá no auditório localizado na Rua Ricardo Marinho, 110, no bairro São Geraldo.

A programação terá apresentações artísticas de estudantes da rede municipal de Educação, além de participantes ligados à área da Cultura e parceiros.

De acordo com Solange Mendonça, estudantes com deficiência estarão no centro das apresentações e terão protagonismo durante a noite. A atividade amplia a discussão sobre inclusão para além da sala de aula, utilizando a cultura como espaço de participação e expressão.

A programação cultural faz parte das ações relacionadas à Semana Municipal da Pessoa com Deficiência Intelectual, Múltipla e Autismo e reúne diferentes manifestações artísticas realizadas por estudantes:

Solange Mendonça
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Divulgação/Prefeitura de Pará de Minas

Segundo encontro formativo aborda práticas inclusivas
Na quinta-feira, 27 de agosto, às 18h, a programação retorna à Câmara Municipal para a palestra “Gestão e Práticas Inclusivas no Ambiente Escolar”.

A atividade será conduzida por Mariana Vianna Gonzaga, psicóloga pela PUC Minas, mestre em Educação pela UFMG, doutora em Educação Especial pela UFSCar e analista do comportamento internacionalmente certificada pela Qualified Applied Behavior Analysis Credentialing Board (QABA).

O conteúdo previsto inclui Sistema de Suporte Multicamadas, Desenho Universal da Aprendizagem, consultoria colaborativa, ensino colaborativo, ensino diferenciado e práticas baseadas em evidências na educação.

A proposta é ampliar o repertório dos profissionais para que eles possam identificar as necessidades individuais dos estudantes e adotar diferentes estratégias pedagógicas no cotidiano escolar:

Solange Mendonça
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Rede municipal atende mais de 300 estudantes
A estrutura da educação inclusiva da rede municipal envolve atualmente mais de 300 estudantes, segundo as informações apresentadas pelos representantes da Secretaria Municipal de Educação. São alunos com deficiência, transtorno do espectro autista ou disfunção neuromotora.

Para atender esse público, a rede conta com mais de 222 professores de apoio, conforme informado por Solange Mendonça. Esses profissionais acompanham diretamente os estudantes nas unidades de ensino.

O número apresentado pelo secretário municipal de Educação, Marcos Aurélio dos Santos, é de mais de 300 alunos e cerca de 200 profissionais de apoio atuando diretamente com esse público.

A atuação não se restringe aos estudantes que possuem diagnóstico formal. Solange explica que a Secretaria também disponibiliza professor de apoio quando a necessidade é identificada e comprovada pela equipe pedagógica da escola e pelos técnicos da Gerência de Políticas de Inclusão.

Segundo ela, essa atuação está alinhada ao decreto 12.386 mencionado durante a entrevista, que considera não apenas a existência de uma deficiência, mas também a necessidade apresentada pelo estudante:

Marcos Aurélio dos Santos
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Divulgação/Prefeitura de Pará de Minas

Acolhimento é apontado como princípio da política de inclusão
Marcos Aurélio dos Santos destaca que a inclusão deve ser compreendida como um direito dos estudantes e não como uma concessão.

Para o secretário, garantir o acesso à educação significa também criar condições para que crianças e jovens possam participar de outros espaços da vida social, como cultura, esporte, trabalho e convivência.

Ele ressalta que o processo depende da atuação conjunta de diretores, professores regentes, professores de apoio, profissionais da Gerência de Políticas de Inclusão e famílias.

Na avaliação do secretário, a construção de uma inclusão efetiva exige trabalho contínuo e participação coletiva. Ele também destaca a dedicação dos educadores que atuam diretamente com os estudantes.

Capacitação permanente é apontada como um dos avanços
Entre os avanços citados por Marcos Aurélio está a formação dos profissionais que trabalham na educação inclusiva.

A Secretaria Municipal de Educação mantém ações de capacitação para professores e demais integrantes das equipes escolares, com participação em cursos e eventos de formação. O simpósio integra justamente essa estratégia de qualificação.

