Brasil completa um ano fora do Mapa da Fome, mas desafios estruturais persistem
A celebração de um marco histórico para o desenvolvimento social do país completou um ano neste mês. Em julho de 2025, o Brasil conseguiu reduzir para menos de 2,5% o índice de sua população exposta ao risco de subnutrição ou à falta crônica de alimentos, consolidando oficialmente sua saída do Mapa da Fome. Apesar do avanço expressivo que levou o país ao menor patamar de vulnerabilidade de sua série histórica, o cenário atual ainda impõe desafios severos, visto que cerca de 6,5 milhões de cidadãos permanecem enfrentando uma situação de insegurança alimentar grave.
Atualmente, o acesso seguro, regular e permanente a refeições saudáveis e de alta qualidade está garantido para 77% da população brasileira. Para sustentar e aprimorar esse quadro positivo, especialistas alertam que o enfrentamento ao problema exige a consolidação de políticas públicas contínuas e intersetoriais. O combate à vulnerabilidade social não se restringe à distribuição emergencial de comida, mas depende da construção de uma rede que envolva a geração de postos de trabalho, distribuição de renda, avanços na educação, saneamento básico, segurança pública e fortalecimento do sistema de saúde.
Novo indicador multidimensional expõe disparidades regionais na garantia do direito à alimentação
A complexidade do combate à fome motivou o desenvolvimento de novas metodologias de análise científica no país. O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Combate à Fome, vinculado à Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, estruturou o Índice Multidimensional de Insegurança Alimentar (MUFII). Publicada na revista científica Sustainability, a ferramenta avalia a privação de alimentos combinando 12 indicadores dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
As medições iniciais do índice revelaram que a instabilidade social apresentou uma piora no cenário nacional no ano de 2022. Os dados também evidenciaram uma forte desigualdade geográfica dentro do território brasileiro, registrando os menores índices de vulnerabilidade no estado de Santa Catarina, enquanto as taxas mais severas se concentraram no Maranhão, Acre e Amazonas. Na maioria das unidades federativas das regiões Norte e Nordeste, o nível de insegurança alimentar multidimensional ultrapassou a marca dos 50%, o que direciona a urgência de monitoramentos atualizados e focados nessas localidades.
Forças combinadas da economia e da proteção social sustentam a virada histórica no campo e nas cidades
A superação dos índices mais críticos de subnutrição é atribuída pelas autoridades e pesquisadores a três movimentos estratégicos e simultâneos de inclusão social. O primeiro pilar baseou-se no combate direto à desigualdade por meio de políticas de emprego e renda, impulsionado pelo menor índice de desemprego dos últimos 13 anos e pela política de valorização real do salário mínimo. A segunda frente consistiu na reestruturação e modernização de programas de transferência de renda e assistência estudantil, com destaque para os impactos positivos de emancipação das famílias atendidas pelo Bolsa Família e a reestruturação do Cadastro Único.
Por fim, o terceiro fator decisivo envolveu a retomada e o fomento às políticas de abastecimento e fomento à agricultura familiar. Iniciativas como o Plano Brasil sem Fome articulam de forma integrada o reajuste nos repasses da alimentação escolar, o suporte logístico a cozinhas comunitárias e o fortalecimento orçamentário do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que se encontrava desestruturado. Esse conjunto de ações, aliado a safras agrícolas robustas e à desaceleração expressiva nos preços dos alimentos frente à inflação geral, devolveu o poder de compra à população de baixa renda e assegurou a estabilidade alimentar do país. Com informações da Agência Brasil

