Alterações na tireoide atingem expressiva parcela dos brasileiros e demandam atenção aos sinais do corpo

As disfunções associadas à tireoide alcançam milhões de cidadãos no Brasil e comumente passam sem a devida identificação por manifestarem sinais cotidianos, a exemplo de esgotamento físico prolongado, oscilações no estado anímico, variações bruscas de massa corporal e diminuição do volume capilar. Estimativas da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) sinalizam que até 60% da população do país poderá registrar algum grau de variação funcional na glândula no decorrer da vida, figurando o público feminino e as pessoas da terceira idade entre as faixas mais impactadas.

A endocrinologista integrante do Mário Palmério Hospital Universitário (MPHU), Fernanda Magalhães, detalha a relevância do órgão para a manutenção das funções vitais. A profissional explica que a tireoide apresenta formato semelhante ao de uma borboleta e fica situada na área frontal do pescoço, sendo responsável pela síntese dos hormônios T3 e T4. Essas substâncias controlam o ritmo metabólico do organismo e interferem diretamente no desempenho do coração, cérebro, fígado e no equilíbrio de peso.

A especialista pontua que as alterações centrais vinculadas à estrutura são o hipotireoidismo, configurado pela fabricação escassa hormonal, e o hipertireoidismo, que se caracteriza pela produção elevada dessas substâncias.

Manifestações clínicas diferem conforme o nível de hormônios
Na ocorrência do hipotireoidismo, o ritmo do metabolismo sofre desaceleração, desencadeando manifestações como exaustão acentuada, ganho não justificado de peso, desidratação cutânea, perda de fios de cabelo, letargia e lentidão intestinal. Fernanda Magalhães acrescenta que o paciente pode manifestar ainda sensibilidade ao frio, desarranjos no ciclo menstrual e quadros associados à depressão.

Em contrapartida, o hipertireoidismo atua acelerando as atividades metabólicas, culminando habitualmente em redução acelerada de peso, batimentos cardíacos acelerados, tremores, quadros ansiosos, transpiração em excesso e insônia. A endocrinologista destaca que é possível notar irritabilidade, aversão a temperaturas altas e o inchaço visível no pescoço, denominado bócio.

Incidência das condições tireoidianas na sociedade
Fernanda Magalhães observa que as alterações na glândula figuram entre os diagnósticos endocrinológicos mais recorrentes em escala global. A médica ressalta que o hipotireoidismo desponta como a complicação mais habitual, registrando prevalência entre idosos e mulheres. Dados globais apontam que aproximadamente 5% dos indivíduos sofrem com o problema, enquanto em território nacional o índice atinge cerca de 7,4% da população.

Outra condição de elevada ocorrência envolve a presença de nódulos na tireoide, detectados de forma predominante por meio de exames ultrassonográficos. A médica pondera que essas formações são comuns e tornam-se mais frequentes com o avanço da idade, destacando que mais de metade das pessoas pode apresentar nódulos ao longo dos anos, sendo de 90% a 95% dos casos classificados como benignos.

Importância do diagnóstico e da checagem médica
A endocrinologista enfatiza a necessidade de buscar orientação especializada quando o indivíduo constatar sintomas contínuos ou modificações na área cervical. Fernanda Magalhães orienta que a consulta é indicada na presença de manifestações características, volumes alterados no pescoço ou histórico de patologias da glândula na família.

O acompanhamento clínico geralmente inclui exames de sangue e testes de imagem para averiguar as dosagens hormonais e monitorar formações nodulares. A especialista conclui reforçando que, ao notar qualquer um desses indícios, a pessoa deve recorrer ao suporte profissional para cuidar da saúde glandular. Com informações da Assessoria de Comunicação do Mário Palmério Hospital Universitário.

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