O secretário afirma que muitos profissionais chegam à rede sem experiência anterior com determinados transtornos ou deficiências e, por isso, precisam receber orientação especializada para compreender as diferentes situações encontradas no ambiente escolar.

A Secretaria conta, segundo ele, com profissionais especializados que auxiliam na preparação das equipes para lidar com as demandas apresentadas pelos estudantes:

Marcos Aurélio dos Santos
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Crescimento das demandas é um dos desafios
Marcos Aurélio também aponta o aumento do número de crianças que apresentam transtornos como um dos principais desafios enfrentados atualmente pela educação municipal.

Ele chama atenção especialmente para as demandas identificadas na educação infantil, envolvendo crianças de zero a cinco anos, e cita situações relacionadas ao transtorno do espectro autista, TDAH, epilepsia e transtornos obsessivos.

Diante desse cenário, o secretário considera necessário ampliar a preparação dos profissionais e buscar orientação com pessoas capacitadas para lidar com as diferentes situações.

A formação continuada, nesse contexto, aparece como uma das ferramentas utilizadas pela Secretaria para melhorar o atendimento aos estudantes.

Salas de recursos oferecem atendimento no contraturno
Além do acompanhamento realizado em sala de aula pelos professores de apoio, a rede municipal dispõe de salas de recursos.

De acordo com Marcos Aurélio, esses espaços oferecem atendimento especializado no contraturno, permitindo que os estudantes frequentem normalmente as aulas e tenham, em outro período, acesso a um suporte complementar.

As salas também podem prestar atendimento às famílias, ampliando o acompanhamento para além do horário regular de ensino:

Marcos Aurélio dos Santos
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Estratégias precisam considerar cada estudante
Para Luciane Maria da Silva, responsável pela intervenção local da Gerência de Políticas de Inclusão, o primeiro passo para desenvolver uma prática inclusiva é conhecer o estudante.

Ela explica que professores regentes, professores de apoio e demais integrantes da equipe escolar precisam compreender as características e necessidades de cada aluno. Isso inclui conhecer as particularidades relacionadas ao transtorno do espectro autista e às diferentes deficiências, como auditiva, intelectual e múltipla.

A partir desse conhecimento, os profissionais podem definir estratégias específicas para cada situação.

Entre as possibilidades citadas por Luciane estão adaptações pedagógicas, flexibilização curricular, elaboração de atividades específicas e adequação do tempo destinado às tarefas.

Ela ressalta que não existe uma única estratégia capaz de atender a todos os estudantes e que o professor precisa observar as necessidades apresentadas por cada aluno para definir a melhor forma de intervenção:

Luciane Maria da Silva
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Inclusão vai além da presença na escola
Luciane enfatiza que o objetivo não é simplesmente garantir que a criança esteja dentro da escola. A proposta é fazer com que ela participe efetivamente das atividades e tenha condições de avançar no processo de aprendizagem.

Para isso, segundo ela, os profissionais precisam manter uma rotina de estudo e formação.

A especialista destaca ainda que as necessidades de uma pessoa com deficiência podem sofrer mudanças de acordo com as intervenções recebidas. Por esse motivo, a atuação pedagógica também precisa ser adaptada continuamente.

Divulgação/Prefeitura de Pará de Minas

Escola atua na identificação de possíveis necessidades
Luciane também explica que a escola desempenha papel importante na percepção de sinais que podem indicar que um estudante necessita de avaliação ou apoio especializado.

Segundo ela, algumas famílias procuram inicialmente profissionais da área da saúde quando percebem diferenças no desenvolvimento ou comportamento dos filhos. Em outras situações, são os próprios profissionais da escola que identificam sinais e orientam os responsáveis a buscar atendimento na rede de saúde ou na Gerência de Políticas de Inclusão.

