Reforma da Casa da Cultura avança: Prefeitura contrata empresa para restaurar patrimônio histórico de Pará de Minas

Contrato de mais de R$ 623 mil marca início de nova etapa para preservação do prédio centenário

A preservação de um dos mais importantes patrimônios históricos de Pará de Minas acaba de dar um passo decisivo. O Portal GRNEWS apurou que a Prefeitura oficializou a contratação da Construtora e Urbanizadora Brasil Ltda. (CONUBRA), para executar a reforma da Casa da Cultura, imóvel tombado que há décadas abriga atividades culturais, educativas e institucionais no município.

O contrato nº 0100/2026 foi firmado no valor de R$ 623.841,75, com vigência de 12 meses, após a realização da Concorrência nº 010/2026, seguindo os critérios estabelecidos pela Lei Federal nº 14.133/2021, a nova Lei de Licitações. A obra representa um investimento estratégico na preservação do patrimônio arquitetônico e cultural da cidade.

Embora o contrato tenha validade de um ano, o projeto básico prevê que, após a emissão da Ordem de Serviço, os trabalhos sejam executados em aproximadamente três meses.

Intervenção busca impedir avanço da deterioração
O projeto de restauração foi elaborado diante da necessidade urgente de recuperar diversos elementos estruturais do imóvel, cuja mais recente grande reforma ocorreu em 2015.

Levantamentos técnicos apontaram que, ao longo dos anos, o prédio sofreu significativa deterioração causada principalmente pela ação do tempo. Entre os principais problemas identificados estão infiltrações provocadas pelo desgaste do telhado, comprometimento do sistema de captação das águas pluviais, deterioração do madeiramento da cobertura por umidade e ataque de cupins, além de danos em pisos, forros e instalações elétricas.

O estudo também constatou falhas no átrio central, que apresenta infiltrações, vidros danificados, deficiência de ventilação e problemas de vedação, fatores que aceleram o desgaste da construção e reduzem o conforto dos frequentadores.

A proposta da reforma contempla a recuperação da cobertura, substituição e revitalização das calhas e rufos, recuperação do piso de madeira, melhorias estruturais no átrio central e outras intervenções destinadas a eliminar as causas das infiltrações e preservar as características originais do edifício.

Segundo o projeto técnico, o adiamento das obras poderia resultar no agravamento dos danos estruturais, aumento dos custos futuros de recuperação e até mesmo perda de elementos históricos considerados insubstituíveis.

Recursos estaduais e municipais viabilizam a restauração
O investimento será financiado por diferentes fontes. Do total contratado, R$ 450 mil são provenientes do Edital FEC 07/2025 – Restaura Minas, vinculado ao Fundo Estadual de Cultura. O restante será custeado com recursos próprios da Prefeitura de Pará de Minas.

A aprovação do projeto pelo programa estadual representa um reconhecimento da relevância histórica da Casa da Cultura e reforça a importância da preservação de um dos principais bens culturais do município.

Um prédio que acompanha a história de Pará de Minas há mais de um século
Construído entre 1922 e 1924, o edifício completa 102 anos em 2026. Localizado na Praça Torquato de Almeida, o imóvel possui área superior a mil metros quadrados e faz parte da memória urbana de Pará de Minas.

Inicialmente, o prédio foi projetado para funcionar como o Grande Hotel, empreendimento idealizado por Amedeo Celso Grassi, por meio da Companhia Melhoramentos de Pará de Minas, iniciativa que contou com o incentivo do então agente executivo do município, Torquato Alves de Almeida.

Durante os primeiros anos, o hotel recebeu importantes autoridades da época, entre elas o então presidente do Estado de Minas Gerais, Antônio Carlos Ribeiro de Andrade, em 1928, e posteriormente o governador Milton Campos, em 1949. Apesar da grandiosidade do projeto, o hotel encerrou suas atividades ainda em 1928.

No ano seguinte, o Governo de Minas Gerais adquiriu o imóvel, que passou a abrigar diversas instituições ao longo das décadas, incluindo o Ginásio Paraense, Colégio São Geraldo, Colégio São Francisco, a primeira Exposição Agroindustrial do município, Colégio Comercial e até a antiga Estação Rodoviária.

Em 1984, já bastante deteriorado, o prédio foi doado pelo Estado ao Município. As obras de restauração começaram em 1986 e culminaram, em 1993, na reinauguração do espaço como Casa da Cultura, durante a gestão do então prefeito Silésio Mendonça.

Cinco anos depois, em 1998, o imóvel foi oficialmente tombado pelo Conselho Deliberativo Municipal do Patrimônio Cultural, reconhecimento que consolidou sua importância histórica, arquitetônica, cultural e afetiva para Pará de Minas.

O edifício possui dois nomes oficiais previstos em leis municipais
Conforme apuração e já publicado pelo Portal GRNEWS, além de sua importância arquitetônica, o prédio possui uma característica pouco conhecida: duas leis municipais em vigor atribuem denominações oficiais ao imóvel.

A primeira delas é a Lei Municipal de 12 de junho de 1991, originada do Projeto de Lei nº 14/1991, encaminhado pelo então prefeito José Porfírio de Oliveira. Durante a tramitação na Câmara Municipal, uma emenda apresentada pelo então vereador Adão de Abreu e Silva alterou o texto original para denominar o imóvel como Prédio Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira.

A votação foi uma das mais disputadas da história do Legislativo municipal. O placar terminou empatado em cinco votos favoráveis e cinco contrários, cabendo ao presidente da Mesa Diretora exercer o voto de desempate, garantindo a aprovação da denominação em 27 de maio de 1991.

Posteriormente, em 27 de junho de 2000, foi sancionada a Lei Municipal nº 3.788, de autoria do Executivo Municipal, durante a administração do então prefeito Eli Pinto de Faria (Tilili), que conferiu ao espaço a denominação de Centro Cultural Deputado Antônio Júlio de Faria.

Diferentemente da primeira votação, essa proposta foi aprovada por unanimidade pelos vereadores, recebendo 12 votos favoráveis em primeiro e segundo turnos.

Com isso, as duas legislações permanecem vigentes, fazendo com que o tradicional prédio histórico possua oficialmente as duas denominações previstas na legislação municipal.

Reforma representa investimento na memória e na cultura
A contratação da empresa responsável pela obra representa mais do que uma intervenção física no imóvel. A iniciativa busca assegurar a preservação de um edifício que atravessou diferentes períodos da história de Pará de Minas, mantendo vivas as referências arquitetônicas, culturais e afetivas de várias gerações.

Com a restauração, a expectativa é garantir melhores condições para a realização de eventos, exposições, atividades educativas e demais ações culturais desenvolvidas na Casa da Cultura, preservando um patrimônio que continua sendo um dos maiores símbolos da identidade histórica do município.

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