A proposta é estabelecer uma atuação articulada, permitindo que as necessidades sejam identificadas e encaminhadas para avaliação e acompanhamento:

Luciane Maria da Silva
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Famílias também fazem parte do processo
Outro aspecto destacado pelos profissionais é a participação das famílias.

Marcos Aurélio considera fundamental a aproximação entre familiares e escola para que os educadores compreendam melhor as situações vivenciadas pelos estudantes e para que os responsáveis tenham segurança em relação ao atendimento oferecido.

Solange Mendonça reforça que a Secretaria de Educação busca manter as portas abertas para as famílias que necessitam de orientação ou apoio.

Ela destaca como exemplo a disponibilização de professores de apoio mesmo para estudantes que ainda não possuem laudo, quando a necessidade é identificada pelas equipes responsáveis.

A diretora afirma que as famílias podem procurar a Secretaria de Educação e a Gerência de Políticas de Inclusão sempre que precisarem de orientação.

Formação reúne diferentes profissionais da educação

A programação do II Simpósio em Educação Especial e Inclusiva não é direcionada exclusivamente aos professores de apoio.

Solange Mendonça informa que diretores escolares e especialistas em educação também participarão das atividades. A intenção é ampliar o alcance das informações e permitir que diferentes profissionais compartilhem conhecimentos e experiências.

As palestras contarão com profissionais com formação acadêmica na área de Educação Especial. Solange destaca a participação de duas doutoras em Educação Especial, vinculadas à UFMG e com experiência na área.

Após o simpósio, a Gerência de Políticas de Inclusão pretende manter o acompanhamento das unidades por meio do trabalho da equipe de intervenção local.

Evento busca fortalecer uma política permanente de inclusão
O II Simpósio em Educação Especial e Inclusiva está inserido em uma política que, segundo os representantes da Secretaria Municipal de Educação, deve ser desenvolvida durante todo o ano, e não apenas durante a semana dedicada à conscientização sobre as pessoas com deficiência.

A proposta envolve capacitação permanente, acompanhamento das escolas, atuação dos professores de apoio, funcionamento das salas de recursos, orientação às famílias e desenvolvimento de estratégias pedagógicas específicas.

Para Marcos Aurélio, o principal legado esperado com o simpósio é o crescimento pessoal e profissional dos participantes, aliado à ampliação da capacidade da rede de oferecer atendimento adequado aos estudantes.

A iniciativa também pretende fortalecer a parceria entre profissionais da educação, famílias e equipe técnica da Gerência de Políticas de Inclusão, buscando aperfeiçoar continuamente as práticas adotadas nas escolas e nos Centros Municipais de Educação Infantil.

Programação completa
24 de agosto, segunda-feira, às 18h
Câmara Municipal de Pará de Minas
Manejo de comportamento interferente no ambiente escolar: desafios e possibilidades
Convidada: Luiza Pinheiro Leão Vicari, psicóloga, mestre em Educação pela UFMG, Qualified Behavior Analyst (QBA), profissional de Crisis Management e supervisora da Clínica Vínculo Desenvolvimento Infantil.

26 de agosto, quarta-feira, às 19h
Auditório da Rua Ricardo Marinho, 110, bairro São Geraldo
Momento Cultural: #Inclua Nossa Voz
Apresentações artísticas de estudantes da rede municipal de Educação, da área da Cultura e parceiros.

27 de agosto, quinta-feira, às 18h
Câmara Municipal de Pará de Minas
Gestão e Práticas Inclusivas no Ambiente Escolar
Temas: Sistema de Suporte Multicamadas, Desenho Universal da Aprendizagem, consultoria colaborativa, ensino colaborativo, ensino diferenciado e práticas baseadas em evidências na Educação.
Convidada: Mariana Vianna Gonzaga, psicóloga pela PUC Minas, mestre em Educação pela UFMG, doutora em Educação Especial pela UFSCar e analista do comportamento internacionalmente certificada pela Qualified Applied Behavior Analysis Credentialing Board (QABA).

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